A TRANSCOMUNICAÇÃO ATRAVÉS DOS TEMPOS

Há verdadeiramente duas coisas diferentes: Saber e crer que se sabe.
A Ciência consiste em saber; em crer que se sabe está a ignorância.
(Hipócrates)

1 - Sobrevivência e Transcomunicação

Não acreditamos de forma alguma haver convencido a totalidade dos internautas acerca da realidade da transcomunicação, seja ela mediúnica ou instrumental. Nossa cultura ocidental cristalizou-se de tal forma nos moldes do materialismo, que mesmo vendo, ouvindo e tocando, somente uma minoria acredita sem vacilar na possibilidade da sobrevivência após a morte.

Quando os sentidos são feridos por algum fenômeno supostamente ligado à manifestação dos Espíritos, sistematicamente sobrevêm os preconceitos e as racionalizações. A primeira reação após a surpresa é encontrar uma interpretação reducionista para a ocorrência. As explicações normalmente vão desde a suspeita de um engano ou fraude, a alucinação, as potencialidades do inconsciente, as manifestações das funções paranormais, até à negação decisiva, a ponto de não querer observar o fenômeno, de nenhuma maneira e antecipadamente, por não considerá-lo uma possibilidade e, muito menos, uma realidade.

A negação acima, como vemos, opõe-se ao desejo de sobreviver após o transe da morte, desejo este muitas vezes inconsciente e relativo às pessoas amadas. Pode ocorrer que não façamos questão de sobreviver após o decesso. Para alguns, talvez seja mais desejável o nada absoluto, como um sono sem sonhos, o falado "descanso eterno" depois do último suspiro. Porém, a maioria talvez desejasse que seus mortos queridos pudessem, de uma forma qualquer, comunicar-se e dar notícias do suposto mundo do Além. É que, para nós, a conservação indefinida daquilo e/ou daqueles que amamos é sempre desejável. Possivelmente, este apego àquilo que supervalorizamos seja a principal razão por que, mesmo sem crer cegamente na vida após a morte, a maioria das pessoas deseja a sobrevivência das criaturas amadas. A transcomunicação seria, portanto, uma das formas de satisfazer essa aspiração.

2 - Transcomunicação Mediúnica Versus Instrumental

Logo que houve maior divulgação da existência efetiva da TCI, começaram a surgir reações contra a prática dessa modalidade de transcomunicação. Por estranho que possa parecer, tais reações partiram de alguns setores da comunidade espírita. As várias seitas religiosas, pelo que sabemos, não se manifestaram nem contra e nem a favor. A Igreja Católica Apostólica Romana, predominante em nosso país, que sempre combateu o Espiritismo aqui no Brasil, surpreendentemente, lá na Europa, teve alguns de seus altos representantes manifestando interesse na pesquisa da TCI. (Bander, 1972 e 1974)

Salvo melhor juízo, parece-nos que a reação de alguns setores espíritas se deve ao temor de, com o desenvolvimento da TCI, a mediunidade ser proscrita ou cair em desuso. Se realmente for este o motivo da referida reação, pensamos que tal atitude, além de ingênua, é até contrária ao bom senso. Seria semelhante à atitude das pessoas que tentaram impedir o uso do transporte ferroviário, temendo pela crise no setor dos transportes por diligências. O fato de usar-se o automóvel não impede que ainda façamos caminhadas a pé. Mas, apesar dos avanços da TCI, principalmente na Europa, ainda falta-nos muito estudo, desenvolvimento técnico e, sobretudo, certo progresso ético generalizado, para termos, no nosso mundo, a TCI empregada como o rádio e o computador.

Pelas informações que nos chegam da Europa, está longe, muito longe mesmo, a época em que iremos comunicar-nos com os nossos parentes e amigos desencarnados, tal como o fazemos com os encarnados, usando os atuais meios de comunicação electrônica.

A dificuldade maior para a realização da TCI não parece tão ligada à parte técnica. O problema maior prende-se ao comportamento dos homens, a começar dos próprios espíritas. Não é necessário ir muito longe para certificarmo-nos deste lamentável fato. Escusamo-nos de citar exemplos, pois tememos pela reação, a qual já seria uma amostra nesse sentido. Fiquemos por aqui não sem sugerir um ligeiro exame a respeito de nós mesmos, no que tange ao nosso comportamento em relação aos companheiros de Doutrina que, às vezes, não estão "bem afinados" com o nosso modo de pensar.

Por conseguinte, percam a esperança aqueles que crêem na possibilidade de vermos a TCI substituir a TCM, dentro de poucos anos. Assim também, os que temem pelos hipotéticos males que adviriam dessa substituição não devem preocupar-se, pois até hoje o automóvel não substituiu a locomoção a pé e nem o jipe acabou com o jegue.

Dr. Hernani G. Andrade

..I - OS MUNDOS PARALELOS..
..II - TRANSCOMUNICAÇÃO - TC
..III - GLACIÁRIOS E CAVERNAS NA PRÉ-HISTÓRIA
..IV - O POLTERGEIST NA PRÉ-HISTÓRIA
..V - A PARANORMALIDADE ENTRE OS PALEANTROPÍDEOS
..VI - CUIDADOS COM OS MORTOS E CULTO DOS CRÂNIOS
..VII - PODERES PARANORMAIS ENTRE OS POVOS PRIMITIVOS
..VIII - POVOS PRIMITIVOS E A TRANSCOMUNICAÇÃO
..IX - OS EGÍPCIOS ANTIGOS
..X - GRÉCIA E ROMA ANTIGAS, CHINA E JAPÃO
..XI - ÍNDIA E TIBETE
..XII - OS HEBREUS
..XIII - OS PRIMEIROS CRISTÃOS
..XIV - TRANSCOMUNICAÇÃO NO PRÉ-ESPIRITUALISMO
..XV - O EPISÓDIO DE HYDESVILLE
..XVI -AS MESAS GIRANTES
..XVII - AURORA DO ESPIRITISMO
..XVIII - INÍCIO DO PERÍODO CIENTÍFICO
..XIX - KATIE KING
..XX - A SOCIETY FOR PSYCHICAL RESEARCH - SPR
..XXI - HODGSON E SRA. PIPER
..XXII - AS CORRESPONDÊNCIAS CRUZADAS
..XXIII - A TRANSCOMUNICAÇÃO E A MODERNA PARAPSICOLOGIA
..XXIV- TRANSCOMUNICAÇÃO INSTRUMENTAL - EXÓRDIO
..XXV - PRIMEIRAS TCI's COM INSTRUMENTOS ELÉTRICOS
..XXVI - TENTATIVAS DE TC SEM O MÉDIUM HUMANO
..XXVII - INÍCIO DA MODERNA TCI
..XXVIII - O FENÔMENO DAS VOZES ELETRÔNICAS - EVP
..XXIX -O INAUDÍVEL TORNA-SE AUDÍVEL - K.RAUDIVE
..XXX - O SPIRICOM DE GEORGE W. MEEK
..XXXI - OS SPIRICOMS MARK III e IV
..XXXII - A TCI NO BRASIL
..XXXIII - A TCI NA ATUALIDADE