A ORIGEM DOS ANIMAIS

99. Esse fluido penetra os corpos, como um oceano imenso. É nele que reside o princípio vital que dá origem à vida dos seres e a perpetua em cada globo, conforme a condição deste princípio que, em estado latente, se conserva adormecido onde a voz de um ser não o chama. Toda criatura, mineral, vegetal, animal ou qualquer outra porquanto há muitos outros remos naturais, de cuja existência nem sequer suspeitais sabe, em virtude desse princípio vital e universal, apropriar as condições de sua existência e de sua duração. As moléculas do mineral têm uma certa soma dessa vida, do mesmo modo que a semente do embrião, e se grupam, como no organismo, em figuras simétricas que constituem os indivíduos. (A Gênese - A Criação Universal- Perg. 8)

Comentários: Vivemos mergulhados no fluido cósmico universal como peixes em um oceano onde tais fluidos dão origem a outros derivados. Um destes é o fluido vital, que existe na natureza e em todos os mundos físicos de modo latente à espera do momento certo para se manifestar em corpos físicos dando-lhes a vida, para que o espírito possa ser abrigado nele e se manifeste neste mundo físico. Existem infinitos mundos físicos onde os espíritos estagiam.

Os corpos físicos, próprios de cada mundo, possuirão características particulares e próprias para aquele mundo. Assim um corpo físico dos seres de um determinado mundo pode ter características estranhas a nós, pois em nosso mundo predomina o carbono e o nitrogênio, se nestes outros mundos predominarem outros compostos químicos diferentes daqueles encontrados aqui. Entretanto, o princípio vital está presente do mesmo modo neste ou em outros mundos para que a vida floresça e dê oportunidade aos espíritos reencarnarem e evoluírem.

Mesmo o mineral possui em si o princípio vital em estado latente ou manifestando-se discretamente organizando as estruturas simétricas dos seus elementos.

100. Muito importa nos compenetremos da noção de que a matéria cósmica primitiva se achava revestida, não só das leis que asseguram a estabilidade dos mundos como também do universal princípio vital que forma gerações espontâneas em cada mundo, à medida que se apresentam as condições da existência sucessivas dos seres e quando soa a hora do aparecimento dos filhos da vida, durante o período criador. Efetua-se assim a criação universal. É, pois, exato dizer-se que, sendo as operações da Natureza a expressão da vontade divina, Deus há criado sempre, cria incessantemente e nunca deixará de criar. (A Gênese - A Criação Universal - Cap. VI - Perg. 18)

Comentários: Antigamente existia a Teoria da Geração Espontânea em que seres como moscas, por exemplo, poderiam ser criadas a partir de matéria orgânica em decomposição. Esta teoria foi abandonada quando Francesco Redi e Louis Pasteur provaram que não existe a possibilidade de se criar vida deste modo.

No entanto, existe a geração espontânea a partir da vontade divina. Isso acontece porque Deus não pára nunca de criar e introduz nos mundos os germens da vida de acordo com a Sua vontade. Assim, usando o exemplo do nosso mundo primitivo, nos seus primórdios, no momento em que o princípio inteligente se encontrava em condições de se manifestar no mundo físico como ser orgânico, foi necessário introduzir algum corpo físico que abrigasse tal espírito primitivo. Estes primeiros corpos, extremamente simples, surgiram sem que houvesse existido algum antecessor. Isso seria a geração espontânea, que difere daquela tese do início do século XX.

Isso se repete a todo instante pelo Universo, pois a criação divina é incessante. Esta é a oportunidade que Deus dá ao espírito primitivo de iniciar sua evolução em outra fase superior e experimentar a vida orgânica.

101. O orgulho levou o homem a dizer que todos os animais foram criados por sua causa e para satisfação de suas necessidades. Mas, qual o número dos que lhe servem diretamente, dos que lhe foi possível submeter, comparado ao número incalculável daqueles com os quais nunca teve ele, nem nunca terá, quaisquer relações? Como se pode sustentar semelhante tese, em face das inumeráveis espécies que exclusivamente povoaram a Terra por milhares e milhares de séculos, antes que ele aí surgisse, e que afinal desapareceram? Poder-se-á afirmar que elas foram criadas em seu proveito? Entretanto, tinham todas a sua razão de ser, a sua utilidade. Deus. (A Gênese - Cap. VII - Perg. 32)

Comentários: Se considerássemos uma hipótese ilustrativa de que o planeta Terra tivesse sido criado há um ano e considerássemos os séculos como segundos, perceberemos que a Terra necessitou de dez meses para preparar-se para a manifestação da primeira e mais primitiva forma de vida (a primeira geração espontânea neste mundo). Os primeiros vegetais surgiram há um mês e os primeiros animais surgiram há quinze dias. Há três dias os dinossauros desapareceram da face da Terra. Há dois dias surgiram os primeiros símios; ontem surgiram os primeiros seres humanos primitivos; há pouco mais de uma hora surge o primeiro ser humano de andar ereto; Jesus nasceu há quatro segundos e o Espiritismo há menos de meio segundo.

Como podemos perceber os animais e os vegetais chegaram bem antes no planeta. Nós acabamos de chegar a poucos minutos. Como pensar que os animais somente existem para nos servir se eles já estavam aqui muito antes de nós? Como pensar que os animais existem somente por nossa causa se os animais que não tem qualquer utilidade a nós diretamente? Somente há o orgulho para explicar, pois está bastante claro que os animais não existem para nós, mas para alguma causa maior que nós: A evolução do espírito.

102. "( ... ) decerto, não as criou por simples capricho da sua vontade, para dar a si mesmo, em seguida, o prazer de as aniquilar, pois que todas tinham vida, instintos, sensação de dor e de bem-estar. Com que fim ele o fez? Com mil fim que há de ter sido soberanamente sábio, embora ainda o não compreendamos. Certamente, um dia será dado ao homem conhecê-la, para confusão do seu orgulho; mas, enquanto isso não se verifica, como se lhe ampliam as idéias ante os novos horizontes em que lhe é permitido, agora, mergulhar a vista, em presença do imponente espetáculo dessa criação, tão majestosa no seu lento caminhar, tão admirável na sua previdência, tão pontual, tão precisa e tão invariável nos seus resultados!" (A Gênese - Período Terciário - Cap. VII- Perg. 32)

Comentários: Kardec disse que o Espiritismo é uma doutrina inacabada e que existe para trazer ao ser humano uma maior consciência de si mesmo e de sua vida espiritual e futura. Na época em que o Livro dos Espíritos foi lançado, os seres humanos eram mais ignorantes e não tinham as ciências desenvolvidas a ponto de entenderem certos pontos que hoje são facilmente entendíveis. Se naquele momento as pessoas eram ignorantes e não entendiam o papel que desempenhavam no contesto do Universo, hoje tem maior conhecimento das coisas da ciência e do Espírito.

Com as informações que já possuímos em relação a isso, sabemos que os animais não existem, como pregava Renê Decartes, quando eram considerados como simples objetos insensíveis, somente para nos servir. Darwin deixou a teoria da Evolução das Espécies; o Espírito da Verdade nos levou as informações de que os animais são Espíritos em evolução que reencarnam para aprender com as adversidades e que os seres humanos são os Espíritos mais evoluídos responsáveis por sua própria evolução. Sabemos que os animais existem para abrigar os espíritos que necessitam evoluir, pois na natureza tudo se encadeia e tende a unidade.

103. É natural se pergunte por que não mais se formam seres vivos nas mesmas condições em que se formaram os primeiros que surgiram na Terra. Sobre esse ponto, não pode deixar de lançar luz à questão da geração espontânea, que tanto preocupa a Ciência embora ainda esteja diversamente resolvida. O problema é este: Formam-se, nos tempos atuais, seres orgânicos pela simples reunião dos elementos que os constituem sem germens previamente produzidos pelo modo ordinário de geração, ou, por outra, sem pais nem mães? Os partidários da geração espontânea respondem afirmativamente, apoiando-se em observações diretas, que parecem concludentes.

Pensam outros que todos os seres vivos se reproduzem uns pelos outros, firmados sobre o fato, que a experiência comprova, de que os germens de certas espécies vegetais e animais, mesmo dispersas, conservam latente vitalidade, durante longo tempo, até que as cirunstâncias lhes favoreçam a eclosão. Esta maneira de entender deixa sempre em aberto a questão da formação dos primeiros tipos de cada espécie. (A Gênese - Geração Espontânea - Perg. 20)

Comentáríos: Como foi comentado anteriormente a geração espontânea foi imaginada pelos cientistas do passado que não sabiam resolver a questão do surgimento de larvas de moscas e moscas em material putrefeito. Francesco Redi e Louis Pasteur, colocando em um recipiente protegido por uma tela, demonstraram que as larvas não se formavam a partir de material em decomposição, mas apenas se desenvolviam ali porque as moscas punham seus ovos.

A teoria da geração espontânea foi então abandonada. Charles Darwin mostrou que novas espécies não surgem repentinamente, sim, a partir de espécies já existentes.

As novas espécies se formam lentamente quando, aos poucos novas características surgem "ao acaso" e se somam a outras que apareceram anteriormente dentro daquela espécie. Depois de um longo tempo, as características somadas fazem com que aquele grupo de animais se diferencie tanto dos demais que se assemelhavam a ele, que determina que seja classificado como uma nova espécie. Mesmo no que se refere a algum tipo de reprodução chamada assexuada, não há aí a geração espontânea como queriam os antigos cientistas pois um indivíduo surge a partir de outro.

Assim não surgem mais seres novos e diferentes de quaisquer outros seres que já existam na Terra porque simplesmente não há necessidade. Os espíritos ou princípios inteligentes que precisam estagiar em nosso mundo já encontram aqui as espécies nas quais precisarão estagiar. Não há necessidade de que surja uma nova espécie, que não tenha correlação com alguma outra, pois todas as espécies que importam para acolher os espíritos que para aqui venham, mesmo que sejam extremamente primitivos, encontram os corpos de que lhes sirvam.

104. Sem discutir os dois sistemas, convém acentuar que o princípio da geração espontânea evidentemente se pode aplicar aos seres das ordens mais ínfimas do reino vegetal e do reino animal, àqueles nos quais a vida começa a despontar e cujo organismo, extremamente simples, é, de certo modo, rudimentar.

Foram esses, com efeito, os primeiros que apareceram na Terra e cuja formação houve de ser espontânea. Assistiríamos assim a uma criação permanente, análoga à que se produziu nas primeiras idades do mundo. (A Gênese - Geração Espontânea - Perg. 21)

Comentários: Como dissemos anteriormente, a geração espontânea não se faz necessária mais em nosso mundo, pois já dispomos de todos os requisitos para abrigar o princípio inteligente em qualquer que seja o seu grau de evolução, mesmo que seja extremamente primitivo.

105. Mas, então, por que não se formam da mesma maneira os seres de complexa organização? Que esses seres não existiram sempre é fato positivo; logo tiveram um começo. Se o musgo, o líquen, o zoófito, o infusório, os vermes intestinais e outros podem produzir-se espontaneamente, por que não se dá o mesmo com as árvores, com os peixes, com os cães, com os cavalos? Param aí, por enquanto, as investigações; desaparece o fio condutor e, até que ele seja encontrado, fica aberto o campo às hipóteses. Fora, pois, imprudente e prematuro apresentar meros sistemas como verdades absolutas. (A Gênese - Geração Espontânea - Perg. 22)

Comentários: Por este enunciado podemos perceber que nem tudo o que se lê na Codificação pode ainda ser levado em consideração e aceitar como verdade, pois naquela época não era sabido que não existia a geração espontânea, como os cientistas concebiam.

Quem ler este enunciado sem o cuidado de observar que tais teorias não se confirmaram poderá equivocar-se ao aceitar que realmente existe a possibilidade da geração espontânea entre líquens, musgos e vermes intestinais.

Para Kardec, que não poderia saber que os vermes intestinais não surgiam por geração espontânea, mas chegavam até nós por simples falta de higiene. A teoria da Evolução de Darwin era recente (não tinha mais do que oito anos, apenas, que foi lançada, quando a Gênese foi publicada) e supunham, antes de Darwin, que os seres surgiam prontos e não por evolução das espécies.

Os cientistas daquela época não poderiam supor que esporos microscópicos que flutuavam no ar, invisíveis, a olho nu, eram responsáveis pela reprodução de seres que surgiam como se fosse espontaneamente, como era o caso dos líquens, musgos e seres que chamavam, por falta de outro termo apropriado de zoófitos.

Obviamente os representantes da espiritualidade conheciam os meios sobre como surgem as espécies e conheciam o fato da não existência de gerações espontâneas, mas nada disseram para que as pessoas descobrissem por si mesmas teorias sobre a formação dos seres.

106. Se a geração espontânea é fato demonstrado muito limitado que seja, não deixa de constituir um fato capital, um marco de natureza a indicar o caminho para novas observações. (A Gênese - Geração Espontânea - perg. 23)

Comentários: É bom salientar novamente que geração espontânea é uma teoria científica que foi derrubada por Francesco Redi e Louis Pasteur. Redi foi o primeiro a contestar a teoria da geração espontânea em meados do século XVII, mas somente no século XIX essa hipótese foi totalmente abandonada depois que Louis Pasteur formulou e provou a teoria da "biogênese" ou teoria que somente algo vivo pode dar origem à outra vida, ou que seres vivos dariam origem a outros seres vivos.

Marcel Benedeti