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- A INICIAÇÃO ESPÍRITA |
Essa
situação refletia-se no Plano Espiritual ligado à direção
do planeta, sobretudo na parte referente ao nosso País, dada sua anterior
destinação, como núcleo da futura espiritualização
do mundo.
Para impulsionar o movimento doutrinário nesse rumo, realizar esse trabalho
de forma objetiva, em caráter iniciático e aberto ao povo em geral,
criou-se, então, na Federação, uma Iniciação
Espírita em três graus ou estágios sucessivos e complementares,
inspirada na situação existente na Palestina ao tempo de Jesus
e na Fraternidade Essênia, que foi o elemento espiritualmente organizado
que lhe deu franco e decisivo apoio em sua transcendente missão redentora.
A História, mas sobretudo as revelações que têm vindo
pelos canais mediúnicos, em nosso País e no estrangeiro, informam
detalhes pouco conhecidos dessa jornada inolvidável que culminou com
o sacrifício cruento da cruz e do qual o Evangelho emergiu como luz para
o futuro do mundo.
Examinando
bem as coisas e em humilde analogia, verificamos que nesse tempo, os que se
apresentavam a Jesus, sem aspirações bem definidas, eram acolhidos
como aprendizes, sem compromissos de trabalho efetivo; permaneciam junto d'Ele
ou periodicamente se aproximavam, limitando-se a ver, ouvir, aprender, formando
o agrupamento conhecido como "Os quinhentos da Galiléia",
grupo esse que se reduziu a setenta e dois quando se configurou e se tornou
patente a má vontade do clero judaico.
Aos membros desse grupo reduzido, que demonstravam maior compreensão
e fidelidade, Jesus atribuía tarefas menores e fornecia conhecimentos
de caráter geral religioso e, em certas ocasiões, permitia que
acompanhassem os discípulos mais fiéis em suas andanças
pelo país.
Dava-lhes
instruções que deixavam clara a necessidade da testemunhação.
"Ide e pregai", dizia-lhes, mas acrescentava:
"curai os enfermos, consolai os aflitos, afastai
os Espíritos malignos, dai testemunho de Mim", indicando-lhes
que a propagação não se faz somente com palavras.
Já prestavam, portanto, serviços efetivos, colaborando na propagação
das verdades espirituais, como verdadeiros servidores.
Esse grupo, à sua vez, reduziu-se a doze, quando se concretizaram as
ameaças do Sinédrio, cujos delegados interferiram nas pregações
com interpelações, protestos e outros meios coercitivos.
A estes últimos Jesus consagrou como apóstolos — mensageiros
— alterou-lhes os nomes, confiou-lhes conhecimentos mais aprofundados,
outorgou-lhes faculdades psíquicas, revelou detalhes mais importantes
sobre sua pessoa, sua missão redentora, sua hierarquia espiritual e seu
destino, ao término da tarefa, da qual os considerava autênticos
porta-vozes Seus.
Os mesmos doze, alguns dos quais ainda vieram a fraquejar nas horas difíceis
dos testemunhos, nos momentos dramáticos da prisão e da crucificação.
Os mesmos, vários dos quais, após a retirada do Mestre, permaneceram
inativos, desalentados, por mais de dez anos, até que despertassem para
as responsabilidades da propagação, como testemunhos vivos, e
se lançassem ao trabalho, dispersando-se pelos países vizinhos
ou remotos, do mundo então conhecido, e onde, em sua maioria, sofreram
e morreram nas tarefas piedosas e dignificantes.
Edgard Armond