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ALMA ANIMAL |
35. Espírito é sinônimo de inteligência?
A inteligência é um atributo essencial do Espírito. Uma e outro, porém, se confundem num princípio comum, de sorte que, para vós, são a mesma coisa. (O Livro dos Espíritos - Perg. 24)
Comentários: Não duvidamos que os animais sejam espíritos encarnados em corpos físicos. Sendo assim, isto é, sendo Espíritos e sendo encarnados, são também inteligentes. Isso confirma o que a ciência vem divulgando sobre a inteligência entre os animais. Dizem que mesmo o mais elementar representante animal possui inteligência.
36. O Espírito independe da matéria, ou é apenas uma propriedade desta, como as cores o são da luz e o som o é do ar?
R: São distintos uma do outro; mas, a união do Espírito e da matéria é necessária para intelectualizar a matéria. (O Livro dos Espíritos - Cap. II - Perg. 25)
Comentáríos: Quando olhamos para um animal, estamos vendo apenas o corpo que foi intelectualizado pelo espírito e não o próprio Espírito. Por isso dissemos no início que ao nos referirmos a animais estamos falando do Espírito, da alma animal e não do corpo.
Houve uma pessoa que nos disse que o que se refere a Espírito neste capítulo, diz respeito a apenas ao espírito humano.
No entanto, não há nenhuma distinção nas explicações quanto a ser algo restrito ao ser humano, principalmente porque os animais também são espíritos encarnados ou almas. Portanto o que vale para humanos, vale também para animais.
37. Essa união é igualmente necessária para a manifestação do Espírito?
(Entendemos aqui por espírito o princípio da inteligência, abstração feita das individualidades que por esse nome se designam.)
R: É necessária a vós outros, porque não tendes organização apta a perceber o Espírito sem a matéria. A isto não são apropriados os vossos sentidos. (O Livro dos Espíritos - Cap. II - Perg. 25a)
Comentários: Aqui se confirma a observação anterior sobre o fato de os conceitos sobre espíritos são para todos os seres) humanos ou não. Sendo os animais espíritos encarnados) estão obrigatoriamente unidos a corpos individuais porque são indivíduos desde que foram, ou fomos criados como princípios inteligentes no átomo.
38. Encarnado no corpo do homem, o Espírito lhe traz o princípio intelectual e moral, que o torna superior aos animais. (O Livro dos Espíritos - Perg. 605a)
Comentários: O Espírito humano encarnado em um corpo físico o controla melhor do que faz o espírito animal, pois, além de ser um ser intelectualizado é também moralizado. Isto o diferencia da alma animal, que não tem noções maiores de moral.
39. As duas naturezas nele existentes dão às suas paixões duas origens diferentes: umas provêm dos instintos da natureza animal, provindo as outras das impurezas do Espírito, de cuja encarnação é ele a imagem e que mais ou menos simpatiza com a grosseria dos apetites animais. (O Livro dos Espíritos - Perg. 605a)
Comentários: A finalidade de nossas reencarnações é a de nos depurarmos. De nos depurarmos de nossas paixões primitivas originadas no corpo físico atual e também aqueles que são originados no próprio espírito ainda primitivo, que se simpatiza com as vontades do corpo. Então uma das paixões é induzida imediatamente pelo corpo e outro a é originada das sensações instintivas que o espírito se aceita e até gosta de se submeter, como ainda um estágio grosseiro.
40. Purificando-se, o Espírito se liberta pouco a pouco da influência da matéria. Sob essa influência, aproxima-se do bruto. Isento dela, eleva-se à sua verdadeira destinação. (O Livro dos Espíritos - Perg. 605a)
Comentários: Tendo o espírito se assenhoreado de sua própria vontade, pela longa elaboração das muitas reencarnações, ele não se influencia com as vontades primitivas físicas e se aproxima de seu objetivo espiritual evolutivo.
41. Donde os animais tiram o princípio inteligente que constitui a alma de natureza especial de que são dotados?
R: Do elemento inteligente universal. (O Livro dos Espíritos - Perg. 606)
Comentários: O Elemento inteligente Universal, como o próprio nome já diz, e' único e, portanto, o princípio inteligente, seja de um mineral, vegetal ou animal, não poderia ser originado de outra fonte.
42. Então, emana de um único princípio a inteligência do homem e a dos animais?
R: Sem dúvida alguma, porém, no homem, passou por uma elaboração que a coloca acima da que existe no animal. (O Livro dos Espíritos - Perg. 606a)
Comentários: Evidentemente as almas dos animais e dos seres humanos têm a mesma origem. Por isso se diz que os animais são nossos irmãos.
No entanto, como já foi dito, a alma dos humanos é mais antiga e, portanto, mais experiente. Nisso reside a diferença entre a nossa e a alma dos animais. Termos almas diferentes não decorre que tenhamos almas de diferentes origens ou que sejamos espíritos criados à parte. Isso não é real.
43. Dissestes (190) que o estado da alma do homem, na sua origem, corresponde ao estado da infância na vida corporal, que sua inteligência apenas desabrocha e se ensaia para a vida.
Onde passa o Espírito essa primeira fase do seu desenvolvimento. Numa série de existências que precedem o período a que chamais Humanidade. (O Livro dos Espíritos - Perg. 607)
Comentários: Este enunciado é muito importante para mostrar que definitivamente não somos criações à parte da natureza e que somos os mesmos espíritos que animaram corpos de animais em existências anteriores quando estagiávamos naquela fase.
Estagiamos em fases muíto primitivas desde que fomos colocados no mundo físico como princípios inteligentes revestidos de matéria da menor partícula imaginável (átomo), para depois estagiarmos em fases posteriores (fases anteriores à animalidade e na própria), aprender com estas e adquirir experiência de vida para angariar condições de entrar em uma fase mais adiantada ou humanidade.
44. Parece que, assim, se pode considerar a alma como tendo sido o princípio inteligente dos seres inferiores da criação, não? Já não dissemos que tudo na Natureza se encadeia e tende para a unidade? Nesses seres, cuja totalidade estais longe de conhecer, é que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida, conforme acabamos de dizer. É, de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. (O Livro dos Espíritos - Perg. 607a)
Comentários: Aqui encontramos três assuntos importantes. O primeiro diz respeito ao fato de a alma do ser humano ser uma evolução da alma de seres inferiores da criação, isto é, nós já estagiamos nas fases anteriores da criação como espíritos mais primitivos.
A segunda diz respeito individualização do espírito.
Este tópico provoca confusão para muitas pessoas que não entendem que os espíritos dos animais são já indivíduos desde o momento em que foram criados, ou que fomos criados, no átomo. A individualidade sempre existiu desde o princípio, mas a distinção entre eles em relação aos comportamemos somente acontece no desabrochar de certo teor de consciência destes espíritos primitivos.
O terceiro item importante refere-se ao conceito de Espírito, que alguns acreditam que seja somente para designar a alma humana, o que não é uma realidade.
Vamos discutir o primeiro tópico.
Dissemos por mais de uma oportunidade que o nosso espírito atingiu este estágio atual de humanidade depois de passar pelas "fieiras da animalidade".
O espírito foi criado simples e ignorante e evolui do átomo ao arcanjo, passando por todas as fases evolutivas pelos mais diversos reinos da natureza, nos quais adquire experiência para progredir cada vez mais e atingir a fase de humanidade.
Esta fase de humanidade não é o último estágio de nossa evolução, mas simplesmente uma etapa intermediária que prosseguirá ao infinito, isto é, a Deus, ou à Unidade.
Quando o Espírito de Verdade diz que os animais são seres que ainda estamos longe de conhecer na totalidade, significa que ainda não conhecemos o verdadeiro papel deles na nossa evolução, mesmo tendo passados mais de 150 anos. Mas estamos a caminho de conhecê-los.
O segundo tópico, que fala de individualização, não diz respeito à alma de um animal como sendo a tal alma-grupo, da teosofia, pois, como dissemos, a alma dos animais já é individualizada desde que foi criado como princípio inteligente.
A alma de um animal não se tornará um indivíduo a partir de certo estágio durante tal fase, mas ocorre uma maior distinção entre os indivíduos em que alguns passam a agir não mais de forma repetitiva e instintiva, ou seja, não mais por ação mais por uma ação mais física do que por ação de seu espírito.
Quando alguns indivíduos animais agem de modos distintos uns dos outros por vontade própria eles se distinguem. Seria como se em um grupo de crianças pequenas, que nem sabem andar, uma delas começa a caminhar entre as outras. Esta que aprendeu a andar se destaca das demais, mas ela já era um indivíduo. O que aconteceu foi que ela se destacou das demais por causa de um comportamento mais elaborado que o das outras crianças.
O terceiro tópico ou a definição de Espírito. Neste item algumas pessoas se confundem, crendo que somente os seres humanos possuem espírito e que o que os animais possuem não é, ainda, espírito, mas logo como um "pré-espírito" .
Alguns dizem que os animais não têm alma, mas somente o princípio inteligente (lembre-se que princípio inteligente é sinônimo de espírito). Outros dizem que somente porque os seres humanos possuem alma individualizada, os animais possuem uma alma-coletiva ou alma-grupo (lembre-se de que alma-grupo não é um conceito aceito pelo Espiritismo).
Na verdade, os animais são dotados, como dissemos várias vezes, de almas, pois elas são os espíritos que se tornarão espíritos de seres humanos futuramente (como se lê no início deste enunciado). Com certeza já estivemos nas fases animais, como pode ser lido no próximo enunciado: Acreditar que Deus haja feito, seja o que foi; sem um fim) e criado seres inteligentes sem futuro) fora blasfemar da Sua bondade, que se estende por sobre todas as suas criaturas. (O Livro dos Espíritos)
45. Entra então no período da humanização, começando a ter consciência do seu futuro, capacidade de distinguir o bem do mal e a responsabilidade dos seus atos.
Assim, à fase da infância se segue a da adolescência, vindo depois a da juventude e da madureza. Nessa origem, coisa alguma há de humilhante para o homem. Sentir-se-ão humilhados os grandes gênios por terem sido fetos informes nas entranhas que os geraram?
Se alguma coisa há que lhe seja humilhante, é a sua inferioridade perante Deus e sua impotência para lhe sondar a profundeza dos desígnios e para apreciar a sabedoria das leis que regem a harmonia do Universo.
Reconhecei a grandeza de Deus nessa admirável harmonia, mediante a qual tudo é solidário na Natureza. Acreditar que Deus haja feito, seja o que for, sem um fim, e criado seres inteligentes sem futuro, fora blasfemar da Sua bondade, que se estende por sobre todas as suas criaturas. (O Livro dos Espíritos - Perg. 607a)
Comentários: Quando o espírito entra na fase de humanização, ele continua a amadurecer e a evoluir para atingir a angelitude, já que evoluímos do átomo ao arcanjo.
Algumas pessoas orgulhosas não aceitam o fato de termos vivido como espíritos encarnados naquelas outras fases primitivas de evolução pré-humanitária, mas em vez de se sentirem humilhadas por terem já feito parte da animalidade, deveriam festejar por ter saído dela com bom aproveitamento, pois passaram para a fase posterior.
46. Esse período de humanização principia na Terra? R: A Terra não é o ponto de partida da primeira encarnação humana. O período da humanização começa, geralmente, em mundos ainda inferiores à Terra. Isto, entretanto, não constitui regra absoluta, pois pode suceder que um espírito, desde o seu início humano, esteja apto a viver na Terra. Não é freqüente o caso; constitui antes uma exceção. (O Livro dos Espíritos - Perg. 607b)
Comentários: Jesus disse que há muitas moradas na casa de meu Pai. Nisso Ele quis dizer que há muitos mundos onde o Espírito tem oportunidade de estagiar e aprender e não somente no mundo que conhecemos. O espírito que é criado simples e ignorante faz os diversos estágios em variados mundos. A Terra é apenas um destes mundos, que existem no Universo Infinito.
47. O Espírito do homem tem, após a morte, consciência de suas existências ao período de humanidade?
R: Não, pois não é desse período que começa a sua vida de Espírito. Difícil é mesmo que se lembre de suas primeiras existências humanas, como difícil é que o homem se lembre dos primeiros tempos de sua infância e ainda menos do tempo que passou no seio materno. Essa a razão por que os Espíritos dizem que não sabem como começaram. (O Livro dos Espíritos - Perg. 608)
Comentários: O esquecimento do que já fomos ou do que já fizemos em reencarnações anteriores é uma regra para o Espírito, que deve ter suas atenções voltadas para a atualidade na qual o aprendizado acontece.
De que valeria saber sobre as vidas anteriores e nos lembrarmos de nossas vidas primitivas em meio aos selvagens:
Nenhuma para o aprendizado atual nesta vida presente.
Mas isso não significa que tudo que aprendemos anteriormente tenha se perdido, pois o aprendizado anterior, seja na fase animal primitivo, seja na fase animal adiantado, como seres humanos, o aprendizado anterior permanece e se manifesta na forma de consciência.
48. Uma vez no período da humanidade, conserva o Espírito traços do que era precedentemente, quer dizer: do estado em que se achava no período a que se poderia chamar ante-humano?
R: Conforme a distância que medeie entre os dois períodos e o progresso realizado. Durante algumas gerações, pode ele conservar vestígios mais ou menos pronunciados do estado primitivo, porquanto nada se opera na natureza por brusca transição. Há sempre anéis que ligam as extremidades da cadeia dos seres e dos acontecimentos. Aqueles vestígios, porém, se apagam com o desenvolvimento do livre-arbítrio. Os primeiros progressos só muito lentamente se efetuam, porque ainda não têm a secundá-los à vontade. Vão em progressão mais rápida, à medida que o Espírito adquire perfeita consciência de si mesmo. (O Livro dos Espíritos - Perg. 609)
Comentários: Enquanto não nos depurarmos por completo levaremos conosco os traços de animalidade que permeia as nossas vidas encarnadas. Enquanto não nos tornarmos mais seres livres da influência física de nossos corpos, agiremos, mesmo que esporadicamente, como animais, pois ainda somos animais. A medida que a consciência toma lugar dos instintos e os dominamos por meio do uso mais elaborado do livre-arbítrio, aqueles traços primitivos desaparecerão para sempre.
49. Considerando-se todos os pontos de contacto que existem entre o homem e os animais, não seria lícito pensar que o homem possui duas almas: a alma animal e a alma espírita e que, se esta última não existisse, só como o bruto poderia ele viver? Por outra: que o animal é um ser semelhante ao homem, tendo de menos a alma espírita? Dessa maneira de ver resultaria serem os bons e os maus instintos do homem efeitos da predominância de uma ou outra dessas almas?
R: Não, o homem não tem duas almas. O corpo, porém, tem seus instintos, resultantes da sensação peculiar aos órgãos. Dupla, no homem, só é a Natureza. Há nele a natureza animal e a natureza espiritual. Participa, pelo seu corpo, da natureza dos animais e de seus instintos. Por sua alma, participa da dos Espíritos. (O Livro dos Espíritos - Perg. 605)
Comentários: O Espírito para se manifestar no mundo físico necessariamente precisa de um corpo físico, que permita agir neste meio em que não poderia se relacionar sem este instrumento de sua evolução, que é o corpo físico. No entanto, este corpo, como diz o Espírito de Verdade, além de ser um instrumento de manifestação do nosso espírito, é um ser, que tenta influenciar o nosso Espírito a satisfazer as suas necessidades físicas instintivas. Na verdade, a nossa luta diária contra o "bem e o mal" pode ser resumida como a nossa luta contra as tendências do corpo, que é um ser instintivo e as tendências de nosso espírito, que é um ser moral.
Portanto não temos uma alma animal e uma alma espiritual, mas temos um corpo que tenta se sobrepor à nossa vontade moral e à nossa alma que luta contra as tendências do corpo físico.
50. De modo que, além de suas próprias imperfeições de que cumpre ao Espírito despojar-se, tem ainda o homem que lutar contra a influência da matéria?
R: Quanto mais inferior é o Espírito, tanto mais apertados são os laços que o ligam à matéria. Não o vedes? O homem não tem duas almas; a alma é sempre única em cada ser. (O Livro dos Espíritos - Perg. 605a)
Comentáríos: Temos que a alma ou Espírito é indivisível e que é única. Não existem duas almas ou dois espíritos idênticos. Cada um é uma individualidade e tenta se superar para evoluir ao longo de seu próprio trabalho de evolução, sempre tentando expor o seu potencial divino. Além do esforço próprio para se depurar, o Espírito também procura limitar a ação do corpo sobre sua própria vontade moral.
À medida que o Espírito consegue controlar o corpo e se eleva moralmente, isto é, a medida em que a sua vontade moral se sobrepõe à vontade instintiva do corpo, este espírito se torna apto a receber um corpo melhor e mais adequado a expor o potencial que possui, nesta condição, passando a fazer parte do ciclo de humanidade.
Assim ao entrar na fase humana a luta continua pois ainda habitamos um corpo animal (somos mamíferos primatas) e continuaremos por bastante tempo, ainda, para superar os instintos e afrouxar os laços entre o corpo e o Espírito a fim de nos tornar cada vez mais elevados moral e espiritualmente.
51. 605 a) São distintas uma da outra a alma do animal e a do homem, a tal ponto que a de um não pode animar o corpo criado para o outro. Mas, conquanto não tenha alma animal, que, por suas paixões, o nivele aos animais, o homem tem o corpo que, às vezes, o rebaixa até o nível deles, por isso que o corpo é um ser dotado de vitalidade e de instintos, porém ininteligentes estes e restritos ao cuidado que a sua conservação requer.
Comentários: A alma animal é ainda primitiva e tenta aprender como se separar das influências instintivas do corpo físico. O ser humano, isto é, a alma humana sabe por que meios ele pode evitar as influências instintivas da matéria e quando não o faz, não faz por ignorância mas por vontade de ceder a eles, os instintos. Daí vem à expiação por seus erros, pois quando consentimos que o corpo exponha mais livremente os instintos nos igualamos aos animais. Os animais, por outro lado, ainda não tem toda noção de como controlar a vontade do corpo sobre o Espírito, não expiam erros.
Assim a alma dos animais se distingue da dos humanos neste sentido, isto é, um tem mais experiência de vida e maior controle de seu corpo e outro ainda é inexperiente e precisa aprender a controlar os instintos. No entanto, as duas almas são de mesma origem, diferenciando-se apenas no tempo de aprendizado.
52. Após a morte, conserva a alma dos animais a sua individualidade e a consciência de si mesma? Conserva sua individualidade; quanto à consciência do seu eu, não. A vida inteligente lhe permanece em estado latente. (O Livro dos Espíritos - Perg. 598)
Comentários: Muitas pessoas trazem consigo aquele conceito, que não é Espírita, sobre alma-grupo, que tira dos animais a possibilidade de serem seres espirituais individualizados. Segundo este conceito, vindo da Teosofia, os espíritos dos animais não são indivíduos, mas a manifestação de uma alma maior e depois que um animal morre, seu espírito, que não é seu em particular, volta a se unir ao Grande-Todo e perde a individualidade, apenas aparente de quando era encarnado ou vivo. No entanto, o Espírito da Verdade explica que o espírito do animal, uma vez liberto da matéria, isto é, do corpo físico, volta ao mundo espiritual, sem perder a individualidade que possuía quando estava encarnado. O Espírito do animal mantém sua individualidade, mas, generalizando, o Espírito da Verdade afirma que eles perdem a consciência e permanecem em estado de suspensão ou latência, enquanto aguardam a volta para o mundo físico.
53. À alma dos animais é dado escolher a espécie de animal em que encarne?
R: Não, pois que lhe falta livre-arbítrio. (O Livro dos Espíritos - Perg. 599)
Comentários: Por causa deste enunciado algumas pessoas entenderam mal e passaram a acreditar que os animais, isto é, os espíritos de animais não têm livre-arbítrio de modo algum. É um equívoco, pois está claro, no enunciado, que o Espírito da Verdade se refere a apenas um aspecto da espiritualidade dos animais e não a sua vida geral. Uma vez estando no mundo espiritual (repare que este enunciado confirma que os animais vão ao munde espiritual, isto é, permanecem na erraticidade), os animais seguem sua evolução por uma determinação da espiritualidade superior para continuar a reencarnar, mas isso não tira deles toda a sua liberdade de agir e de pensar. Em outras edições do O Livro dos Espíritos encontramos: "Não, pois que lhe falta O livre-arbítrio". Pode parecer um erro , de tradução sem maiores conseqüências, mas um simples erro como este pode condenar os animais ao esquecimento por mais tempo, pois nós nos ligamos muito a forma mais do que com o conteúdo das informações.
54. Sobrevivendo ao corpo em que habitou, a alma do animal vem a achar-se, depois da morte, num estado de erraticidade, como a do homem? Fica numa espécie de erraticidade, pois que não mais se acha unida ao corpo, mas não é um Espírito errante. O Espírito errante é um ser que pensa e obra por sua livre vontade. De idêntica faculdade não dispõe o dos animais. A consciência de si mesmo é o que constitui o principal atributo do Espírito. O do animal, depois da morte, é classificado pelos Espíritos a quem incumbe essa tarefa e utilizado quase imediatamente. Não lhe é dado tempo de entrar em relação com outras criaturas. (O Livro dos Espíritos - Perg. 600)
Comentários: Kardec quis saber se os espíritos dos animais, depois que desencarnam, permanecerão na espiritualidade como acontece com os espíritos humanos. Como resposta, o Espírito da Verdade informa que sim, que os animais permanecem na erraticidade, ou seja, no mundo espiritual, mas eles não têm liberdade de vagarem pelo mundo espiritual. Por isso que ele diz que não permanecem na erraticidade como seres errantes. Não ser errante (errante é sinônimo de nômade) não significa que não fiquem na erraticidade, pois o simples fato de não estarem mais ligados a um corpo físico já os torna espíritos livres ou espíritos desencarnados, portanto obrigatoriamente pertencentes ao mundo espiritual.
Os espíritos de animais são espíritos jovens e por isso dependentes do tutorado de seres superiores a eles, como nós, por exemplo, que decidem por eles.
Os animais que estão em estágio evolutivo atrasado em relação a nós precisam evoluir rapidamente e não têm tempo a perder com relações improdutivas na dimensão espiritual. O interessante para eles é a reencarnação, que lhes fornecerá os aprendizados mais importantes que necessitam.
Os tutores humanos, incumbidos de orientar a evolução destes seres espirituais, os classificam por categorias de acordo com o nível de evolução. São enviados para reencarnação quando receberão novos corpos para a continuidade de seus aprendizados.
55. Será esse princípio uma alma semelhante à do homem? É também uma alma, se quiserdes, dependendo isto do sentido que se der a esta palavra. É, porém, inferior à do homem. Há entre a alma de animais e a do homem distância equivalente à que medeia entre a alma do homem e Deus. (O Livro dos Espíritos - Cap. XI - Perg. 597a)
Comentários: Uma vez confirmada a informação de que os animais possuem alma, Kardec insistiu no assunto querendo saber se há neste princípio espiritual, ou alma, alguma semelhança com a dos seres humanos. O Espírito da Verdade responde afirmativamente ao dizer que eles possuem uma alma, se quisermos dar este nome, mas que elas não é idêntica ao do ser humano, pois este possui uma alma mais elaborada, ou mais experiente.
Os princípios espirituais são criados e colocados no mundo físico continuamente, pois Deus não cessa nunca de criar. Os espíritos que ocupam corpos humanos, hoje, foram criados antes daqueles que, hoje, são os espíritos que ocupam corpos animais.
Por isso que os espíritos de humanos são diferentes, por simples questão de tempo e experiência.
No entanto, a comparação feita sobre o Homem ser como Deus é meramente figurativa, pois a distância entre nós e Deus é infinita e a distância entre nós e os animais é finita (lembre-se de que somos animais ainda, que se diferenciam dos demais por ter conhecimento mais aprofundado das coisas morais).
Em outro tópico, o Espírito da Verdade explica que, quando se refere ao Homem ser deus, é no sentido de sermos superiores aos animais como os espíritos superiores são para nós.
56. Os homens se mostram sempre propensos a tudo exagerar, uns não falo aqui dos materialistas, negam alma aos animais, outros de boa mente lhes atribuem uma, igual, por assim dizer, à nossa. (O Livro dos Médiuns - Mediunidade dos animais - Cap. XXII - Perg. 236)
Comentários: Os materialistas sequer admitem a existência de alma tanto para os humanos quanto aos animais. Os espiritualístas admitem a existência da alma, mas alguns não admitem que animais a tenham, enquanto outros admitem uma alma, aos animais, idêntica à dos seres humanos. Alguns dos espiritualistas aceitam a idéia de que os animais possuam a "alma-grupo", que não lhes permite a evolução, pois, ao desencarnarem, eles voltam ao mundo espiritual para se unir ao "Grande Todo" e se diluem nesta massa de espíritos e desaparecem como individualidade. Esta não é a tese espírita que diz que a alma dos animais possui uma individualidade que permanece depois da morte do corpo físico e ainda admite a reencarnação destas que deverão continuar à evolução iniciada no momento em que foi criado, simples e ignorante, como ser espiritual. No entanto, a alma dos animais se encontra em uma fase de evolução anterior à fase de humanidade, portanto ainda não alcançaram o aprendizado suficiente que as habilite a entrar nesta fase mais adiantada.
Quando atingirem esta fase posterior, deixarão de ser almas de animais para se tornar almas de seres humanos portanto a alma de um animal não pode ser igual à de um ser humano, porque quando se tornar igual, ela passará a ser um ser humano.
57. Por que hão de pretender deste modo confundir o perfectível com o imperfectível? Não, não, convencei-vos de que o fogo que anima os irracionais, o sopro que os faz agir, mover e falar na linguagem que lhes é própria, não tem, quanto ao presente, nenhuma aptidão para se mesclar, unir, fundir com o sopro divino, a alma etérea, o Espírito em uma palavra, que anima o ser essencialmente perfectível: o homem, o rei da criação. Ora, não é essa condição fundamental de perfectibilidade o que constitui a superioridade da espécie humana sobre as outras espécies terrestres? Reconhecei, então, que se pode assimilar ao homem, que só ele é perfectível em si mesmo e nas suas obras, nenhum indivíduo das outras raças que vivem na Terra. (O Livro dos Médiuns - Mediunidade dos animais - Cap. XXII - Perg. 236)
Comentáríos: Aqui o Espírito de Erasto afirma algo que poderia confundir o leitor menos esclarecido, que não tivesse lido as outras obras da Codificação que afirma que todo espírito recebe as mesmas condições de evoluir e atingir a perfeição. Portanto a alma dos animais possui as mesmas condições de se tornar um arcanjo futuramente, depois de ter passado pela fase humana. O Espírito tentava informar à impossibilidade de o espírito animal se tornar perfeito sem ter passado pela fase humana. Isso é um fato, pois a natureza não dá saltos, isto é, não salta uma fase para atingir outra posterior sem ter aprendido tudo o que for preciso em fases anteriores.
Por não ser um espírito humano, a alma animal não possui todos os requisitos necessários para se sintonizar perfeitamente a alma do espírito desencarnado e receber dele todas as influências que receberia um médium humano.
O Espírito de Erasto age, em suas palavras, de acordo com o entendimento dos seres humanos daquela época, que eram orgulhosos e tentavam iniciar o seu aprendizado sobre as coisas da espiritualidade que o Espiritismo trazia como novidade. Por isso refere-se aos humanos como "reis da criação" .. Mas, na verdade, não somos reis, pois a evolução não termina aqui, nesta fase. Há ainda muito que caminhar adiante para alcançarmos a perfeição.
Por isso vemos no Livro dos Espíritos: 801. Por que não ensinaram os Espíritos, em todos os tempos, o que ensinam hoje? Não ensinais às crianças o que ensinais aos adultos e não dais ao recém-nascido um alimento que ele não possa digerir. Cada coisa tem seu tempo. Eles ensinaram muitas coisas que os homens não compreenderam ou adulteraram, mas que podem compreender agora. Com seus ensinos, embora incompletos, prepararam o terreno para receber a semente que vai frutificar.
58. O cão que, pela sua inteligência superior entre os animais, tornou-se o amigo e o comensal do homem, será perfectível por si mesmo, por sua iniciativa pessoal? Ninguém ousaria afirmá-lo, porquanto o cão não faz progredir o cão. O que, dentre eles, se mostra mais bem educado, sempre o foi pelo seu dono. Desde que o mundo é mundo, a lontra sempre construiu sua choça em cima d'água, seguindo as mesmas proporções e uma regra invariável; os rouxinóis e as andorinhas jamais construíram os respectivos ninhos senão do mesmo modo que seus pais o fizeram. Um ninho de pardais de antes do dilúvio, como um ninho de pardais dos tempos modernos, é sempre um ninho de pardais, edificado nas mesmas condições e com o mesmo sistema de entrelaçamento das palhinhas e dos fragmentos apanhados na primavera, na época dos amores. As abelhas e formigas, que formam pequeninas repúblicas bem administradas, jamais mudaram seus hábitos de abastecimento, sua maneira de proceder, seus costumes, suas produções, aranha, finalmente, tece a sua teia sempre do mesmo modo. (O Livro dos Médiuns - Mediunidade dos animais - Cap. XXII - Perg. 236)
Comentários: O Espírito de Erasto, obviamente, estava generalizando o comportamento dos animais, pois, em particular, encontramos comportamentos que mostram iniciativas próprias que são ensinadas aos outros animais. Isso acontece, por exemplo, com os macacos-prego, que possuem cultura, isto é, eles ensinam o que aprenderam de novo aos seus descendentes. Talvez isso não se configure como um enorme salto evolutivo, mas de acordo com os conhecimentos daquela época, ele não poderia entrar em detalhes como este e preferiu admitir que os humanos são os únicos seres que possuem iniciativa.
Se pensarmos em termos evolutivos, os espíritos encarnados na fase animal evoluem mais quando se encontram em contato com os seres humanos, que agem como seus professores de evolução espiritual. O mesmo não acontece conosco em relação aos espíritos superiores. Nossa evolução estagnaria se não recebêssemos instruções específicas da espiritualidade. Se não recebêssemos influências positivas da espiritualidade superior, talvez ainda vivêssemos como os homens das cavernas. Por isso encontramos no Livro dos Espíritos: Nem todos progridem simultaneamente e do mesmo modo. Dá-se então que os mais adiantados auxiliam o progresso dos outros) por meio do contato social. Portanto os Homens evoluem em função de aprendizado com nossos tutores espirituais, como acontece com os animais que têm em nós seus professores. Para os humanos, a evolução é mais moral enquanto que a evolução dos animais é mais intelectual.
59. Que é a alma?
"Um Espírito encarnado". (O Livro dos Espíritos - Perg. 134)
Comentários: Note que não há referência quanto existir diferenças entre almas de animais ou humanos.
60. Que era a alma antes de se unir ao corpo?
R: Espírito. (O Livro dos Espíritos - Perg. 134a)
Comentários: Sabemos que alma é o espírito que se encontra unido a um corpo físico, isto é, se refere a um espírito encarnado. Mas note mais uma vez que não há referência a ser uma exclusividade da alma humana.
61. As almas e os Espíritos são, portanto, idênticos, a mesma coisa?
R: Sim, as almas não são senão os Espíritos. Antes de se unir ao corpo, a alma é um dos seres inteligentes que povoam o mundo invisível, os quais temporariamente revestem um invólucro carnal para se purificarem e esclarecerem. (O Livro dos Espíritos - Perg. 134b)
Comentários: Então alma e espíritos são sinônimos, com a diferença de que um está ligado a um corpo físico (alma) e outro é desencarnado, que já se desligou e está, provavelmente, se preparando para retomar a algum outro corpo físico novo (espírito).
Enquanto o espírito estiver atado a corpo físico, que o abrigará por uma existência encarnada, o espírito se chama alma.
Não importa se estamos nos referindo a um espírito animal ou de um ser humano. Devemos lembrar que todos os seres orgânicos têm alma e, portanto, todos os seres orgânicos são espíritos encarnados, sejam eles animais, vegetais ou humanos.
62. Há no homem alguma outra coisa além da alma e do corpo?
Há o laço que liga a alma ao corpo. (O Livro dos Espíritos - Perg. 135)
Comentário: Aqui neste caso há uma referência quanto ser alma de um ser humano. Mas isso não impede animais de terem almas, pois encontramos a seguir que os animais possuem "alma animal" e "alma intelectual". Não que possuam duas almas, mas a alma intelectual é uma evolução da alma animal.
Não há referências na Codificação quanto à alma dos animais possuírem tais liames citados, mas se possuem alma, esta ligação está implicitamente admitida também aos outros seres VIVOS.
63. De que natureza é esse laço?
R: Semimaterial, isto é, de natureza intermédia entre o Espírito e o corpo. É preciso que seja assim para que os dois se possam comunicar um com o outro. Por meio desse laço é que o Espírito atua sobre a matéria e reciprocamente. O homem é, portanto, formado de três partes essenciais:
1º - o corpo ou ser material) análogo ao dos animais e animado pelo mesmo princípio vital. (O Livro dos Espíritos - Da Encarnação dos Espíritos - Pg. 135a)
Comentários: Aqui encontramos que o Homem é semelhante aos animais no que se refere à sua ligação com o corpo que é animado pelo mesmo princípio vital.
64. Sistema da alma coletiva. Constitui uma variante do precedente. Segundo este sistema, apenas a alma do médium se manifesta, porém, identificada com a de muitos outros vivos, presentes ou ausentes, e formando um todo coletivo, em que se acham reunidas as aptidões, a inteligência e os conhecimentos de cada um. Conquanto se intitule A Luz, a brochura onde esta teoria vem exposta, muito obscuro se nos afigura o seu estilo. Confessamos não ter logrado compreendê-la e dela falamos unicamente de memória. E, em suma, como tantas outras, uma opinião individual, que conta poucos prosélitos.
Pelo nome de Emah Tirpsé, o autor designa o ser coletivo criado pela sua imaginação. Por epígrafe, tomou a seguinte sentença: Nada há oculto que não deva ser conhecido.
Esta
proposição é evidentemente falsa, porquanto uma imensidade
há de coisas que o homem não pode e não tem que saber.
Bem presunçoso seria aquele que pretendesse devassar todos os segredos
de Deus. (O Livro dos Médiuns - Cap. IV - Dos Sistemas - Perg. 44)
Comentáríos: Muito se comenta que os animais talvez sejam seres
sem individualidade e que são parte de um ser não individualizado)
chamado "alma - Grupo" ou "alma coletiva", em que um animal,
na verdade, é como a extensão de uma alma em que todos os animais
semelhantes a ele tomam parte.
Assim, por esta tese, um cão, aquele que você tem em casa, por exemplo, não seria um espírito único e individualizado, que estaria se manifestando neste mundo físico naquele corpo.
Ele seria um reflexo de uma outra alma que se espalha pelo mundo e o seu cão, que te faz companhia e que é o seu amigo, não passaria de um reflexo daquela alma, isto é, o seu cão não teria alma e não seria um ser individual, mas apenas uma representação da alma canina, que nele está neste mundo, mas ocupando o "Todo Universal", o Espiritismo, na verdade) nunca aceitou tais hipóteses, mas pelo contrário, diz que todos os espíritos são criados simples e ignorantes e evoluem, isto é, como indivíduos.
Assim como não existe uma alma coletiva para humanos, que são espíritos encarnados em corpos animais, não há também para outras categorias de animais.
Se as almas se confundissem num amálgama (alma coletiva) só teriam as qualidades do conjunto, nada as distinguiria uma das outras. Careceriam de inteligência (O Livro dos Espíritos - Da volta a vida espiritual)
65. Há outra palavra acerca da qual importa igualmente que todos se entendam, por constituir um dos fechos de abóbada de toda doutrina moral e ser objeto de inúmeras controvérsias, à míngua de uma acepção bem determinada. É a palavra alma. A divergência de opiniões sobre a natureza da alma provém da aplicação particular que cada um dá a esse termo. Uma língua perfeita, em que cada idéia fosse expressa por um termo próprio, evitaria muitas discussões. Segundo uns, a alma é o princípio da vida material orgânica. Não tem existência própria e se aniquila com a vida: é o materialismo puro.
Neste sentido e por comparação, diz-se de um instrumento rachado, que nenhum som mais emite: não tem alma. De conformidade com essa opinião, a alma seria efeito e não causa. Segundo outros, finalmente, a alma é um ser moral, distinto, independente da matéria e que conserva sua individualidade após a morte.
Esta acepção é, sem contradita, a mais geral, porque, debaixo de um nome ou de outro, a idéia desse ser que sobrevive ao corpo se encontra, no estado de crença instintiva, não derivada de ensino, entre todos os povos, qualquer que seja o grau de civilização de cada um.
Essa doutrina, segundo a qual a alma é causa e não efeito, é a dos espiritualistas. "Julgamos mais lógico tomá-lo na sua acepção vulgar e por isso chamamos ALMA ao ser imaterial e individual que em nós reside e sobrevive ao corpo.
Mesmo quando esse ser não existisse, não passasse de produto da imaginação, ainda assim fora preciso um termo para designá-lo.
Evitar-se-ia igualmente a confusão, embora usando-se do termo alma nos três casos, desde que se lhe acrescentasse um qualificativo especificando o ponto de vista em que se está colocado, ou a aplicação que se faz da palavra. Esta teria, então, um caráter genérico, designando, ao mesmo tempo, o princípio da vida material, o da inteligência e o do senso moral, que se distinguiriam mediante um atributo, como os gases, por exemplo, que se distinguem aditando-se ao termo genérico as palavras hidrogênio, oxigênio ou azoto, Poder-se, assim dizer, e talvez fosse o melhor, a alma vital indicando o princípio da vida material; a alma intelectual o princípio da inteligência, e a alma espírito da nossa individualidade após a morte. Como se vê, tudo isto não passa de uma questão de palavras mas questão muito importante quando se trata de nos fazermos entendidos.
De conformidade com essa maneira de falar, alma vital seria comum a todos os seres orgânicos: plantas, animais e homens; a alma intelectual pertenceria aos animais e aos homens; e alma espírita somente ao homem. (O Livro dos Espíritos - Introdução II)
Comentáríos: Pelo enunciado percebemos que todos os seres orgânicos possuem alma. Por seres orgânicos entendemos todos aqueles compostos por moléculas orgânicas, como proteínas, por exemplo. Portanto, podemos dizer que até mesmo uma bactéria ou um vírus possua alma.
Assim, se os microorganismos, que são seres orgânicos possuem alma, não podemos nos surpreender que os animais como os cães, gatos, cavalos, bovinos e quaisquer animais selvagens ou não possuam também. Algumas pessoas negam categoricamente que estes seres (os animais) possuam alma individual, pois ainda persiste no meio espírita o conceito vindo da teosofia (e não do Espiritismo) de que os animais possuem alma coletiva ou alma-grupo, em que os animais não são indivíduos, mas a manifestação de uma única alma comum a todos os animais. Obviamente isso não é o que acontece, de acordo com a visão espírita, que percebe nos animais espíritos individualizados desde o momento em que foi criado, como principio inteligente. Por isso é que se diz que o espírito evolui do átomo ao arcanjo.
66. Poder-se, assim dizer, e talvez fosse o melhor, a alma vital indicando o princípio da vida material; a alma intelectual o princípio da inteligência, e a alma espírita o da nossa individualidade após a morte. Como se vê, tudo isto não passa de uma questão de palavras, mas questão muito importante quando se trata de nos fazermos entendidos.
De conformidade com essa maneira de falar, a alma vital seria comum a todos os seres orgânicos: plantas, animais e homens; a Alma intelectual pertenceria aos animais e aos homens; e a alma espírita somente ao homem.
Julgamos dever insistir nestas explicações pela razão de que a doutrina espírita repousa naturalmente sobre a existência, em nós, de um ser independente da matéria e que sobrevive ao corpo.
A palavra alma, tendo que aparecer com freqüência no curso desta obra, cumpria fixássemos bem o sentido que lhe atribuímos, a fim de evitarmos qualquer engano. (O Livro dos Espíritos - Introdução)
Comentários: O espírito é o mesmo desde que foi criado. Não há distinção entre a alma de um vegetal de um animal ou de um ser humano, pois todos os Espíritos possuem a mesma origem. Por falta de uma definição melhor, o Espírito da Verdade separa por uma contingência de nossa ignorância, a alma em três categorias: alma animal, alma intelectual e alma espírita. Esta definição é apenas didática e sem um valor maior do que um melhor entendimento de que o espírito à medida que evolui. O espírito quando evolui, inicialmente, torna-se menos influenciável pelos instintos do corpo físico e se torna mais intelectulizado pelo Espírito, para posteriormente se tornar mais espiritualizado ao chegar a ponto de maior contato com o entendimento das coisas do espírito, na fase humana.
Marcel Benedeti