OS
INSTINTOS ANIMAIS |
67. Segundo outros sistemas, o instinto e a inteligência procederiam de um único princípio. Chegado a certo grau de desenvolvimento, esse principia, que primeiramente apenas tivera as qualidades do instinto, passaria por uma transformação que lhe daria as da inteligência livre. Se fosse assim, no homem inteligente que perde a razão e entra a ser guiado exclusivamente pelo instinto, a inteligência voltaria ao seu estado primitivo e, quando o homem recobrasse a razão, o instinto se tornaria inteligência e assim alternativamente, a cada acesso, o que não é admissível. Aliás, é freqüente o instinto e a inteligência se revelarem simultaneamente no mesmo ato. No caminhar, por exemplo, o movimento das pernas é instintivo; o homem põe maquinalmente um pé à frente do outro, sem nisso pensar; quando, porém, ele quer acelerar ou demorar o passo, levantar o pé ou desviar-se de um tropeço, há cálculo, combinação; ele age com deliberado propósito. (de acordo com o local que transita, o seu procedimento será diferente).
A impulsão involuntária do movimento é o ato instintivo; a calculada direção do movimento é o ato inteligente. O animal carnívoro é impelido pelo instinto "a se alimentar de carne, mas as precauções que toma e que variam conforme as circunstâncias, para segurar a presa, a sua previdência das eventualidades são atos da inteligência". (A Gênese - O instinto e a inteligência - Cap. II - Perg. 13)
Comentários: O Espírito da Verdade afirma que os animais agem por instinto, pois ainda vivem em uma fase onde estes são essenciais a sobrevivência, mas não somente agem através dele, pois a inteligência faz parte de seus atos, constantemente.
Este comentário do Espírito da Verdade derruba teses de algumas pessoas que insistem em dizer que os animais não são inteligentes.
68. ( ... ) Se observarmos os efeitos do instinto, notaremos, em primeiro lugar, uma unidade de vistas e de conjunto, uma segurança de resultados, que cessam logo que a inteligência o substitui.
Demais, reconheceremos profunda sabedoria na apropriação tão perfeita e tão constante das faculdades instintivas às necessidades de cada espécie. Semelhante unidade de vistas não poderia existir sem a unidade de pensamento e esta é incompatível com a diversidade das aptidões individuais; só ela pode produzir esse conjunto tão harmonioso que se realiza desde a origem dos tempos e em todos os climas, com uma regularidade, uma precisão matemáticas, cuja ausência jamais se nota.
A uniformidade no que resulta das faculdades instintivas é um fato característico, que forçosamente implica a unidade da causa. Se a causa fosse inerente a cada individualidade, haveria tantas variedades de instintos quantos fossem os indivíduos, desde a planta até o homem.
Um efeito geral, uniforme e constante, há de ter uma causa geral, uniforme e constante; um efeito que atesta sabedoria e previdência há de ter uma causa sábia e previdente. Ora, uma causa dessa natureza, sendo por força inteligente, não pode ser exclusivamente material.
Não se nos deparando nas criaturas, encarnadas ou desencarnadas, as qualidades necessárias à produção de tal resultado, temos que subir mais alto, isto é, ao próprio Criador. Se nos reportamos à explicação dada sobre a maneira por que se pode conceber a ação providencial (cap. II, nº. 24); se figurarmos todos os seres penetrados do fluido divino, soberanamente inteligente, compreenderemos a sabedoria previdente e a unidade de vistas que presidem a todos os movimentos instintivos que se efetuam para o bem de cada individuo. Tanto mais ativa é essa solicitude, quanto menos recursos têm o indivíduo em si mesmo e na sua inteligência. Por isso é que ela se mostra maior e mais absoluta nos animais e nos seres inferiores, do que no homem. Segundo essa teoria, compreende-se que o instinto seja um guia seguro.
O instinto materno, o mais nobre de todos, que o materialismo rebaixa ao nível das forças atrativas da matéria, fica realçado e enobrecido. Em razão das suas conseqüências, não devia ele ser entregue às eventualidades caprichosas da inteligência e do livre-arbítrio. Por intermédio da mãe, o próprio Deus vela pelas suas criaturas que nascem. (A Gênese - O Instinto e a inteligência - Cap. II - Perg. 15)
Comentários: É comum encontrar pessoas que afirmam que os animais não possuem uma alma ou um espírito individualizado, mas, sim, uma alma coletiva (já comentada anteriormente).
Tendo uma alma coletiva ou sendo apenas a manifestação de uma "alma -grupo", o animal não chega a ser verdadeiramente um espírito. Por este raciocínio um cão nada mais seria que o reflexo desta alma-grupo e por isso, ele não pensa, não raciocina, não sente, não vive verdadeiramente, mas apenas representa um objeto.
Talvez este raciocínio se deva à observação de comportamentos que se repetem na natureza dentro das espécie como se uma força maior os direcionasse a repetir os movimentos instintivos, mesmo que aquele animal não tenha tido com outro, que pudesse observar para aprender atos repetitivos dos animais, de fato, não se devem exclusivamente a uma ação do corpo físico, mas a uma ação anterior determinada por Deus.
No entanto, até mesmo os seres humanos agem por instintos e apresentam alguns comportamentos repetitivos próprios de nossa espécie. Veja, o que diz o Livro dos Espíritos: "788. Os povos são individualidades coletivas que como os indivíduos, passam pela infância, pela idade da madureza e pela decrepitude". Nem por isso atribuiríamos aos seres humanos a falta de inteligência e sentimentos, ou nos atribuiríamos a nós mesmos as características de meros objetos.
Tais atitudes repetitivas e instintivas são recursos que o Criador dispõem aos animais para seu aprendizado e sobrevivência. Quanto mais primitivo é o ser, mais instintivo será. Por isso o enunciado diz: Tanto mais ativa é essa solicitude, quanto menos recursos têm o indivíduo de si mesmo e na sua inteligência. Por isso é que ela se mostra maior e mais absoluta nos animais e nos seres inferiores do que no homem.
69. Todas essas maneiras de considerar o instinto são forçosamente hipotéticas e nenhuma apresenta caráter seguro de autenticidade, para ser tida como solução definitiva. A questão, sem dúvida, será resolvida um dia, quando se houverem reunido os elementos de observação que ainda faltam. Até lá temos que limitar-nos a submeter às diversas opiniões ao cadinho da razão e da lógica e esperar que a luz se faça. A solução que mais se aproxima da verdade será decerto a que melhor condiga com os atributos de Deus, isto é, com a bondade suprema e a suprema justiça. (A Gênese - Cap. III - Perg. 17)
Comentários: As atitudes instintivas são atribuídas às necessidades de manutenção da existência das espécies sem levar em consideração os atributos dos espíritos. No entanto, sejam quais forem as explicações para o comporrtamento do indivíduo instintivo, será de acordo com a Bondade e Justiça Divina, pois Deus é Soberanamente Bom e Justo. Nada faria se não servisse à evolução espiritual. Por isso mesmo atribuindo, hipoteticamente, aos animais, apenas instintos, estes, por intermédio deles, acabariam desenvolvendo alguma inteligência que os habilitaria, algum dia, a entrar para outra categoria evolutiva na qual pudesse desenvolver o raciocínio. É a Lei do Progresso.
70. Sendo o instinto o guia e as paixões as molas da alma no período inicial do seu desenvolvimento, por vezes aquele e estas se confundem nos efeitos. Há, contudo, entre esses dois princípios, diferenças que muito importa se considerem.
O instinto é guia seguro, sempre bom. Pode, ao cabo de certo tempo, tornar-se inútil, porém nunca prejudicial. Enfraquece-se pela predominância da inteligência.
As paixões, nas primeiras idades da alma, têm de comum com o instinto o serem as criaturas solicitadas por uma força igualmente inconsciente. As paixões nascem principalmente das necessidades do corpo e dependem, mais do que o instinto, do organismo.
O que, acima de tudo, as distingue do instinto é que são individuais e não produzem, como este último, efeitos gerais e uniformes; variam, ao contrário, de intensidade e de natureza, conforme os indivíduos. São úteis, como estimulante, até à eclosão do senso moral, que faz nascer de um ser passivo, um ser racional. Nesse momento, tornam-se não só inúteis, como nocivas ao progresso do Espírito, cuja desmaterialização retardam. Abrandam-se com o desenvolvimento da razão. (A Gênese - Cap. III - Perg. 18)
Comentários: Tanto os instintos quanto as paixões são importantes para a sobrevivência dos seres primitivos. Ambos em conjunto movem o ser a se esforçarem por sobreviver neste mundo físico hostil. Com isso evolui. No entanto à medida que a razão cresce e a inteligência do ser se sobrepõe àqueles, forçando a elevação moral. Se, em certa altura da, evolução, principalmente na fase animal, depois que ecloda a razão, estes perdem parte de seu valor e dificulta a ação deste último, que precisa lutar contra suas influências para que elas não se tornem nocivas ao progresso do Espírito.
71. O homem que só pelo instinto agisse constantemente poderia ser muito bom, mas conservaria adormecida a sua inteligência. Seria qual criança que não deixasse as andadeiras e não soubesse utilizar-se de seus membros. Aquele que não domina as suas paixões pode ser muito inteligente, porém, ao mesmo tempo, muito mau. O instinto se aniquila por si mesmo; as paixões somente pelo esforço da vontade podem domar-se. (A Gênese - Cap. III - Perg. 19)
Comentáríos: Os instintos caracterizam-se por ações padronizadas, típicas de determinadas espécies, porém, as paixões são caracterizadas por ações particulares do indivíduo, que ainda não se notabiliza pelo uso da razão. Enquanto os instintos se extinguem automaticamente pelo uso da razão, as paixões necessitam de um esforço da vontade para deixar de agir sobre nossa vontade. Nos animais selvagens há predominância dos instintos, enquanto nos domésticos, estes se mesclam com as paixões em certas proporções. À medida que se tornam mais humanizados estas paixões tendem a diminuir, mas somente deixarão de existir nas fases mais adiantadas da fase de humanidade plena.
72. Um é livre, o outro não o é (inteligência e instinto).
O instinto é guia seguro, que nunca se engana; a inteligência, pelo simples fato de ser livre, está, por vezes, sujeita a errar.
Ao ato instintivo falta o caráter do ato inteligente: revela, entretanto, uma causa inteligente, essencialmente apta a prever. Se se admitir que o instinto procede da matéria, ter-se-á de admitir que a matéria é inteligente, até mesmo bem mais inteligente _ previdente do que a alma, pois que o instinto não se engana, ao passo que a inteligência se equivoca. (Gênese - Cap. III - Perg. 12)
Comentários: O instinto, como vemos, não é algo pernicioso e nem demonstra somente atraso moral, pois é também uma espécie de inteligência, que é atributo do espírito. Lembre-se de que mesmo o ser humano possui muitos instintos ainda.
73. Se os animais são dotados apenas de instinto, não tem solução o destino deles e nenhuma compensação os seus sofrimentos, o que não estaria de acordo nem com a justiça, nem com a bondade de Deus. (A Gênese - Cap. III - Perg. 12)
Comentários: Dizem que os animais somente agem por instintos e que não são dotados de inteligência, raciocínio nem sentimentos. Este é um conceito defasado, pois a ciência já provou o contrário. Se se considerar que os animais sejam apenas instintivos e nada percebem do ambiente onde vivem, de que valeria todo o sofrimento por que passam? Deus não estaria sendo justo com estes Espíritos se não lhes permitissem aprender com as adversidades, Deus seria injusto, pois se assim fosse, eles sofreriam sem um motivo e não lhes seria reservado um futuro melhor. Mas pelo enunciado, os instintos permitem evitar maiores sofrimentos para que a inteligência, assimile o que foi aprendido para proveito futuro, ao longo da evolução.
74. O exercício das paixões constitui uma necessidade para o efeito da conservação da espécie e dos indivíduos, materialmente falando. Mas, uma vez saído desse período, outras necessidades se lhe apresentam, a princípio semimorais e semimateriais, depois exclusivamente morais.
É então que o Espírito exerce domínio sobre a matéria, sacode-lhe o jugo, avança pela senda providencial que se lhe acha traçada e se aproxima do seu destino final.
Se, ao contrário, ele se deixa dominar pela matéria, atrasa-se e se identifica com o bruto. Nessa situação, o que era outrora um bem, porque era uma necessidade da sua natureza, transforma-se num mal, não só porque já não constitui uma necessidade, como porque se torna prejudicial à espiritualização do ser.
Muita coisa, que é qualidade na criança, torna-se defeito no adulto. O mal é, pois, relativo e a responsabilidade é proporcionada ao grau de adiantamento.
No homem, só em começo da vida o instinto domina com exclusividade; é por instinto que a criança faz os primeiros movimentos, que toma o alimento, que grita para exprimir as suas necessidades, que imita o som da voz, que tenta falar e andar. Nos próprios adultos certos atos são instintivos, tais como movimentos espontâneos para evitar um risco, para fugir a um perigo, para manter o equilíbrio do corpo, tais ainda o piscar das palpebras para moderar o brilho da luz, o abrir maquinal da boca para respirar etc. (A Gênese - O Instinto - Cap. III)
Comentáríos: O exercício das paixões é importante aos seres primitivos, encarnados, para se preservarem no mundo físico. São os instintos impostos pela influência do nosso corpo físico ao nosso espírito. Esta influência é essencial para a sobrevivência deste que ainda vive em uma fase primitiva de sua evolução. Nós já estivemos nesta fase, quando estagiamos nas fases primitivas de nossa existência.. Mas à medida que progredimos e passamos para fases mais adiantadas, aquela influência que nos foi benéfica à sobrevivência passa a ser um empecilho ao nosso crescimento moral, pois o nosso crescimento moral está na proporção inversa a essa influência física sobre nós. Esta influência instintiva, que nos foi cara nos primórdios de nossa existência, passa a ser um entrave à nossa evolução a partir do momento em que a razão ganha espaço.
75. Estudando-se todas as paixões e, mesmo, todos os vícios, vê-se que as raízes de umas e outros se acham no instinto de conservação, instinto que se encontra em toda a pujança nos animais e nos seres primitivos mais próximos da animalidade, nos quais ele exclusivamente domina, sem o contrapeso do senso moral, por não ter ainda o ser nascido para a vida intelectual. (A Gênese - Origem do Bem e do mal - Perg. 10)
Comentários: Este enunciado mostra que não somos, realmente, seres criados, à parte. Este mostra que não somente passamos pelas "fieiras da animalidade" como ainda mostramos em nossas personalidades muitas características instintivas que trazemos do estágio que fizemos nas categorias animais anteriores a que nos encontramos hoje. Agimos ainda movidos peIos instintos de conservação como faz um animal, que consideramos primitivos.
76. O instinto se enfraquece, à medida que a inteligência se desenvolve, porque esta domina a matéria. O Espírito tem por destino a vida espiritual, porém, nas primeiras fases da sua existência corpórea, somente a exigências materiais lhe cumpre satisfazer e, para tal. (A Gênese - Origem do Bem e do Mal)
Comentários: Por meio dos estágios que já fizemos nos diversos reinos da natureza e neste pelo que ainda estamos passando, nós vamos aprendendo a controlar a ação que a vontade do corpo (matéria) tem sobre a vontade do espírito que deveria comandá-la. À medida que nós como espíritos, aprendemos e aproveitamos em nós mesmos as lições sobre moral, nos desligamos da influência física e instintiva impressa pelo corpo. Algumas pessoas não aceitam esta tese de que há uma ação do corpo sobre o espírito, mas a influência inegavelmente, existe.
Segundo o Espírito da Verdade o corpo é um ser dotado de vitalidade e de instintos, porém ininteligentes estes e restritos ao cuidado que a sua conservação requer. Enquanto o corpo possui apenas instinto de sobrevivência, o espírito, que é imortal, aprenderá controlar totalmente, ao longo de sua jornada evolutiva, tal influência instintiva.
77. 189. Desde o início de sua formação, goza o Espírito da plenitude de suas faculdades?
R: Não, pois que para o Espírito, como para o homem, também há infância. Em sua origem, a vida do Espírito é apenas instintiva. Ele mal tem consciência de si mesmo e de seus atos. A inteligência só pouco a pouco se desenvolve. (O Livro dos Espíritos - Cap. IV - Perg. 189)
Comentáríos: Se o ser humano fosse criado como é, isto é, como ser humano sem ter passado pela fase animal, não teria exclusivamente instintos em nenhuma época de suas existências encarnadas. Isso dá prova de que os seres humanos passam pela fase de animalidade antes de entrar na fase de humanidade.
78. Poder-se-á dizer que os animais só obram por instinto? Ainda aí há um sistema. É verdade que na maioria dos animais domina o instinto. Mas, não vês que muitos obram denotando acentuada vontade? E que têm inteligência, porém limitada. Não se poderia negar que, além de possuírem o instinto, alguns animais praticam atos combinados, que denunciam vontade de operar em determinado sentido e de acordo com as circunstâncias. (O Livro dos Espíritos - Os Animais e o Homem - Perg. 593)
Comentários: Atualmente diversos estudos vêm sendo desenvolvidos por cientistas que comprovam a inteligência e sentimentos nos animais. Rupert Sheldrake comprovou esta tese com suas pesquisas publicadas há alguns anos.
Mas não somente a ciência, que em geral é aliada das teses espíritas, pois os espíritos confirmam isso. Erasto, um espírito, diz, no Livro dos Médiuns: "Reconheço perfeitamente que há nos animais aptidões diversas que certos sentimentos, certas paixões, idênticas às paixões e aos sentimentos humanos, se desenvolvem neles que são sensíveis. Recentemente um cão da raça Beagle recebeu um prêmio por ter salvado a vida de sua dona ao telefonar para o serviço de emergência, quando ela estava tendo uma crise cardíaca. Este ato desta Beagle não é uma atitude instintiva, mas inteligente.