SER À PARTE

146. Ter-se-ão enganados os Espíritos que disseram constituir o homem um ser à parte na ordem da criação?

R: Não, mas a questão não fora desenvolvida. Demais, há coisas que só a seu tempo podem ser esclarecidas. O homem é, com efeito, um ser à parte, visto possuir faculdades que o distinguem de todos os outros e ter outro destino.

A espécie humana é a que Deus escolheu para a reencarnação do seres que podem conhecê-lo. (O Livro dos Espíritos - Perg. 610)

Comentários: Este enunciado exige um certo cuidado para não cairmos no orgulho, pois poderá parecer que somos realmente criações independentes do resto do Universo. Isso levaria algumas pessoas a extremarem seus orgulhos.

O ser humano, como espírito encarnado, é o mesmo Espírito que viveu entre os primitivos seres do Universo e elaborou-se no trabalho da evolução e conseguiu se distinguir dos demais seres que se encontram nas fases anteriores, pois o espírito humano consegue distinguir com mais facilidade o certo e o errado e o bem e o mal além de compreender que existe algo além do mundo físico, isto é, consegue perceber que há algo maior que a Natureza e maior que o Universo, que é Deus.

Esta percepção não há nos animais. Isto nos diferencia deles, mas isso somente foi adquirido ao longo de trabalhoso trajeto de nosso espírito entre milhões de reencarnações em seres primitivos.

Por sermos os únicos a passar para a fase de humanidade: sermos os únicos representantes, ao menos neste mundo, do reino hominal, então podemos nos considerar como seres à parte neste sentido.

À medida que o Espírito primitivo vai se adquirindo maior entendimento, ele se torna mais elaborado e exige corpos cada vez mais complexos a fim de expor o potencial máximo de si.

O ser que vive no corpo de um animal, ao atingir um certo grau de perfeição, recebe em próxima reencarnação um corpo mais adequado ao seu novo nível de evolução.

Ao evoluir mais, ele poderá reencarnar em outra espécie, ou outro corpo mais adequado do que o anterior. Isso se sucede repetidas vezes até que atinja a fase de humanidade, em que receberá corpos humanos, que são próprios à nossa manifestação máxima, como seres espirituais, porque é o modelo corporal físico mais adequado a este nosso grau evolutivo.

Marcel Benedeti