OS TRÊS REINOS

OS MINERAIS E AS PLANTAS

79. Que pensais da divisão da Natureza em três reinos, ou melhor, em duas classes: a dos seres orgânicos e a dos inorgânicos?
Segundo alguns, a espécie humana forma uma quarta classe. Qual destas divisões é preferível? Todas são boas, conforme o ponto de vista. Do ponto de vista material, apenas há seres orgânicos e inorgânicos. (O Livro dos Espíritos - Dos Três Reinos - Perg. 585)

Comentários: A ciência classifica os seres físicos em seres orgânicos e inorgânicos. Dentre estes há a divisão em seis reinos: o reino mineral, das bactérias, dos protozoários, dos fungos, vegetais e animal. O Reino Hominal, para a ciência, não existe, pois o ser humano é um animal. O reino hominal é classificação moral, que somente existe no meio espírita.

No entretanto, existem, por exemplo, seres intermediários.

Há os vírus que seriam os intermediários entre os seres inorgânicos e orgânicos. Os fungos seriam os intermediários entre os vegetais e os animais. Existem muitas outras formas intermediárias entre um e outro reino.

80. Do ponto de vista moral, há evidentemente quatro graus. (O Livro dos Espíritos - Dos Três Reinos)

Comentários: Do ponto de vista moral, o ser humano encontra-se isolado, ao menos em nosso planeta, pois é o único que atingiu este patamar que o diferencia moralmente dos outros seres que convivem conosco. No Reino Hominal como querem alguns é o que se encontra o ser humano como único representante.

81. Esses quatro graus apresentam, com efeito, caracteres determinados, muito embora pareçam confundir-se nos seus limites extremos. A matéria inerte, que constitui o reino mineral, só tem em si uma força mecânica. (O Livro dos Espíritos - Dos três reinos)

Comentarios: Na Codificação, encontramos que até mesmo no reino mineral o princípio vital está presente, mas encontra-se em forma latente, como se fossem seres orgânicos, mas se constitui de matéria sem vida orgânica. Mas como é difícil determinar os limites entre os reinos, encontramos os vírus, que poderiam ser estudados pela mineralogia, no entanto se reproduzem; as plantas carnívoras capturam seu alimento, como se fossem animais; há animais que agem de forma inteligente e sensível como se fossem humanos.

82. As plantas, ainda que compostas de matéria inerte, são dotadas de vitalidade. Os animais, também compostos de matéria inerte e igualmente dotados de vitalidade, possuem, além disso, uma espécie de inteligência instintiva, limitada, e a consciência de sua existência e de suas individualidades. O homem, tendo tudo o que há nas plantas e nos animais, domina todas as outras classes por uma inteligência especial indefinida, que lhe dá a consciência do seu futuro, percepção das coisas extramateriais e o conhecimento de Deus. (O Livro dos Espíritos - Dos três reinos)

Comentários: O Espiritismo fala principalmente aos simples. Por isso não procura se aprofundar em detalhes e exceções, mas a ciência já nos provou que até mesmo as plantas possuem certo grau de psiquismo. Esta tese foi provada por cientistas como Peter Tompkins e Christopher Bird. Portanto já não podemos dizer que os vegetais sejam apenas matéria inerte apenas com vitalidade, mas seres que possuem rudimentos de inteligência, que se assemelham a de alguns animais primitivos. As plantas carnívoras são exemplos disso.

Os animais possuem, além da matéria inerte, também inteligência. Esta já pode ser percebida mesmo nos animais primitivos e simples. Nos animais superiores como os golfinhos, cães, cavalos, encontramos, como já mencionamos, inteligência em graus variados que podem se aproximar daquela que possui certas pessoas, mas não a inteligência média dos seres humanos, que, além de inteligência, possui maior consciência moral e espiritual. Digo maior, pois há animais que também demonstram ter rudimentos de moralidade.

83. Têm as plantas consciências de que existem?

"Não, pois que não pensam; só têm vida orgânica". (O Livro dos Espíritos Parte 2-ª - Capítulo XI - Perg. 586)

Comentários: Peter Tompkins e Christopher Bird mostraram que plantas têm algo que se parece com medo. Este comportamento é uma demonstração de uma característica considerada própria dos animais, ou seja, instinto de sobrevivência. No Livro dos Espíritos, encontramos:

O instinto é uma espécie de inteligência. Portanto, se as plantas possuem instintos de sobrevivência, então podemos dizer que possuem não somente vida orgânica, mas também inteligência, ainda que muito rudimentar.

A ciência mostra que mesmo os microorganismos como as bactérias e os vírus possuem algum rudimento de inteligência.

84. Algumas plantas, como a sensitiva e a dionéia, por exemplo, executam movimentos que denotam grande sensibilidade e, em certos casos, uma espécie de vontade, conforme se observa na segunda, cujos lóbulos apanham a mosca que sobre ela pousa para sugá-la, parecendo que urde uma armadilha com fim de capturar e matar aquele inseto. São dotadas essas plantas da faculdade de pensar? Têm vontade e formam uma classe intermediária entre a Natureza vegetal e Natureza animal? Constituem a transição de uma para outra? Tudo em a Natureza é transição por isso mesmo que uma coisa não se assemelha a outra e, no entanto, todas se prendem umas às outras. As plantas não pensam; por conseguinte carecem vontade.

Nem a ostra que se abre, nem os zoófitos pensam: têm apenas um instinto cego e natural. O organismo humano nos proporciona exemplo de movimentos análogos, sem participação da vontade, nas funções digestivas e circulatórias. O piloro se contrai, ao contacto de certos corpos, para lhes negar passagem.

O mesmo provavelmente se dá na sensitiva, cujos movimentos de nenhum modo implicam a necessidade de percepção e, ainda menos, da vontade. (O Livro dos Espíritos - Parte 2ª - Capítulo XI - Perg. 589)

Comentários: Já comentamos anteriormente sobre as transições entre os reinos. Por falta de uma classificação científica mais elaborada, naquela época, classificaram certos seres pertencentes ao reino animal como se fossem seres intermedários entre o reino vegetal e o animal, por causa da aparência. O termo "zoofito" significa "animalplanta". Era o termo usado para classificar certos seres marinhos, como as anêmonas, por exemplo, que são animais e não possuem nenhuma característica vegetal exceto a vida fixa.

85. Não haverá nas plantas, como nos animais, um instinto de conservação, que as induza a procurar o que lhes possa ser útil e a evitar o que lhes possa ser nocivo? Há, se quiserdes, uma espécie de instinto, dependendo isso da extensão que se dê ao significado desta palavra. É, porém, um instinto puramente mecânico. Quando, nas operações químicas, observais que dois corpos se reúnem, é que um ao outro convém; quer dizer: é que há entre eles afinidade. Ora, a isto não dais o nome de instinto. (O Livro dos Espíritos - Parte 2ª - Capítulo XI - Perg. 590)

Comentários: Esta explicação confirma nosso comentário anterior sobre os instintos das plantas.

86. Nos mundos superiores, as plantas são de natureza mais perfeita, como os outros seres? Tudo é mais perfeito. As plantas, porém, são sempre plantas, como os animais sempre animais e os homens sempre homens. (O Livro dos Espíritos - Parte 2ª Capítulo XI - Perg. 591)

Comentários: No início de nosso trabalho, destacamos que, ao nos citarmos a animais, estaríamos fazendo referência aos seres espirituais que habitam corpos físicos da categoria animal. Neste enunciado, o Espírito de Verdade esclarece, ao citar que "plantas porém, são sempre plantas, como os animais sempre animais e os homens sempre homens", a corpos físicos e não ao ser espiritual que o habita. Se considerarmos que estes seres serão sempre os mesmos não haverá evolução. Deste modo, assim como as plantas não evoluirão para animais, estes nunca evoluirão para o reino hominal, como já foi citado anteriormente, se houvesse evolução, este enunciado do Espírito da Verdade estaria em contradição com outro que diz, que o Espírito evolui do átomo ao arcanjo: É assim que tudo serve, que tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, que também começou por ser átomo (Parte 2ª - Capítulo IX - O Livro dos Espíritos). Neste último, se referindo ao ser espiritual, que evolui do átomo (ou principio inteligente individualizado), passando pelos vários reinos até atingir o reino Hominal e prosseguir além e chegar ao arcanjo.

Marcel Benedeti