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VIDA NO OUTRO MUNDO |
Quando escrevi "O Espírito do Cristianismo" julguei seria a última obra que teria de dar à publicidade, e me alegrei por haver desinteressadamente levado aquela insignificante contribuição para o erguimento do Verdadeiro Templo Espiritual, que o Espiritismo veio construir para abrigar a Humanidade.
Na verdade, não me passava pela mente a idéia de um novo trabalho; satisfazia-me com a publicação de artigos filosóficos e doutrinários, com os quais procurava manter acesa a lâmpada da Fé nos corações daqueles que me têm dedicado a sua amizade e simpatia.
Um dia, porém, lembrei-me de que há muito tempo havia eu escrito uma conferência, cujos ensinos eram inéditos naquela época e vinham trazer nova luz sobre a vida além da morte.
A doutrina expendida nessa conferência fora ilustrada com alguns mapas, que formavam um esquema de confronto entre os mundos do nosso Sistema Planetário e outros, representativos das estrelas, majestosos sóis centros de outros tantos sistemas, que representam as "muitas moradas da Casa de Deus", lembradas por Jesus segundo refere o Evangelista João. Assim também os desenhos faziam lembrar os asteróides, os cometas, os mundos que sulcam os Universos quais frotas flutuantes, levando em seu dorso Humanidades que caminham para a Perfeição - o Bem e o Belo - para a glorificação do Supremo Criador.
Passados alguns anos, verifiquei que a doutrina expendida nessa conferência não era ficção, nem mera fantasia de uma exaltação pela Imortalidade, que porventura me afagasse o coração, visto que outros tantos escritores e médiuns nos haviam transmitido as mesmas verdades, embora em países diversos e distantes do nosso, bem assim em outros idiomas.
Esse fato me incitou a escrever novo trabalho, que, com justa razão, deveria intitular-se "A Vida no Outro Mundo".
Pus mãos à obra e eis que consegui, com o valoroso auxílio dos meus protetores e dos caros Espiritos que dirigem nosso Movimento, entregá-lo à publicidade.
Como nas demais obras, não me incomodei com a forma; unicamente fiz questão de que as expressões que traduzem os conhecimentos, que me foram dado receber, exprimissem exatamente as idéias que desejo ver propagadas e conhecidas de toda gente.
Esforcei-me o mais possivel para usar de uma linguagem popular, acessivel a todas as inteligências, porque sei que esta obra terá mais divulgação entre os humildes e desprovidos da literatura que adorna os que tiveram tempo e dinheiro para se ilustrar na arte de falar bonito.
O meu fim é levar a consolação aos aflitos, a fé aos descrentes, a verdade aos que por ela anseiam e trabalham.
Se este trabalho concorrer para estancar lágrimas de amor pela separação de entes caros, e para a iluminação de cérebros que se consideravam vazios de espiritualidade, eu me darei por satisfeito com o meu trabalho.
Cairbar Schutel