CRÔNICAS EVANGÉLICAS |
"EXAMINA E VERÁS QUE DA GALILÉIA NÃO SE LEVANTA PROFETA". (JOÃO, 7:52)
Há
pouco tempo, os jornais publicaram a notícia que um líder israelense
teria dito que Moisés não foi um profeta muito eficaz, pois, em
vez de levar o povo hebreu, recém-Liberto do jugo egípcio, para
a Terra de Canaã (atual Palestina) deveria tê-lo encaminhado para
uma terra onde existisse bastante petróleo, pois, na qualidade de profeta,
deveria saber que esse seria o combustível do futuro, passível
de propiciar poder e glória à nação que o viesse
a possuir em abundância.
Infelizmente ainda existem no mundo pessoas bitoladas, que vêem as coisas
simplesmente pelo prisma material, sem cogitar das coisas de cunho espiritual.
Preferem se apegar às questões minúsculas e de reduzida
importância, deixando de lado as coisas fundamentais, de consequências
permanentes.
Quando discutiam a procedência do Cristo, alguns fariseus indagaram: Vem
pois o Cristo da Galiléia? Não diz a Escritura que o Cristo vem
da descendência de Davi, e de Belém, da aldeia donde era Davi?
(João 7:41-42). Com a interferência de Nicodemos, que alimentava
algumas simpatias pelo Cristo, os ânimos se exaltaram, e eles lhe perguntaram:
Porventura és tu também galileu? Examina e verás que da
Galiléia nenhum profeta surgiu.
Segundo os Evangelhos, o Cristo realmente nasceu na pequena
cidade de Belém de Judá, a mesma cidade onde nasceu Davi, mas
posteriormente ele foi residir em Nazaré na Galiléia, para que
se cumprissem as escrituras, a fim de que fosse chamado galileu ou nazareno.
Pelo mesmo motivo, quando o futuro apóstolo Filipe anunciou que ali estava
o Cristo, e que ele viera de Nazaré o também futuro apóstolo
Natanael surpreendeu-se dizendo: Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?
A região da Galiléia não desfrutava de boa fama, por isso
os escribas afirmavam que nenhum profeta se levantar ali. Os judeus davam grande
atenção e valor à ascendência e descendência
dos seus profetas e reis, por isso, não podia conceber que o prometido
Messias pudesse ser oriundo de uma terra de fama um tanto negativa, infestada
de pessoas de má índole.
Disse o apóstolo que Deus não se leva por respeitos humanos, por
isso, ele fez com que o maior dos missionários que já vieram à
Terra, e que aqui veio com a missão específica de revelar ao mundo
um novo conceito de verdade e de amor, e que trouxe a mais fulgurante das revelações
nascesse e convivesse nos lugares mais obscuros de Israel pois quanto mais profunda
é a treva, maior é o efeito da luz.
Os judeus não aceitaram o Cristo como sendo Messias prometido, porque
aguardavam ansiosamente um guerreiro e conquistador que expulsasse os invasores
de sua Pátria e restituísse aos hebreus o seu antigo poder propiciando-lhes
a possibilidade de se tornarem um povo que viesse a exercer hegemonia no mundo.
Quando apresentou perante eles um Messias que vinha falar de amor e em perdão, rejeitaram-no de pronto, desconhecem que Jesus vinha libertar o Espírito do homem do jugo do obscurantismo e do orgulho, da mentira e da superstição, e não estava em sua cogitação libertar um povo do jugo político que lhe havia sido imposto devido à sua própria recalcitrância e obstinação.
Na
realidade, analisando os Evangelhos, notamos que a missão de Jesus Cristo
foi inteiramente desenvolvida entre os humildes, os desajustados e o marginalizados:
- Nasceu em humilde aldeia, não tendo senão uma manjedoura para
acomodá-lo;
- Seus pais eram criaturas das mais humílimas condições
sociais;
- Seus apóstolos foram escolhidos dentre humildes pescadores e homens
do povo;
- O cenário que serviu para o desempenho de seu Messiado foi todo ele
dos mais singelos, e os lugares onde ele viveu foram dos mais desprentensiosos;
- A sua ação benfazeja se processou no meio de sofredores do corpo
e da alma e pecadores de todos os matizes.
Paulo Alves de Godoy