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- HISTÓRICO |
ENUNCIADOS:
1 °) Não pode haver redenção,
isto é, libertação espiritual, sem as transformações
morais que levam à eliminação de vícios e
defeitos e à aquisição e desenvolvimento de virtudes cristãs;
2°) A Escola de Aprendizes do Evangelho visa
exclusivamente esses altos e fundamentais objetivos;
3°) Essas transformações se operam com a REFORMA
ÍNTIMA, da qual a vivência do Evangelho de Jesus é
condição essencial.
I - HISTÓRICO:
Observando
o mundo de hoje, vemos como cresce a descrença nas almas, e o materialismo,
com apoio da ciência oficial, caminha a passos largos, desvelando a Natureza
e exercendo poderosa influência sobre as massas humanas desorientadas,
principalmente sobre os jovens.
Também vemos como se desprestigiam rapidamente as religiões e
as filosofias anódinas, vazias de sentido espiritualizante. E como, em
consequência, cada dia que passa a humanidade se torna menos virtuosa
e nobre, oferecendo largo campo ao alastramento dos instintos, ao invés,
como seria lógico, de se engrandecer em sabedoria e moralidade; como
se ampliam as desavenças entre os homens, que se esmeram em agressividades,
ao invés de se irmanarem como devem pelas origens comuns nos planos divinos.
Nesse avolumar de negatividades, o Deus verdadeiro — Criador e Pai Universal
— torna-se cada vez mais distante, e o Divino Redentor vai sendo relegado
à condição de mito. E por que ocorrem tais fenômenos?
O natural não seria exatamente o contrário, isto é, mais
fraternidade e melhor vivência? Certamente que sim. Mas isso decorre do
precário e geral desconhecimento da vida espiritual verdadeira, substituído
como tem sido, por religiões que, de certa forma, falharam e
de filosofias que se perderam em abstrações e complexidades intelectivas;
e, também, porque a ciência, desprezando o elemento "espírito",
muito embora o tenha sempre à vista, permanece na periferia das verdades
definitivas e das leis universais que regem a Criação Divina;
penetrou a matéria bem fundo mas, como é natural, não obteve
ainda respostas às suas indagações restritivas; canalizaram-se,
em consequência, para a violência e o ódio, as energias que
deveriam ser orientadas no sentido do amor e da harmonia.
Daí supor-se, e com razão, que a ciência continua, como
sempre foi, rigidamente obstinada na materialidade e as filosofias fantasiam
demais por saberem de menos. Assim: - No Ocidente e proximidades:
as religiões ditas cristãs e outras, encerradas em dogmas e exterioridades,
nada podem oferecer agora, de verdadeiramente espiritual, aos homens mais esclarecidos;
ou, aferradas à letra dos textos, se fecham, em exclusivismos, imobilizando-se
em divagações teológicas obscuras e subterfúgios
aleatórios, tornando-se incapazes de evoluir.
E no Oriente: prevalecem mitologias religiosas
de caráter popular com ensinamentos de inegável valor iniciático,
mas altamente introspectivos, que exigem demorado amadurecimento psíquico,
custosos esforços de interiorização, com desprendimento
excessivo do meio ambiente, do que resultam desequilíbrios e visões
deformadas que não correspondem às necessidades normais da vida
encarnada.
E tudo isso vai chegando agora ao desaguadouro cósmico do selecionamento
cíclico que, como é de lei, acarreta sempre mudanças substanciais
na vida da humanidade e do planeta que habitamos. Há, pois, plena
evidência da necessidade de uma volta urgente ao passado; aos ensinamentos
simples e claros de Jesus, que conciliam as conquistas da Ciência e as
abstrações da Filosofia com as realidades espirituais, isto é,
da vida moral com a material, e apontam as condições justas que
permitem viver e progredir sem abstenções ou fugas, assegurando
aos seres humanos o benefício de poderem evoluir pacificamente, dando
a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
É tempo de voltar à origem dos conhecimentos provindos diretamente
de Jesus, difundidos nas primeiras décadas após sua morte e testemunhados
pelos cristãos primitivos, antes do surgimento das inúmeras seitas
divergentes, engolfadas, por fim, no século IV, na codificação
do Catolicismo Romano.
Os espíritas, sobretudo os jovens, deixam-se empolgar
por fortes atrativos da vida moderna, com dominação excessiva
das paixões naturais; enlevam-se em demasia com a "forma",
entronizando o sexo em altares pagãos; rebelam-se contra as leis; criam
hábitos exóticos perniciosos; deixam-se arrastar pela licenciosidade
aberta, incompatível com a harmonia e a beleza, mas afim com primitivismos
já ultrapassados.
Tudo por falta de conhecimentos espirituais autênticos, ideais elevados,
dignos e enobrecedores, que estimulam no bom sentido, geram confiança
e fé em si mesmos, já formulados, aliás há séculos,
e postos à prova pelo tempo, em regras de sábia vivência,
pelo Divino Redentor.
Os que conseguiram compreender a excelsitude desses ensinamentos, tão
desvirtuados por conveniências sectárias, encontrarão ali
o ideal que lhes falta e que procuram: a espiritualidade sem dogmas, abstrações,
mistérios e vãs promessas; e sábias regras de conduta,
que lhes darão à vida direção realizadora no sentido
do bem, no presente e no futuro.
E os que, saturados de descrença, desenganados de religiosidades exteriores,
tenham o coração vazio de esperança, encontrarão
na Doutrina o alimento substancial para suas almas, desde que lhe penetrem a
verdadeira essência e o alto sentido espiritual.
Doutrina completa, versátil e eclética nos
seus três aspectos de filosofia, religião e ciência, ela
é a vivência que se torna padrão na hora atual do mundo,
apta a solucionar inúmeros problemas humanos, de forma racional, inteligente
e proveitosa à evolução planetária.
Parafraseando Paulo de Tarso, quando disse que se pode
ter muitos dons, mas que se não tivermos caridade nada seremos, podemos
também dizer que seja o que for que fizermos, se não nos transformarmos
moralmente, nada teremos feito de definitivo, isto é, se não nos
evangelizarmos, não nos redimiremos, não nos libertaremos das
encarnações punitivas, em mundos baixos como este em que vivemos
hoje e onde reinam a dor, a miséria, a maldade e a morte.
E há apoios fortes a essa afirmativa, bastando dizer que, ao tempo de
Jesus, o mal dominava como domina hoje (obviamente em
muito menor extensão) mas os recursos que o Divino Mestre recomendou
para acudir aos homens e encaminhá-los, não foram os do campo
intelectual, que não era o principal, mas sim e sempre os de reforma
moral; pois é sabido que, nas esferas inferiores, as legiões
do mal são dirigidas por Espíritos, muitas vezes, altamente intelectualizados;
e, em nosso próprio mundo encarnado, vemos que os mais inteligentes nem
sempre são os maiores expoentes de moralidade.
A sombra do Evangelho cristão, na forma codificada no século IV,
cobre ainda vastas áreas do mundo ocidental, que têm vivido até
hoje com meias verdades; e o que existia nesses tempos remotos, no campo das
divergências doutrinárias, nas diversificações e
no sectarismo, existe ainda hoje, sem grandes melhorias, podendo-se dizer que,
do ponto de vista de religiosidade, a situação da humanidade pouco
evoluiu, conquanto apresente, em outros setores, numerosos e substanciais progressos.
Mas, considerando a fonte cristã de onde proveio esse Evangelho, pode-se
afirmar, em sã consciência, que as religiões dessa linha
cristã não foram úteis? Resposta: no que se refere à
vida política e social das nações onde existem, foram úteis,
mas não no que se refere às realizações
construtivas da espiritualização humana; possuem o mérito
inegável de terem ajudado a perpetuar o Evangelho conquanto modificado,
mas viveram dele e não para ele; esqueceram que a principal finalidade
dos ensinamentos é arrancar o homem da animalidade inferior e isso não
fizeram; que o essencial dos ensinamentos é a vivência da mensagem
crística, de amor universal e de paz, para todos os homens, e não
a supremacia de uns sobre outros.
Cuidaram de si mesmos e da própria sobrevivência
e não da redenção dos adeptos.
Nota: O Espiritismo não
critica nem combate outras crenças e, muito ao contrário, as respeita
e as vê de forma fraterna, por saber que correspondem sempre à
capacidade do entendimento e ao grau evolutivo de profitentes e dirigentes;
porém, como doutrina esclarecedora, analisa-as mais a fundo para poder
orientar convenientemente, sobre verdades incontestáveis que, aliás,
estão hoje suficientemente definidas no mundo.
Edgard Armond