INTELIGÊNCIA
ANIMAL |
21. A inteligência é atributo do princípio vital?
R: Não, pois que as plantas vivem e não pensam: só têm vida orgânica. A inteligência e a matéria são independentes, porquanto um corpo pode viver sem a inteligência, mas a inteligência só por meio dos órgãos materiais pode manifestar-se. Necessário é que o Espírito se una à matéria animalizada para intelectualizá-la.
A inteligência é uma faculdade especial, peculiar a algumas classes de seres orgânicos e que lhes dá, com o pensamento, à vontade de atuar, a consciência de que existem e de que constituem uma individualidade cada um, assim como os meios de estabelecerem relações com o mundo exterior e de proverem às suas necessidades. Podem distinguir-se assim:
1°, os seres inanimados, constituídos só de matéria, sem vitalidade nem inteligência: são os corpos brutos;
2°, os seres animados que não pensam, formados de matéria e dotados de vitalidade, porém, destituídos de inteligência;
3°, os seres animados pensantes, formados de matéria, dotados de vitalidade e tendo a mais, um princípio inteligente que lhes outorga a faculdade de pensar. (O Livro dos Espíritos - Perg. 71)
Comentários: Os corpos são os instrumentos usados pelos Espíritos (nós somos exemplo disso) para se manifestarem no mundo físico. Desde que o Espírito intelectualiza o corpo para se manifestar o faz em diferentes graus de intelectualização, pois como Kardec classificou há três graus. Os animais se encontram, como ele mesmo disse: "A inteligência é uma faculdade especial, peculiar a algumas classes de seres orgânicos", em uma categoria na qual há pensamentos e uso de seu livre-arbítrio. Se ele quisesse se referir a humanos o teria dito claramente.
22. Pode estabelecer-se uma linha de separação entre o instinto e a inteligência, isto é, precisar onde um acaba e começa a outra?
R: Não, porque muitas vezes se confundem. Mas, muito bem se podem distinguir os atos que decorrem do instinto dos que são da inteligência. (O Livro dos Espíritos - Cap. IV - Perg. 74)
Comentários: Algumas pessoas dizem que os animais somente agem por instintos e por isso não são inteligentes. Porém o Espírito de Verdade confirma o que já se sabe, até mesmo pela ciência, que os animais não são somente instintos, e os seres humanos não são somente inteligência, pois ambas se confundem.
23. É acertado dizer-se que as faculdades instintivas diminuem à medida que crescem as intelectuais?
R: Não; o instinto existe sempre, mas o homem o despreza. O instinto também pode conduzir ao bem. Ele quase sempre nos guia e algumas vezes com mais segurança do que a razão. Nunca se transvia. (O Livro dos Espíritos - Cap. IV - Perg. 75)
Comentários: Os instintos são sentidos relacionados aos corpos e não ao Espírito. A medida que o espírito aprende a controlar os instintos, receberá futuramente corpos que não o testem tão freqüentemente a controlá-los, pois serão mais sutis, isto é, menos materiais e, portanto menos instintivos. Então os instintos não sendo atributo do espírito, mas do corpo, não podem aumentar ou diminuir no Espírito. Ele apenas pode senti-lo, utilizá-lo e controlá-lo.
24. A inteligência é então uma propriedade comum, um ponto de contacto entre a alma dos animais e a do homem?
R: É, porém os animais só possuem a inteligência da vida material. No homem, a inteligência proporciona a vida moral. (O Livro dos Espíritos - Perg. 604a)
Comentários: A ciência vem mostrando que os animais possuem inteligências maiores do que se supunha. Em alguns casos certos animais, como disse Kardec, levam vantagem sobre algumas pessoas, neste particular, pois há aqueles que mostram inteligência maior do que de determinadas pessoas. Na gênese, encontramos uma explicação didática sobre alma, em que diz que os animais possuem uma classificação de alma colocada em duas categorias evolutivas, isto é, a alma dos animais é classificada como "alma animal" e "alma intelectual", pois além de ser uma alma que simplesmente anima um corpo físico, ela também dá inteligência ao conjunto corporal a que anima.
A alma que evoluiu e atingiu a fase de humanidade já se elaborou e aprendeu a conhecer sua relação com o mundo espiritual e procura conhecer as características da Divindade em si própria. Por causa desta maior compreensão de si mesmo e de sua relação com Deus e com a espiritualidade, o Espírito humano é classificado em outras categorias superiores que englobam três níveis, pois a alma humana se classifica como animal, porque tem capacidade de animar o corpo humano; como alma intelectual, que dá inteligência ao corpo que anima e alma espiritual, que diz respeito ao conhecimento moral.
O espírito de animal superior busca o aprendizado para se aprofundar no aspecto moral, mas ainda não compreende como o homem. Desde que possa entender como se fosse um ser humano, então este espírito animal poderá encarnar-se em um corpo humano e passar a fazer parte da Humanidade.
25. Donde procede a aptidão que certos animais denotam para imitar a linguagem do homem e por que essa aptidão se revela mais nas aves do que no macaco, por exemplo, cuja conformação apresenta mais analogia com a humana? Origina-se de uma particular conformação dos órgãos vocais, reforçada pelo instinto de imitação. O macaco imita os gestos; algumas aves imitam a voz. (O Livro dos Espíritos - Perg. 596)
Comentários: Hoje já se sabe que os animais não agem somente por instintos e são dotados de inteligência relativamente elevada, se comparada com o que conhecemos anteriormente sobre este assunto. Hoje reconhece-se que os chimpanzés possuem DNA muito semelhante ao nosso e apresentam muita semelhança também no que se refere a comportamentos.
Cairbar Schutel conta de um chimpanzé que possuía conta em banco e freqüentava teatros e restaurantes. O gorila Koko, que aprendeu a usar a linguagem dos surdos-mudos, comunicava-se com naturalidade com as pessoas ao redor.
Alguns cientistas dizem que os golfinhos são mais inteligentes que os seres humanos. Outros cientistas dizem que os papagaios possuem inteligência equivalente à de um cão. Recentemente o corvo Bete provou que as aves possuem inteligência suficiente para construir ferramentas para facilitar seus trabalhos.
O livro A vida Inteligente dos Animais, de Vitus B. Droscher, Editora Melhoramentos, traz dezenas de exemplos de inteligência observados em animais.
Há inúmeros casos documentados de animais que demonstram, além de inteligência, sentimentos. Há pouco um cão da raça Beagle recebeu um prêmio público por ter salvado seu dono ao acionar o serviço de emergência médica via telefone.
Então percebemos que o que se dizia sobre a inteligência dos animais, em um tempo em que as pessoas eram céticas e não tinham estudos a respeito destes aspectos dos animais, modificou-se por completo depois que a ciência avançou, como conseqüência ao avanço espiritual de nosso mundo, para provar que os animais não são; pelo contrário, objetos e são inteligentes e sensíveis. Eles não são somente instintivos ou pouco inteligentes.
26. Pois que os animais possuem uma inteligência que lhes faculta certa liberdade de ação, haverá neles algum princípio independente da matéria? Há e que sobrevive ao corpo. (O Livro dos Espíritos - Perg. 597)
Comentários: Kardec concordava que os animais possuem inteligência que lhes faculta a liberdade de escolha, isto é, lhes faculta a utilização de seu livre-arbítrio. Esta inteligência, que era percebida pelo Codificador, possivelmente era conseqüente a algo, que se poderia chamar de Espírito, ou alma dos animais. Para satisfazer a curiosidade, Kardec perguntou ao Espírito de Verdade sobre esta possibilidade. Kardec, em outras palavras, quis dizer:
Sendo os animais tão inteligentes como são, há neles algo que se possa chamar de alma ou espírito?
A resposta do Espírito de Verdade foi direta e sem floreios: Há e que sobrevive ao corpo, isto é, sim, eles têm Espírito, e este princípio sobrevive à morte do corpo físico.
27. A inteligência se revela por atos voluntários, refletidos, premeditados, combinados, de acordo com a oportunidade das circunstâncias. É incontestavelmente um atributo exclusivo da alma. Todo ato maquinal é instintivo; o ato que denota reflexão, combinação, deliberação é inteligente. (A Gênese - Cap. III - Perg. 12)
Comentários: Foi dito que todo ser orgânico possui alma. Desde o mais primitivo ser ao ser humano, todos são espíritos encarnados em diversos estágios de evolução e de inteligência (a ciência mostra que até as bactérias e outros microorganismos possuem inteligências rudimentares). Os atos que exigem elaboração são conseqüentes à inteligência, originada da alma, comum a estes seres.
28. "Há, pois, neles, uma espécie de inteligência, mas cujo exercício quase que se circunscreve à utilização dos meios de satisfazerem às suas necessidades físicas e de proverem à conservação própria. Nada, porém, criam, nem melhora alguma realizam.
Qualquer que seja a arte com que executem seus trabalhos fazem hoje o que faziam outrora e o fazem, nem melhor nem pior, segundo formas e proporções constantes e invariáveis.
A cria, separada dos de sua espécie, não deixa por isso de construir o seu ninho de perfeita conformidade com os seus maiores, sem que tenha recebido nenhum ensino. O desenvolvimento intelectual de alguns, que se mostram suscetíveis de certa educação, desenvolvimento, aliás, que não pode ultrapassar acanhados limites, é devido à ação do homem sobre uma natureza maleável, porquanto não há aí progresso que lhe seja próprio.
Mesmo o progresso que realizam pela ação do homem é efêmero e puramente individual, visto que, entregue a si mesmo, não tarda que o animal volte a encerrar-se nos limites que lhe traçou a Natureza ... (O Livro dos Espíritos - Os animais e o Homem - Cap. XI - Perg. 593)
Comentários: Quando o O Livro dos Espíritos foi escrito, as pessoas eram, em sua maioria, céticas, que tinham dificuldade em crer nas coisas do Espírito. Também naquela época, o conceito a respeito dos animais era o de Descartes, que dizia que os animais não eram mais que objetos, que deveriam ser usados como tal.
Para uma doutrina que pretendia firmar-se na razão, dizer que os animais são seres inteligentes e sensíveis, as pessoas não acreditariam. Era preciso esperar e concordar com o que conhecia a ciência da época, que lhes atribuía pouca ou nenhuma inteligência.
No entanto, a própria doutrina diz, nas palavras de Kardec, para ficarmos com a ciência, quando a doutrina se encontrar em contradição em algum ponto. Atualmente, a ciência mostra que os animais são inteligentes e sensíveis e não somente isso, pois possuem capacidade criadora e cultural. A revista Scientific América trouxe a manchete na qual os macacos-prego conseguiam ensinar aos seus descendentes aquilo que aprenderam com seus antepassados culturalmente. Algumas aves apenas aprendem a cantar se forem ensinadas por outras aves.
A fêmea gorila Koko, por sua capacidade de se comuunicar com as mãos, demonstrou que gostaria de se tornar mãe e manifestou seu desejo de algum dia voltar para a sua vida livre na floresta.
29. Tem os animais alguma linguagem? Se vos referis a uma linguagem formada de sílabas e palavras, não. Meio, porém, de se comunicarem entre si, têm. Dizem uns aos outros muito mais coisas do que imaginais. Mas, essa mesma linguagem de que dispõem é restrita às necessidades, como restritas também são as idéias que podem ter. (O Livro dos Espíritos - Os animais e o Homem - Perg. 594).
Comentários: Novamente lembramos o que Kardec disse a respeito de acatarmos a ciência quando o Espiritismo estiver em contradição com ela. A ciência vem nos mostrando a cada dia que os animais possuem inteligência acima do que supúnhamos a eles até há pouco tempo. No que se refere à comunicação destacamos o cão da raça Border Collie chamado Rico, que entende 200 palavras e as relaciona ao seu significado; o gorila Koko, que se comunica por linguagem dos surdos-mudos; a cadela Sofia, que se comunica com humanos através de um painel sonoro; a chimpanzé Anã Kanzi que também se comunica por meio de um painel, semelhante ao de Sofia, mas que é mais sofisticado e os estudos de um cientista americano que desenvolveu um sistema de comunicação com golfinhos, em que o computador consegue "traduzir" as palavras destes mamíferos aquáticos para o inglês.
De acordo com estes estudos, que envolvem estes animais, percebemos que estes ao se comunicarem mostram algo mais do que simples demonstrações de seus desejos instintivos de sobrevivência.
30. Há, entretanto, animais que carecem de voz. Esses parecem que nenhuma linguagem usam, não? Compreendem-se por outros meios. Para vos comunicardes reciprocamente, vós outros, homens, só dispondes da palavra? E os mudos? Facultada lhes sendo a vida. (O Livro dos Espíritos - Os animais e o Homem - Cap. XI - Perg. 594a)
Comentários: O Espírito de Verdade diz que os animais se comunicam por meios que naquela época os seres humanos não poderiam compreender: A telepatia.
A telepatia é um meio de comunicação comum entre os animais de acordo com estudos de Gabriel Delanne e recentemente por Rupert Sheldrake (Ph.D. da Universidade de Harvard e Cambridge). Segundo Sheldrake, os animais conseguem "ler os pensamentos das pessoas".
31. Se, pelo que toca à inteligência, comparamos o homem e os animais, parece difícil estabelecer-se uma linha de demarcação entre aquele e estes, porquanto alguns animais mostram, sob esse aspecto, notória superioridade sobre certos homens.
Pode essa linha de demarcação ser estabelecida de modo preciso? A este respeito é completo o desacordo entre os vossos filósofos. Querem uns que o homem seja um animal e outros que o animal seja um homem. Estão todos em erro. O homem é um ser à parte, que desce muito baixo algumas vezes e que pode também elevar-se muito alto. Pelo físico, é como os animais e menos bem dotado do que muitos destes.
A Natureza lhes deu tudo o que o homem é obrigado a inventar com a sua inteligência, para satisfação de suas necessidades e para sua conservação. Seu corpo se destrói, como o dos animais, é certo, mas ao seu Espírito está assinado um destino que só ele pode compreender, porque só ele é inteiramente livre. Pobres homens, que vos rebaixais mais do que os brutos! Não sabeis distinguir-vos deles? Reconhecei o homem pela faculdade de pensar em Deus. (O Livro dos Espíritos - Parte 2 - Cap. XI - Perg. 592)
Comentários: Realmente o limite entre a inteligênncia dos animais, de categorias inferiores ao homem, que também é animal, é difícil de estabelecer, pois quem se lembrar dos cavalos de Elberfeld perceberá que a inteligência deles é superior a de muitas pessoas que têm dificuldades com números e cálculos matemáticos. Quem se lembrar do Gorila Koko, que é capaz de se comunicar pela linguagem das mãos, usadas entre os surdos-mudos, perceberá que ela tem facilidade em se comunicar deste modo, enquanto muitas pessoas não conseguem usar este tipo de linguagem.
Na resposta dada pelo Espírito da Verdade, ele diz que os seres humanos são seres, mas não podemos entender nisso que somos seres especiais, gratuitamente. Nós nos tornamos diferenciados, por meio de milhares de reencarnações em reinos inferiores e também no reino animal, no qual adquirimos experiência suficiente para nos destacarmos dos demais animais e nos tornarmos seres à parte. Isso somente porque adquirimos o conhecimento e desenvolvimento moral que nos habilita a nos colocarmos acima dos demais. Mas é sempre importante nos lembrarmos de que não fomos criados como seres à parte, mas nos tornamos.
Por termos uma compreensão mais completa da vida moral, nós nos destacamos, mas com esta visão vem a responsabilidade sobre os demais seres que se encontram abaixo de nós, pois nos tornamos seus orientadores, professores ou modelos a serem seguido.
32. A inteligência se revela por atos voluntários, refletidos, premeditados, combinados, de acordo com a oportunidade das circunstâncias. É incontestavelmente um atributo exclusivo da alma. Todo ato maquinal é instintivo; o ato que denota reflexão, combinação, deliberação é inteligente. Um é livre, o outro não o é. (A Gênese - O Instinto e a Inteligência - Perg. 12)
Comentários: Dizem que animais não agem senão por instintos, mas não nos cansamos de ver e ouvir falar de animais que agem inteligentemente.
Sabemos que todos os animais são espíritos em evolução encarnados em corpos de animais, e, como a inteligência é incontestavelmente um atributo exclusivo da alma, concluímos que os animais não agem somente por instintos, maquinalmente. Quem não se lembra dos cavalos de Elberfeld, que resolviam problemas complexos de raízes quadradas?
33. Nos seres inferiores da criação, naqueles a quem ainda falta o senso moral, nos quais a inteligência ainda não substituiu o instinto, a luta não pode ter por móvel senão a satisfação de uma necessidade material. Ora, uma das mais imperiosas dessas necessidades é a da alimentação. Eles, pois, lutam unicamente para viver, isto é, para fazer ou defender uma presa, visto que nenhum móvel mais elevado os poderia estimular. É nesse primeiro período que a alma se elabora e ensaia para a vida.
No homem, há um período de transição em que ele mal se distingue do bruto. Nas primeiras idades, domina o instinto animal e a luta ainda tem por móvel a satisfação das necessidades materiais. Mais tarde contrabalançam-se o instinto animal e o sentimento moral; luta então o homem, não mais para se alimentar, porém, para satisfazer à sua ambição, ao seu orgulho, à necessidade, que experimenta, de dominar.
Para isso, ainda lhe é preciso destruir. Todavia, à medida que o senso moral prepondera, desenvolve-se a sensibilidade, diminui a necessidade de destruir, acaba mesmo por desaparecer, por se tornar odiosa. O homem ganha horror ao sangue. Contudo, a luta é sempre necessária ao desenvolvimento do Espírito, pois, mesmo chegando a esse ponto, que parece culminante, ele ainda está longe de ser perfeito.
Só à custa de muita atividade adquire conhecimento, experiência e se despoja dos últimos vestígios da animalidade. Mas, nessa ocasião, a luta, de sangrenta e brutal que era, se torna puramente intelectual. O homem luta contra as dificuldades, não mais contra os seus semelhantes. (A Gênese - Destruição Dos Seres - Perg. 24)
Comentários: Assim como acontece conosco, os animais não estão isentos de agirem instintivamente. Isso não os exclui do círculo dos seres inteligentes, assim como não nos excluímos quando agimos, também, por instintos.
Os atos instintivos são importantes, pois representam uma forma de aprendizado ao espírito encarnado, que aprende a elaborar-se para atingir outros patamares evolutivos em que alcançará a fase de humanidade. A fase anterior à humanidade, ou animalidade, é uma escola para o espírito, que estagiará futuramente como homem. No entanto mesmo se tornando Homem, o ser espiritual, ainda está em fase de aprendizado e ainda traz consigo muito do que jà foi nas fases anteriores.
O desejo de matar para alimentar o corpo físico que lhe serve de abrigo é um exemplo. Mas à medida que a evolução, que não pára nunca, avança, a influência do corpo sobre o espírito diminui e o desejo de destruir e matar para satisfazermos as nossas necessidades físicas enfraquecerão a um ponto em que a simples visão de corpos sem vida nos repugnará. Pois só à custa de muita atividade adquire conhecimento, experiência e se despoja dos últimos vestígios da animalidade.
34. Admitir que Deus cria almas de diversas qualidades, de acordo com os tempos e lugares, é uma proposição inconciliável com a idéia de uma justiça soberana. (A Gênese - Cap. XI - Perg. 33)
Comentários: Se admitirmos que Deus cria seres que serão perpetuamente inferiores, ou admitir que Deus nos tenha criado como seres que merecem sua maior atenção, não estaria de acordo com a Sua infinita bondade. Se nós que somos falhos não admitiríamos tal injustiça, que dirá de Deus que é soberanamente bom e justo.
Deus não nos criaria como somos hoje sem que tivéssemos aprendido a ser humanos antes. Se fossemos criados como somos hoje de um momento para outro, não haveria evolução para nós e estaríamos em desacordo com todo o resto do Universo, que evolui.
Crer que pudéssemos ser lançados ao mundo sem ter existido antes, ou crer que Deus nos criou nesta condição atual por Sua vontade é o mesmo que crer que Deus tenha criado os anjos e os demônios caricatos da Bíblia, que foram criados nesta condição de um momento para outro, isto é, uns foram criados extremamente puros e bondosos enquanto outros foram criados extremamente maus e odiosos. Isso seria ingenuidade.
Marcel Benedeti