JESUS DOS 13 AOS 30 ANOS |
Por
séculos e séculos, os estudantes cristãos da Bíblia
se perguntavam onde Para todos, aqui expomos um estudo pormenorizado, condensado, analisado dos compêndios que podem ser considerados aceitáveis, que pelo mundo falam sobre este período em que a Bíblia ou a nossa Codificação não explana. Devemos sempre analisar usando a nossa fé raciocinada, mas, porém, lembrando que sempre que houver dúvidas devemos retornar a fonte, pois, é lá que beberemos a água límpida. Edivaldo
|
Quando
estudei o Espiritismo, estudei também e procurei compreender a extraordinária
figura do Cristo, sob o ponto de vista espiritualista, mas verifiquei, desde
logo, a grande confusão que gira em torno da sublime personalidade do
Rabi da Galiléia. Li as seguintes obras (títulos em português):
os Evangelhos; A Vida de Jesus, de Ernest Renan; História do Cristo,
de Giovani Papini; Jesus, de Souza Carneiro; Cristianismo Místico, de
Yogi Ramacharaka; Os Quatro Evangelhos, comunicações mediúnicas
recebidas pela senhora Colignon; A Vida de Jesus Ditada por Ele Mesmo, mensagens
mediúnicas recebidas pela senhora X.; Novo Nuctemeron, livro ditado pelo
espírito de Apolônio de Tiana; Elucidações Evangélicas,
mensagens espíritas compiladas por Antônio Luiz Sayão; Jesus
Perante a Cristandade, obra ditada pelo espírito de Francisco Leite Bittencourt
Sampaio; A Vida Desconhecida de Jesus Cristo, de Nicolau Notovitch; Jesus e
Sua Doutrina, de A. Leterre; Da Esfinge ao Cristo e Os Grandes Iniciados, de
Edouard Schuré; A Bíblia na índia, de Louis Jacolliot;
O Cristo Nunca Existiu, de J. Brandes; e muitos artigos e mensagens espíritas,
daqui e do estrangeiro, a respeito d'Ele.
Nas obras mediúnicas de meu conhecimento, os espíritos comunicantes
geralmente vêem Jesus sob o prisma ou o aspecto pelo qual o conheceram
na vida terrena, de modo que, como essas obras já são conhecidas
no vernáculo, vou recorrer a algumas publicadas no estrangeiro, esperando
que projetem alguma luz sobre esta questão que não é nova:
quem foi realmente Jesus e o que
fez ele nos 17 anos desconhecidos de sua vida na Palestina? Passemos a elas.
No Novo Nuctemeron, obra ditada pelo espírito de Apolônio de Tiana
à conhecida médium inglesa Marjorie Livingstone e prefaciada por
Sir Arthur Conan Doyle, vemos que no Jesus carnal se encarnou o Cristo, o iniciado
divino. Como esse livro é pouco conhecido, dele extraio os seguintes
trechos: O Iniciado Divino, o Filho de Deus, realizou para vós essa Descida
na Matéria, essa Ordália Perfeita, essa Oblata de si mesmo, esse
Sacrifício até a morte", (cap. II)
Podeis perguntar-me como o Iniciado Egípcio podia ver o Cristo dois mil
anos antes de Jesus ter nascido na Galiléia. A resposta é bem
simples. Não devereis pensar que, porque o Cristo ainda não se
tinha manifestado na carne, ele não existia. Sua manifestação
na pessoa de Jesus de Nazaré não foi senão um incidente
de sua vida eterna; para a vossa Terra é talvez o mais importante de
sua história. Repito
que a manifestação do Espírito Divino do Cristo Cósmico
em Jesus de Nazaré não foi senão um incidente etc.
Antes do período da Encarnação em Jesus de Nazaré,
os Iniciados veneravam e temiam o Cristo de Deus, mas com incompreensão:
depois da Encarnação, um amor pessoal por ele surgiu na Humanidade....nós
não podemos conceber uma alegria mais extática, um esplendor mais
radioso do que a Visão dAquele que era ao mesmo tempo Filho de Deus e
filho do Homem. Durante a vida de Jesus de Nazaré, Deus se manifestou
diretamente no corpo do Homem e dessa forma submeteu-se a leis naturais e a
limitações físicas. Esse Ato Supremo resumiu não
somente todas as possibilidades do Bem pelo Homem, no plano material, mas também
em todos os ciclos do seu progresso, Deus, tendo assim se manifestado na carne,
pode também manifestar-se à vontade, de maneira reconhecível,
em todos os planos intermediários.
Assim, ele é o Cristo, Jesus e Deus ("eu vos criei a minha imagem; não Deus Absoluto, só Deus é real, o restante é criação do seu pensamento": Edivaldo), porém a sua forma não é a mesma em todas as esferas, (cap. VII) Em sua Encarnação, o Cristo tomou a semelhança humana ("se submeteu as Leis criadas por seu Pai":Edivaldo) e essa aparência não foi senão o invólucro exterior dos diferentes estados do seu ser, ainda como Homem, quando deixou a carne, a forma de sua personalidade física permaneceu gravada em sua Forma astral e espiritual, que ele havia tomado antes para chegar a um estado mais denso pelo qual a Encarnação fosse possível, Deus não pôde pôr-se em contato direto com a matéria e vários estados da Natureza foram precisos antes que a corrente da Força Divina pudesse ser suficientemente isolada para tal fim.
O
Cristo, tendo tomado uma única vez sobre si todos os diferentes estados
aos quais pode o Homem estar sujeito, pôde retomar essas condições
à vontade. Os que por sua grande virtude ou porque tenham um ardente
desejo ou grande necessidade de verem o Cristo o verão na forma que ele
viveu na Galiléia; os que passaram o véu da morte podem vê-lo
na forma que ele reveste para visitar as esferas intermediárias, (cap.
IX)
Resumindo: no corpo de Jesus humano encarnou-se o Cristo de Deus para conduzir
esta pobre humanidade por novos caminhos. É por isso que João,
o Evangelista, disse que o Verbo se fez carne e habitou entre nós e que,
no começo, estava com Deus. Para Jacolliot (A Bíblia na índia),
na vida de Jesus Cristo há fatos da de lezus Crisma, o reformador hindu.
E, para Schuré (Da Esfinge ao Cristo), Jesus só existiu até
o batismo no Jordão, quando o espírito do Cristo se incorporou
nele. Segundo os teósofos, o corpo de Jiddu Krishnamurti seria o novo
veículo pelo qual o Cristo se manifestaria ao mundo (O
Cristo Voltará, de Jean Deville), mas Krishnamurti dissolveu a Ordem
da Estrela e fundou nova corrente de pensamento.
Ao passo que o Abade Alta (O Cristianismo do Cristo e o dos Seus Vigários)
nos diz, como muitos outros autores, que Cristo foi contemporâneo de Apolônio
de Tiana. O teósofo australiano Charles W. Leadbeater (Os Mestres e o
Caminho) escreve que "o Mestre Jesus, que atingiu o adepto durante a encarnação
em que foi conhecido sob o nome de Apolônio de Tiana e que se tornou mais
tarde Shri Ramnujacharva, o grande reformador religioso do sul da índia,
dirige o sexto Raio, o da devoção ou Bhakti".
Aludo, de passagem, à obra do Dr. Franz Hartmann intitulada Vida de Jehoshua,
segundo a qual Jesus seria filho espúrio de um legionário romano
chamado Pandira e de Maria, ainda não casada com José, e que seu
nome era Jesus ben-Pandira. A tal se contrapõe a nota "A" das
anotações feitas no fim da obra do Prof. Petrucelli delia Gattina,
Memórias de Judas, baseada, ao que parece, em um evangelho apócrifo.
Diz a referida nota:
O Talmud, capítulo VI, Sanhedrin, fala de ter sido lapidado um Jesus
de Nazaré, réu de magia, de sedução e de corrupção
dos seus correligionários. No capítulo seguinte, acha-se mencionado
um outro Jesus, filho de Pandira e de Maria, bordadeira ou modista, mulher de
Studa, ou de uma Studa, mulher de Papus, filho de Jehuda. Esta Maria era da
Lydia e viveu perto de setenta anos depois de Maria, mãe do Jesus dos
Cristãos. É este Jesus que, diz Raban Maur, os judeus amaldiçoavam
em todas as suas orações, como ímpio, filho de um ímpio,
o pagão Pandira e da adúltera Maria.
Quanto ao livro de Binet-Sanglé, A Loucura de Jesus, é um trabalho
que se lê com desgosto e tristeza ao mesmo tempo. Um protestante, Charles
T. Russell (Estudos das Escrituras) assim define a personalidade de Jesus: Antes
de Cristo vir ao mundo, era ele um ser especial possuindo natureza espiritual,
não sendo, na acepção mais elevada, um ser divino. Essa
natureza espiritual mudou-se quando apareceu no mundo, transformando-se em perfeita
natureza humana. Já para os budistas, Jesus é
um Nirmanakaya, isto é, um ser humano muito evoluído, o qual,
por uma série de existências perfeitas, atingira o Nirvana.
A revista inglesa The Two Worlds, de Manchester, edição de 8 de
setembro de 1939, dá notícia de um livro sob o título Vi
o Mestre, ditado por "Ray" e compilado por Grace Gibbons Grindling,
no qual se lê que Maria, mãe de Jesus, teve outros quatro filhos
e que José era pai adotivo de Jesus. Trata-se de uma coleção
de comunicações de quem se diz chamar "Godfrey" e que
teria perdido a vida na guerra em outubro de 1915.
Mas, se esse livro teve por autor uma entidade espiritual não "credenciada",
o mesmo não aconteceu com outro livro a que se refere L'Astrosophie,
de Cartago, Tunísia, de maio de 1938. Tem o título de Vida de
Jesus e traz o quilométrico subtítulo "Vida inédita
e rigorosamente verdadeira, ditada por João, o Evangelista, assistido
pelos apóstolos Pedro e Paulo, assim como pelo profeta Samuel ao qual
se juntou o iniciado hindu Kirbi".
Em 1938 apareceu na imprensa londrina um livro mediúnico que obteve enorme
sucesso e foi lido com grande avidez pelo público que se interessa por
conhecer detalhes sobre o período da vida de Jesus que vai dos 13 aos
30 anos. Essa interessante obra, de que possuo um exemplar ofertado em 6 de
dezembro daquele ano pelo apreciado escritor espírita português
Frederico Duarte, o F. Etraud da "Crônica Estrangeira" de The
Two Worlds, de Manchester, cidade inglesa em que residiu há muito tempo,
foi ditada por um espírito que se deu o singelo nome de "Mensageiro",
em vez de se adornar com qualquer nome bíblico ou evangélico para
dar
maior autoridade ao seu ditado. Tem ela o título de Fragmentos dos Anos
Desconhecidos da Vida de Jesus e está dividida nos seguintes capítulos:
I. Introdução e descrições, II. Jesus no templo,
III. Jesus no deserto, IV. Jesus no Tibet, V. A decisão, VI. Jesus na
índia, VII. Jesus no Egito, VIII. Cerimônia de iniciação,
IX. Jesus na Pérsia, X. Jesus volta ao Egito e XI. Consagração
de Jesus. Sobre a referida obra, colhemos no número de 28 de outubro
de 1938, da citada revista inglesa, os seguintes comentários feitos pelo
Sr. F. C. Wentworth: Há um considerável número de livros
tratando do pouco conhecido período da vida de Jesus, que vai dos 13
aos 30 anos. Que sucedeu durante aquele tempo para transformá-lo de um
menino inteligente em um mestre cujos ensinos deviam influenciar civilizações?
Registros daquele lapso de tempo praticamente não existem. Informações
tivemos de que em templos da índia e mosteiros do Tibet há documentos
que tratam da iniciação de alguém chamado Jesus.
Rumores circulam de que documentos da biblioteca do Vaticano muito poderiam revelar se escapassem à proibição imposta pelas autoridades papais, que acham não dever torná-los públicos, havendo, portanto, sempre um ar de mistério a cobrir a resposta de uma questão que tem deixado atônitos todos os que estudaram o desenvolvimento da personalidade de Jesus. Uma obra acaba de aparecer, ditada a um médium, sob a autoridade de um espírito comunicante que diz ter tido conhecimento daquele período de tempo da vida desconhecida de Jesus. A dificuldade existente no caso é a de não se poder comparar o livro com notícias conhecidas. Ele deve ser aceito em seu mérito interior e em seu valor comparativo com documentos históricos, que devem suportar as críticas que se farão sobre o trabalho.
O
livro tem o título de 'Fragments of the hidden years of Jesus' e foi
ditado por um "Mensageiro" que esclarece: Estes escritos me foram
transmitidos do Além, durante muitas sessões com a médium
senhora Graddon-Thomas, que sempre esteve mergulhada em profundo estado de transe.
Um espírito que se deu o nome de "Mensageiro" os ditou a mim
e eu escrevi pela mão dela. Nem eu e nem a médium poderíamos
escrever este livro e minha responsabilidade está limitada à transcrição
do assunto.
Este parágrafo deve ser lembrado ao serem lidos os capítulos tratando
da iniciação de Jesus nas escolas da índia, Tibet, Egito
e Pérsia. Pinta-se então um quadro íntimo do desenvolvimento
de suas faculdades, de como foi ele treinado pelos sumos sacerdotes de várias
ordens para fazer uso das qualidades superiores de sua consciência, a
fim de colher as vastas reservas do poder invisível de que ia servir-se
durante o curso do seu ministério.
A teoria de que Jesus passou por escolas iniciáticas do Egito e outros
centros de aprendizagem não é nova. Certos aspectos do seu ensino
revelam influências que devem ser traçadas a um ou outro desses
centros, porquanto seus ensinamentos demonstram que ele não desconhecia
a obra de seus mestres e antecessores.
Notei que o articulista disse acima: A dificuldade existente no caso é
a de não se poder comparar o livro com notícias conhecidas. Ele
deve ser aceito em seu mérito interior e em seu valor comparativo com
documentos históricos, que devem suportar as críticas que se farão
sobre o trabalho. É o que vou tentar fazer, detendo-me mais demoradamente
no livro de Notovitch, A Vida Desconhecida de Jesus Cristo, para depois passar
a notícias análogas a que darei o título "Sinóticos",
isto é, Concordantes, e a manuscritos do mar Morto.
Darei a "Introdução" da obra de Notovitch, farei um resumo das peripécias de suas viagens e do encontro dos manuscritos tibetanos e transcreverei, em versículos, tal como foi achada, a Vida de Santo Issa.
Francisco Klors Werneck
| ..A vida de Santo Issa | ..A vida desconhecida de Jesus Cristo |
| ..Sinóticos | ..Jesus e os manuscritos do mar Morto |
| ..Elementos suplementares | ..Nascimento de Jesus e a Astrologia |
A falta de conhecimento de 17 dos 33 anos de vida de JESUS tem levado muita gente à descrença e à afirmativa de que a sua vida foi forjada e copiada de grandes vultos religiosos de longínquo passado. Para suprir esta surpreendente lacuna, o Dr. Francisco Klors Werneck resolveu dedicar-se ao assunto e, por mais de 40 anos seguidos, reuniu todo o material que pode para mostrar a pessoa de JESUS sob vários pontos de vista. Num imparcial e audacioso trabalho como este, procurar reconstituir toda a sua vida de 33 anos e reconduzir as ovelhas perdidas ao seu novo aprisco, ao rebanho do Mestre dos Mestres, que deve ser um só.
O Dr. Francisco Klors Werneck traduziu cerca de 28 títulos. Além de "Jesus dos 13 aos 30 anos", editou "Casos e coisas Espíritas". Desencarnou em 1986, dedicando-se por mais de 40 anos à pesquisa sobre a vida de JESUS.