A ORIGEM DA ALMA ANIMAL

DISCUSSÃO:

95. Segundo uns, o Espírito não chega ao período humano senão depois de se haver elaborado e individualizado nos diversos graus dos seres inferiores da Criação. Segundo outros, o Espírito do homem teria pertencido sempre à raça humana, sem passar pela fieira animal. O primeiro desses sistemas apresenta a vantagem de assinar um alvo ao futuro dos animais que formariam então os primeiros elos da cadeia dos seres pensantes. (O Livro dos Espíritos - Cap. XI - Perg. 613)

Comentáríos: O Espírito da Verdade tenta explicar que - para os espíritos que poderiam se comunicar e deixar informações sobre o espírito dos homens e dos animais existem opiniões divididas e conceitos diversos, entre eles mesmos, por desconhecerem todos os aspectos relativos ao assunto. Ainda de acordo com o Espírito da verdade, alguns poderiam dizer que os seres humanos não são realmente uma criação à parte da natureza e que efetivamente passaram por elaborações anteriores em reinos inferiores da criação.

Crer que os animais evoluem e se tornarão posteriormente espíritos superiores que atingirão o período de humanidade está mais de acordo com a bondade divina que dá aos espíritos animais uma compensação aos seus sofrimentos. Seriam, então, os primeiros elos da cadeia dos seres pensantes. No entanto, há outras opiniões que são mais de acordo com o orgulho humano. Por isso ele, o Espírito da Verdade, continua explicando que há outros espíritos, menos informados, que crêem que os espíritos humanos são criados já como espíritos humanos sem ter passado por fases evolutivas anteriores na animalidade.

96. O segundo é mais conforme a dignidade do homem e pode resumir-se da maneira seguinte:

As diferentes espécies de animais não procedem intelectualmente umas das outras, mediante progressão. Assim, o espírito da ostra não se torna sucessivamente o do peixe, do pássaro, do quadrúpede e do quadrúmano.

Cada espécie constitui, física e moralmente, um tipo absoluto, cada um de cujos indivíduos haure na fonte universal a quantidade do princípio inteligente que lhe seja necessário, de acordo com a perfeição de seus órgãos e com o trabalho que tenha de executar nos fenômenos da Natureza, quantidade que ele, por sua morte, restitui ao reservatório donde a tirou. Os dos mundos mais adiantados que o nosso (ver nº 188 constituem igualmente raças distintas, apropriada, às necessidades desses mundos e ao grau de adiantamento dos homens, cujos auxiliares eles são, mas de modo nenhum procedem das da Terra, espiritualmente falando. (O Livro dos Espíritos - Cap. XI - Perg. 613)

Comentários: Segundo a opinião de alguns Espíritos equivocados, os animais não evoluem e não passam para estágios posteriores. A inteligência ou o espírito do animal seria estacionária, assim como a do homem, pois são criados assim e assim permanecerão eternamente, sem evolução alguma. É a idéia teosofista que permeia até mesmo entre alguns espíritos, que desconhecem os mecanismos evolutivos. Segundo estes, os seres de um mundo físico não poderiam reencarnar em outros mundos para continuarem sua evolução. Cada mundo teria sua população fixa sem que haja qualquer possibilidade de um espírito da Terra, por exemplo, de reencarnar noutro mundo mais evoluído. Assim não haveria mesmo a possibilidade de conseguir evoluir com novas experiências em outros mundos. Definitivamente nem os animais, nem os homens e nem o mundo evoluiria.

97. Outro tanto não se dá com o homem. Do ponto de vista físico, este forma evidentemente um elo da cadeia dos seres vivos: porém, do ponto de vista moral, há, entre o animal e o homem, solução de continuidade. O homem possui, como propriedade sua, a alma ou Espírito, centelha divina que lhe confere o senso moral e um alcance intelectual de que carecem os animais e que é nele o ser principal, que preexiste e sobrevive ao corpo, conservando sua individualidade. (O Livro dos Espíritos - Cap. XI - Perg. 613)

Comentários: O Espírito da Verdade então dá o seu parecer e diz que: Com o Homem isso não acontece, pois fisicamente os seus (nossos) corpos se assemelham aos dos animais, mas por termos uma noção maior do que seja a moral e a espiritualidade, somos diferenciados dos demais animais, que não compreendem o que seja isso. Somos espíritos com maior capacidade intelectual e moral, que os animais, pois somos capazes de entender que somos seres espirituais que sobrevivem ao corpo físico.

98. Qual a origem do Espírito? Onde o seu ponto inicial? Forma-se do princípio inteligente individualizado ? Tudo isso são mistérios que fora inútil querer devassar e sobre os quais, como dissemos, nada mais se pode fazer do que construir sistemas. O que é constante, o que ressalta do raciocínio e da experiência é a sobrevivência do Espírito, a conservação de sua individualidade após a morte, a progressividade de suas faculdades, seu estado feliz ou desgraçado de acordo com o seu adiantamento na senda do bem e todas as verdades morais decorrentes deste princípio. Quanto às relações misteriosas que existem entre o homem e os animais, isso, repetimos, está nos segredos de Deus, como muitas outras coisas, cujo conhecimennto atual nada importa ao nosso progresso e sobre as quais seria inútil determo-nos. (O Livro dos Espíritos - Cap. XI - Perg. 613)

Comentários: Mesmo o Espírito da Verdade não poderia dizer; talvez porque não estávamos preparados para saber os pormenores da origem do Espírito, verdadeiramente e nem sobre as relações que existem entre nós os humanos e os animais nesta cadeia evolutiva. Apenas reafirmou os conceitos mais básicos de que somos seres eternos (imortais), que sobrevivemos ao corpo e que nossas faculdades, evoluem ao longo de nossa existência.

Condui-se, pelas palavras do Espírito da Verdade neste enunciado, que o Espiritismo é uma doutrina em constante construção. Depois de alguns anos da publicação do O Livro dos Espíritos, foi publicada a obra A Gênese, que já trazia mais informações sobre a origem dos corpos e do Espírito.

Quanto a novas informações, esperaremos, pois as informações estão chegando gradativamente. Tudo há seu tempo.

Marcel Benedeti