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COMENTÁRIOS FINAIS |
1°)
Com o Velho Testamento os homens reverenciavam a Deus poderoso e punitivo que,
nos salmos e nas profecias, fazia-se presente às atividades humanas de
forma objetiva; mas
com Jesus abriram-se novos horizontes iluminados pelo amor, pela esperança
e pela certeza de uma vida mais feliz, nos reinos espirituais.
2°) Agir pelo Bem é como amealhar tesouros
que reverterão em nosso próprio benefício, quando deles
necessitarmos. Assim, nos celeiros de Deus, acumulamos recursos de vida feliz
para a eternidade.
3°) Obedecer às leis de Deus em tudo
e sempre, eis a sabedoria maior. Aqueles que ouvem e esquecem, constróem
na areia casas efêmeras que facilmente desmoronam; mas os que são
fiéis às leis, plantam alicerces firmes e jamais ficarão
ao relento; assim são edificações argamassadas com o amor
conforme Jesus ensinou, e que são eternas.
4°) Conforme disse um autor inspirado, a alma
do discípulo é como um reduto sitiado por forças hostis,
que buscam, infatigavelmente, abertura por onde penetrar; mas a vigilância
constante, pela comunhão espiritual e o coração limpo de
maldades, representam defesas invencíveis.
5°) Conservar a confiança em Deus e
prosseguir corajosa e persistentemente, nos caminhos traçados para a
espiritualizaçao própria, eis a atitude dos que querem vencer,
pois que as dúvidas e as vacilações retardam a marcha,
fazem perder tempo e são fontes perenes de sofrimentos evitáveis.
6°) Manter o bom ânimo e a alegria é
condição importante na luta pela espiritualização,
porque a inquietação e o temor causam grande dano, enfraquecem
a alma e a isolam das forças protetoras. A alegria espanca as sombras,
dá forças e restaura o equilíbrio psíquico.
7°) Recebam com amor a todos os que os procurem,
porque a muitos podemos dar alguma coisa de nós mesmos e bom será
que os necessitados guardem desses encontros lembranças favoráveis.
De tudo o que dermos receberemos de volta, centuplicadamente, bênçãos
e graças de eterno valimento.
8°) Nunca suponham os aprendizes serem demasiadas
as tarefas recebidas, pois que, se as receberam, é que poderão
suportá-las, porque a força do Divino Mestre reside em nós
quando agimos em seu nome e também porque Deus, como disse um venerável
instrutor, "quando põe sobre nossos ombros uma carga pesada, nos
ajuda a sustentá-la com seus próprios braços".
9°) Mesmo em meio às maiores dificuldades,
privações e fracassos, a presença dos seres amados traz
conforto e estímulo. Assim também deve ser em relação
ao Divino Mestre: sabendo que Ele estará sempre com seus discípulos,
isso conforta, estimula e traz alegria e paz de espírito.
10°) "Buscai primeiro o reino de Deus
e sua Justiça..." Não se deve buscar com ansiedade os bens
do mundo, porque são transitórios e efêmeros.
Nos mundos inferiores os homens buscam, em primeiro lugar, as coisas materiais,
e só em certas circunstâncias as do espírito. Mas as primeiras
são nos dadas por Deus segundo nossas necessidades de momento e conveniências
encarnativas, ao passo que às últimas cabe a nós conquistá-las,
aperfeiçoando-nos espiritualmente, para a vivência eterna.
"Cuidai das coisas do espírito que das materiais cuidaremos nós"
dizem os benfeitores espirituais, duma forma alegórica, para nos advertirem
dessas verdades.
11°) "Não importa que choremos
de noite — afirma um instrutor espiritual — se as alegrias voltam
pela manhã com as luzes deslumbrantes de sol". Essa é a chama
da esperança que não morre e o estímulo para a retomada
infatigável dos esforços da ascensão para Deus.
12°) Não nos atemorizemos com as dificuldades
da vida, pois que elas são de todos os que vivem. Do alto de um morro,
donde enxergamos um vasto horizonte, como nos lastimarmos das canseiras da subida?
Agradeçamos, isso sim, a visão das metas, para as quais caminhamos,
pois que, se as vemos, é porque já estão mais próximas.
Igualmente rejubilemo-nos com os sofrimentos do passado, porque através
dele é que nos vieram as experiências e a sabedoria que nos trouxeram
até aqui onde estamos.
13°) Para os que lutam bastam as preocupações
e o peso das horas de cada dia. Se juntarmos a isso preocupações
sobre o passado e o futuro não aguentaremos a carga. Por isso mesmo é
que Deus cerra aos encarnados a cortina do tempo.
14°) O que se pede a Deus certamente que se
recebe desde que seja coisa justa, e nestes mundos inferiores, há muita
coisa a pedir para suportar a vida que neles se leva; mas o esforço próprio
deve preceder o pedido porque, na vida espiritual, quase tudo deve ser conquistado
e não solicitado.
15°) A compreensão do verdadeiro sentido
do Evangelho só se obtém com o amadurecimento do Espírito.
Com a compreensão surge na alma o ideal do aperfeiçoamento,
da espiritualização, e o aprendiz torna-se apto a realizar a reforma
íntima com perseverança e sinceridade.
A reforma não é um título que se
receba, mas uma transformação que se opera no mais íntimo
da alma, visando a libertação dos tormentos, misérias e
temores da vida inferior e a ascensão para mundos melhores, mais altos
e perfeitos.
Desenvolver esse ideal e criá-lo nas almas que ainda não o possuem,
essa é a verdadeira finalidade da Iniciação Espírita.
Entender de outra maneira é cometer erro paralisante do movimento ascensional,
retardar a evolução de milhares de almas irmãs, para as
quais o Divino Condutor mantém abertas as portas do seu Reino; porque
foi justamente para isso que semeou no mundo os insuperáveis ensinamentos
do seu Evangelho redentor.
Ao
encerrar este trabalho convém ainda perguntar:
Perg — Como consolidar a Fraternidade dos
Discípulos de Jesus e a Escola de Aprendizes do Evangelho, bases fundamentais
da iniciação?
Resp— Conservando e aperfeiçoando,
mas não modificando levianamente:
- a) a característica religiosa predominante;
- b) a filiação evangélica operante não somente
interpretativa;
- c) a finalidade fundamental redentora do trabalho;
- d) a obrigatoriedade do esforço de reforma;
- e) a formação cuidadosa de expositores e dirigentes que, preferentemente,
devem ter passado pelos mesmos graus de acesso;
- f) a multiplicação das escolas nas mesmas bases e finalidades.
Se isso for feito, grandes serão os frutos do trabalho comum e o Brasil
virá a ser, realmente, a pátria do Evangelho e a Doutrina dos
Espíritos alcançará seus alvos redentores, configurados
no binômio: amor e sabedoria.
Edgard Armon