O
HOMEM NO REINO ANIMAL |
"O HOMEM CORPÓREO"
107. Do ponto de vista corpóreo e puramente anatômico, o homem pertence à classe dos mamíferos, dos quais fisicamente difere por algumas matizes na forma exterior. Quanto ao mais, a mesma composição de todos os animais, os mesmos órgãos, as mesmas funções e os mesmos modos de nutrição, de respiração, de secreção, de reprodução. Ele nasce, vive e morre nas mesmas condições e, quando morre, seu corpo se decompõe, como tudo o que vive. Não há, em seu sangue, na sua carne, em seus ossos, um átomo diferente dos que se encontram no corpo dos animais. Como estes, ao morrer, restitui à terra o oxigênio, o hidrogênio, o azoto e o carbono que se haviam combinado para formá-lo; e esses elementos, por meio de novas combinações, vão formar outros corpos minerais, vegetais e animais. É tão grande a analogia que se estudam as suas funções orgânicas em certos animais, quando as experiências não podem ser feitas nele próprio. (A Gênese - Cap. X - Perg. 26)
Comentários: pouca gente se lembra de que os seres humanos são animais. Somos pertencentes ao grupo dos vertebrados mamíferos. Por isso, ainda somos seres instintivos, isto é, ainda temos fome, sono, frio, nos reproduzimos sexuadamente, reagimos ao medo, entre outras demonstrações instintivas. Do ponto de vista orgânico. em quase nada nos diferenciamos de outros animais. No entanto, por causa destas pequenas diferenças é que não mais se deveriam usar animais em experimentos (além do fato de que não comportar mais em nossa evolução me usarmos animais por respeitá-los).
108. Na classe dos mamíferos, o homem pertence à ordem dos bímanos. Logo abaixo dele vêm os quadrúmanos (animais de quatro mãos) ou macacos alguns dos quais, como o orangotango, o chimpanzé, o jocó, têm certos ademanes do homem, a tal ponto que por muito tempo, foram denominados: homens das florestas. Como o homem, esses macacos caminham eretos, usam cajados, constroem choças e levam à boca, com a mão, os alimentos: sinais característicos. (A Gênese - Cap. X - Perg. 27)
Comentários: Hoje se sabe, pelo projeto Genoma, que o DNA dos chimpanzés é 99% idêntico ao nosso. Portanto estes, assim como os gorilas, que possuem 98% de DNA idêntico ao nosso, são uma variedade de humanos. Cogita-se a retirada da classificação entre humanos, os Homens de Neanderthal, que possuem menos semelhanças genéticas conosco do que os chimpanzés.
109. Por pouco que se observe a escala dos seres vivos, do ponto de vista do organismo, é-se forçado a reconhecer que, desde o líquen até a árvore e desde o zoófito até o homem, há uma cadeia que se eleva gradativamente, sem solução de continuidade e cujos anéis todos têm um ponto de contacto com o anel precedente. Acompanhando-se passo a passo a série dos seres, dir-se-ia que cada espécie é um aperfeiçoamento, uma transformação da espécie imediatamente inferior. Visto que são idênticas às dos outros corpos as condições do corpo do homem, química e constitucionalmente; visto que ele nasce, vive e morre da mesma maneira, também nas mesmas condições que os outros se há de ele ter formado. (A Gênese - Cap. X - Perg. 28)
Comentários: Quando A Gênese foi publicada fazia poucos anos que a teoria da evolução das espécies veio a público, mostrar que as espécies se ligam entre si por características físicas que indicam que houve alguma "evolução" em relação à outra espécie menos adaptada ao ambiente.
Supõem-se, do ponto de vista da ciência, que os animais invertebrados originaram aos vertebrados primitivos e a partir destes os anfíbios, répteis que originaram as aves e mamíferos. Entre estes últimos estamos nós, os humanos e os animais domésticos, como os cães, bovinos, eqüinos e gatos.
110. Ainda que isso lhe fira o orgulho, tem o homem que se resignar a não ver no seu corpo material mais do que o último anel da animalidade na Terra. Aí esta o inexorável argumento dos fatos, contra o qual seria inútil protestar. (A Gênese - Cap. X - Perg. 29)
Comentários: Ainda que muitas pessoas contestem a nossa ligação com a animalidade, por simples orgulho, a ciência mostra isso, assim como também mostra o Espiritismo. Incontestavelmente não somos seres criados à parte. Somos simplesmente vertebrados, mamíferos dotados de instintos, além de uma inteligência elaborada, que a maioria dos outros animais (maioria porque há cientistas que argumentam que não somos os seres mais inteligentes do Planeta, perdendo posição para os golfinhos).
111. Todavia, quanto mais o corpo diminui de valor aos seus olhos, tanto mais cresce de importância o princípio espiritual. Se o primeiro o nivela ao bruto, o segundo o eleva a incomensurável altura. Vemos o limite extremo do animal: não vemos o limite a que chegará o espírito do homem. (A Gênese - Cap. X - Perg. 29)
Comentários: Como seres espirituais, nós fomos criados a partir de um determinado momento, evoluímos espiritualmente com auxílio de diversos corpos físicos animais e continuaremos a evoluir na condição humana a extremos que sequer temos idéia de onde se encontra o limite. Enquanto os nossos corpos exigem de nós atividades instintivas, o espírito exige atitudes que nos devem a alma. Este conflito de "interesses" entre corpo e espírito nos obriga a exercitar os interesses do espírito para que posteriormente não necessitemos mais de algum corpo tão denso quanto este que ainda usamos.
112. O materialismo pode por aí ver que o Espiritismo, longe de temer as descobertas da Ciência e o seu positivismo, lhe vai ao encontro e os provoca, por possuir a certeza de que o princípio espiritual, que tem existência própria, em nada pode com elas sofrer.
O Espiritismo marcha ao lado do materialismo, no campo da matéria; admite tudo o que o segundo admite; mas, avança para além do ponto onde este último pára. O Espiritismo e o materialismo são como dois viajantes que caminham juntos, partindo de um mesmo ponto; chegados a certa distância, diz um: "Não posso ir mais longe". O outro prossegue e descobre um novo mundo. (A Gênese - Cap. X - Perg. 30)
Comentários: A ciência basicamente é de cunho materialista. Por isso encontra dificuldade em provar as teses espirituais. No entanto, se completam até certo ponto, pois a ciência, no nível em que se encontra hoje em dia, não consegue explicar tudo. Einstein já dizia que somente Deus poderia explicar o que a ciência não pode. A partir do ponto em que a ciência não encontra mais apoio de suas próprias bases, a ciência do espírito prossegue e continua a desvendar mistérios, que a ciência materialista somente conseguirá provar quando se afastar de teses exclusivamente materialistas.
113. Por que, então, há de o primeiro dizer que o segundo é louco, somente porque, entrevendo novos horizontes, se decide a transpor os limites onde ao outro convém deter-se? Também Cristóvão Colombo foi tachado de louco, porque acreditava na existência de um mundo, para lá do oceano? Quantos a História não conta desses loucos sublimes, que hão feito que a Humanidade avançasse e aos quais se tecem coroas, depois de se lhes haver atirado lama? Pois bem! O Espiritismo, a loucura do século dezenove, segundo os que se obstinam em permanecer na margem terrena, nos patenteia todo um mundo, mundo bem mais importante para o homem, do que a América, porquanto nem todos os homens vão à América, ao passo que todos, sem exceção de nenhum, vão ao dos Espíritos, fazendo incessantes travessias de um para o outro. Galgado o ponto em que nos achamos com relação à Gênese, o materialismo se detém, enquanto o Espiritismo prossegue em suas pesquisas no domínio da Gênese espiritual. (A Gênese - Cap. XI - Perg. 30)
Comentários: Na Idade Média, a ciência era totalmente vinculada à Igreja, que cultivava a ignorância. Todas as descobertas científicas foram combatidas com o fogo da Inquisição, que reprimia os pensamentos. Durante seiscentos anos, a ciência se viu tolhida. Assim que teve a oportunidade de se desvincular da religião, o fez de modo traumático. A Inquisição deixou cicatrizes profundas na mente das pessoas, que ainda hoje são resistentes a voltarem a vincular a ciência e a religião.
No entanto, aos poucos, esta ferida está cicatrizando, e a ciência está novamente se voltando às coisas do espírito, com a vantagem da não - repressão. Aos poucos o vinculo vem se consolidando a ponto de a ciência atual reconhecer o valor terapêutico da prece e dos pensamentos positivos.
Aos poucos, vem confirmando a existência do espírito e de sua imortalidade. É somente uma questão de tempo para que a ciência volte a se aliar às coisas do espírito e talvez consiga provar, até mesmo do ponto de vista físico, várias de suas teses.
A ciência já reconhece a existência de diversas dimensões do Universo; já estuda a existência do espírito; a reencarnação; o poder da mente e outras teses que há pouco tempo eram considerados tabus aos cientistas.
Há poucos anos não se poderia imaginar que os seres humanos voariam, ou se falariam a distância, enviando documentos por telefone; ou que iríamos para outros mundos. Há poucos anos não se poderia imaginar que a ciência chegaria a um nível tecnológico tão alto quanto o encontrado hoje.
Não estamos distantes de encontrar as provas de que ela precisa para confirmar diversas outras teses importantes.. Veiculadas pelo Espiritismo.
114. A não se considerar, pois, senão a matéria, abstraindo do Espírito, o homem nada tem que o distinga do animal. Tudo, porém, muda de aspecto, logo que se estabelece distinção entre a habitação e o habitante. Ou numa choupana, ou envergando as vestes de um campônio, um nobre senhor não deixa de o ser. O mesmo se dá com o homem: não é a sua vestidura de carne que o coloca acima do bruto e faz dele um ser à parte; é o seu espiritual, seu Espírito. (A Gênese, cap. XI - perg. 14)
Comentáríos: O orgulho de ser um humano não significa muita coisa se o espírito não se elevar acima dos instintos. Se não buscarmos nos melhorar como seres espirituais, nada nos diferenciará dos demais animais, pois não estamos tão acima deles. Não somos, como querem muitos, deuses, mas apenas seres que lutam para se diferenciar moralmente dos demais animais, pois não é o fato de encarnar em um corpo humano que o diferencia dos outros animais, mas a sua bagagem moral, adquirida ao longo das existências físicas anteriores, nas fases evolutivas pregressas.
Marcel Benedeti