HIPÓTESE SOBRE A ORIGEM
DO CORPO HUMANO

115. Da semelhança, que há, de formas exteriores entre o corpo do homem e o do macaco, concluíram alguns fisiologistas que o primeiro é apenas uma transformação do segundo. Nada aí há de impossível, nem o que, se assim for, afete a dignidade do homem. Bem pode dar-se que corpos de macaco tenham servido de vestidura aos primeiros Espíritos humanos, forçosamente pouco adiantados, que viessem encarnar na Terra, sendo essa vestidura mais apropriada às suas necessidades e mais adequadas ao exercício de suas faculdades, do que o corpo de qualquer outro animal. Em vez de se fazer para o Espírito um invólucro especial, ele teria achado um já pronto. Vestiu-se então da pele do macaco, sem deixar de ser Espírito humano, como o homem não raro se reveste da pele de certos animais, sem deixar de ser homem.

Fique bem entendido que aqui unicamente se trata de uma hipótese, de modo algum imposta como princípio, mas apresentada apenas para mostrar que a origem do corpo em nada prejudica o Espírito, que é o ser principal, e que a semelhança do corpo do homem com o do macaco não implica paridade entre o seu Espírito e o do macaco. (A Gênese - Hipótese sobre a origem do corpo humano - Perg. 15)

Comentários: Este enunciado deixa claro que o espírito de seres humanos passa por fases em que ocupa corpos primitivos para evoluir a posições mais elevadas do ponto de vista espiritual. Antes de entrar para a fase humana mais adiantada, o espírito passa por fases intermediárias em corpos menos complexos, como os dos símios, por exemplo, que são praticamente considerados humanos, em função da semelhança de DNA.

De fato nada há para ferir o nosso orgulho saber que estivemos em estágios mais primitivos de nossa evolução. A teoria da evolução de Darwin diz que os corpos adequados vão se formando a partir de corpos já existentes de acordo com a necessidade evolutiva.

Claro que o Espírito da Verdade conhecia a tese de Danwin e sabia dos mecanismos envolvidos na evolução das espécies, mas não podia se adiantar à ciência da época e até para não contraditá-la em alguns aspectos.

116. Admitida essa hipótese, pode dizer-se que, sob a influência e por efeito da atividade intelectual do seu novo habitante, o envoltório se modificou, embelezou-se nas particularidades, conservando a forma geral do conjunto .. Melhorados, os corpos, pela procriação, se reproduziram nas mesmas condições, como sucede com as árvores de enxerto.

Deram origem a uma espécie nova, que pouco a pouco se afastou do tipo primitivo, à proporção que o Espírito progrediu. O Espírito macaco, que não foi aniquilado, continuou a procriar, para seu uso, corpos de macaco, do mesmo modo que o fruto da árvore silvestre reproduz árvores dessa espécie, e o Espírito humano procriou corpos de homem, variantes do primeiro molde em que ele se meteu. O tronco se bifurcou: produziu um ramo, que por sua vez se tornou tronco.

Como em a Natureza não há transições bruscas, é provável que os primeiros homens aparecidos na Terra pouco diferissem do macaco pela forma exterior e não muito também pela inteligência. Em nossos dias ainda há selvagens que, pelo comprimento dos braços e dos pés e pela conformação da cabeça, têm tanta parecença com o macaco, que só lhes falta ser peludos, para se tornar completa a semelhante. (A Gênese - Encarnação Dos Espíritos - Perg. 16)

Comentários: À medida que o espírito evolui, se faz necessário que receba, depois de muitas reencarnações, um corpo melhorado, mais condizente com as suas necessidades, pois tendo evoluído, como espírito de maior potencial, é necessário que receba um corpo de uma espécie mais adiantada também. Foi dito no Livro dos Espíritos, que tudo se encadeia lentamente na natureza, isto é, as mudanças são graduais e lentas para que não ocorram mudanças bruscas na transição de uma espécie à outra de corpos físicos. Nesta transição, a espiritualidade aproveita os genes já existentes nos corpos que já existem neste mundo para modificá-los e torna possível o surgimento de uma uma característica física necessária ao Espírito que evoluiu e que precisa de um corpo melhorado.

Os Espíritos fazem uma seleção genética que possibilite o surgimento de um corpo mais eficiente e mais condizente com o que exige o espírito mais evoluído. Por isso é mais provável que corpos humanos tenham surgido a partir de genes de símios do que de outras espécies, pois são mais semelhantes.

117. Tomando-se a Humanidade no grau mais Ínfimo da escala espiritual, como se encontra entre os mais atrasados selvagens, perguntar-se-á se é aí o ponto inicial da alma humana. Na opinião de alguns filósofos espiritualistas, o princípio inteligente, distinto do princípio material, se individualiza e elabora, passando pelos diversos graus da animalidade. (A Gênese - Cap. XI - Perg. 23)

Comentáríos: Este enunciado da Gênese mostra que o espírito humano estagiou em fases primitivas da evolução e se tornou gradativamente apto a estagiar em fases mais adiantadas conforme foi adquirindo conhecimento e experiência para tanto. Ao longo de sua evolução, o Espírito primitivo se destacou dos demais espíritos primitivos, individualizando-se, não como se não fosse um indivíduo anteriormente, mas como um indivíduo que se mostrou mais preparado que os demais para avançar na escalada evolutiva. Convém lembrar que cada Espírito é criado simples e ignorante, mas é desde o início um indivíduo, isto é, um Espírito único.

Não existem espíritos coletivos, como já comentamos, pois assim como o espírito é indivisível, ele também não se soma com nenhum outro. Individualizar-se, neste contexto, se refere a tornar-se mais maduro.

118. É aí que a alma se ensaia para a vida e desenvolve, pelo exercício, suas primeiras faculdades. Esse seria para ela, por assim dizer, o período de incubação. Chegada ao grau de desenvolvimento que esse estado comporta, ela recebe as faculdades especiais que constituem a alma humana. (A Gênese - Cap. XI - Perg. 23)

Comentários: O Espírito da Verdade explica que todo espírito, ao passar por fases primitivas da evolução, no mundo físico, pratica sua inteligência e outras faculdades ligadas a ela para se tornar merecedor de um corpo mais evoluído e entrar para a fase de humanidade. Depois de praticar muito, na fase de animalidade, o espírito poderá então, reencarnar em um corpo humano e passará a fazer parte de outra fase evolutiva, a fase humana. Mas lembre-se:

Este espírito que acabou de chegar à fase humana, depois de passar pela fase de animalidade, ainda é o mesmo espírito que viveu naquelas fases anteriores. O que o diferencia dos espíritos que ainda permanecem naquela outra fase é o seu corpo bem mais elaborado e sua experiência de vida, que é maior do que a daqueles.

119. Haveria assim filiação espiritual do animal para homem, como há filiação corporal. Este sistema, fundado na grande lei de unidade que preside à criação corresponde, forçoso é convir, à justiça e à bondade do Criador; de uma saída, uma finalidade, um destino aos animais, que deixam então de formar uma categoria de seres deserdados, para terem, no futuro que lhes está reservado, uma compensação a seus sofrimentos. (A Gênese - Encarnação Dos Espiritos - Cap. XI)

Comentários: Sabemos. Existem inúmeros detratores das idéias de que os Espíritos evoluem passando pela fase de animalidade, antes de entrarem para a fase de humanidade. Simplesmente não aceitam a idéia de um vínculo entre os animais e o Homem, ou uma "filiação". Dizem que na doutrina nada existe que confirme a vinculação entre homens e animais e que não tem a ver com outro.

Este enunciado é muito claro e derruba qualquer barreira preconceituosa dos adeptos da doutrina espírita, que não crêem que os animais tenham alma e que evoluem para a fase humana.

Neste enunciado, o Espírito da Verdade nos mostra a verdadeira finalidade dos animais entre nós e da compensação pelos sofrimentos que passam por nossa causa, pois eles não formam uma categoria de seres deserdados, que simplesmente existem para nos servir.

120. O que constitui o homem espiritual não é a sua origem: são os atributos especiais de que ele se apresenta dotado ao entrar na humanidade, atributos que o transformam, tornando-o um ser distinto, como o fruto saboroso é distinto da raiz amarga que lhe deu origem. Por haver passado pela fieira da animalidade, o homem não deixaria de ser homem; já não seria animal, como o fruto não é a raiz, como o sábio não é o feto informe que o pós no mundo.

Mas, este sistema levanta múltiplas questões, cujos prós e contras não é oportuno discutir aqui, como não o é o exame das diferentes hipóteses que se têm formulado sobre este assunto.

Sem, pois, pesquisarmos a origem do Espírito, sem procurarmos conhecer as fieiras pelas quais haja ele, porventura, passado, tomamo-lo ao entrar na humanidade, no ponto em que, dotado de senso moral e de livre-arbítrio, começa a pesar-lhe a responsabilidade dos seus atos. (A Gênese - Encarnação Dos Espíritos - Cap. XI)

Comentáríos: Este enunciado é claro e fala por si, mas o mais importante, na verdade, não é saber que o ser humano é um espírito que passou "pelas fieiras da animalidade", mas o que ele representa como um ser que possui, em função de seu aprendizado naquelas fases anteriores. Para chegarmos aonde chegamos, como seres humanos, lutamos para nos superar e nos distinguir da animalidade inferior. Em vez de fechar os olhos para a verdade do Espírito, por orgulho ferido, melhor seria abri-los para enxergar o longe caminho que resta à frente em cujo trajeto, há outros espíritos, que ainda vivem naquelas fases primitivas anteriores à nossa, à espera de nossa experiência a orientá-los para mesmo caminho evolutivo que o nosso.

Marcel Benedeti