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- ESQUEMA E FUNCIONAMENTO DA INICIAÇÃO ESPÍRITA
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Uma iniciação com base escolar, em três graus ou estágios, os dois primeiros efetivados em uma Escola de Aprendiz do Evangelho e o último, com estabilidade permanente e definitiva, em uma FRATERNIDADE DOS DISCÍPULOS DE JESUS.
INICIAÇÃO ESPÍRITA |
ESCOLA
DE APRENDIZES (GRAU DE) |
APRENDIZ | PREPARAÇÃO INDIVIDUAL | |||
| SERVIDOR | SERVIÇO E TESTEMUNHO | |||||
FRATERNIDADE
DOS DISCÍPULOS DE JESUS |
DISCÍPULO | APERFEIÇOAMENTO DOUTRINÁRIO | ||||
| COLABORAÇÃO LIVRE | ||||||
| TESTEMUNHO ATIVO NO MEIO SOCIAL |
FUNCIONAMENTO:
A - NA ESCOLA DE APRENDIZES:
- Inscrições
livres, sem restrições.
- Turmas sucessivas e independentes; programas e regras idênticas até
o final do aprendizado.
-
Ensino dividido em duas partes: teórica e prática - a primeira
para fornecer noções de doutrina e a segunda para a evangelização
propriamente dita.
Para a primeira não há exigências maiores de apuração
de resultados mas, para a última, ao contrário, há rigor
na condução e no controle da reforma íntima individual,
com todas as prioridades, por ser esta a razão fundamental da existência
da Escola. Ao final do primeiro estágio —
o de aprendiz — que é mais que tudo de ambientação
ao meio, adaptação ao regime escolar, conhecimentos gerais da
Doutrina e preparação pessoal, os aprendizes passam ao grau
de servidor, no qual já se exige a testemunhação,
com trabalhos em bem dos semelhantes, no campo coletivo, oferecido pela própria
Casa em seus numerosos departamentos de atividade pública ou, externamente,
à escolha do próprio servidor, caso possa ser atendida a preferência.
Ao fim deste segundo estágio os servidores, após um período
probatório de três meses, são transferidos para a Fraternidade
dos Discípulos de Jesus e iniciam, por conta própria e
inteiro livre-arbítrio, atividades independentes com programas por eles
mesmos organizados. Neste último estágio os discípulos
prosseguem nos seus esforços de aperfeiçoamento doutrinário,
em caráter facultativo, frequentando cursos e trabalhos adequados, dentro
ou fora da Casa sem, contudo, perderem os vínculos com a Fraternidade,
da qual são partes integrantes, em caráter definitivo.
Dotados de conhecimentos satisfatórios, teóricos e práticos,
estão habilitados a desempenhar com proficiência, as dignifïcantes
tarefas que lhes cabem nos dias atuais, como propagadores do Evangelho redentor,
confirmando os ensinamentos com exemplos pessoais, como nos tempos apostólicos.
Desde o início dos cursos. Fraternidades do Espaço colaboram nas
atividades da Escola, em tarefas específicas, como sejam: as culturais,
as referentes ao mediunismo, à reforma íntima, à proteção
da Casa, seus trabalhadores e familiares, aos atendimentos públicos para
benefício de necessitados, etc.
A colaboração é assídua, pronta e altamente proveitosa,
feita por número considerável de benfeitores espirituais e, em
grande parte, por causa disso, a partir da primeira aula os aprendizes, via
de regra, dão-se conta de uma cobertura espiritual carinhosa e constante,
que lhes traz bem-estar, estímulos e segurança. Esses
benefícios, inútil será dizer, não lhes são
prestados em caráter de privilégio, mas de auxílio para
manutenção da fé, do ânimo, e da confiança
própria, necessários ao processamento da reforma íntima,
desde que haja, bem entendido, da parte deles, sinceridade de propósitos,
firmeza de atitudes, desejo inalterável de espiritualização,
para se fazerem discípulos.
A progressão nos estágios sucessivos resulta da aplicação
perseverante dessas qualidades, da tenacidade no esforço, da capacidade
de realizações espirituais objetivas, da compreensão e
subordinação aos programas, o que é apurado pelos dirigentes,
por meios simples e justos, com plena consciência e colaboração
dos alunos, em observações semestrais, anuais e finais dos cursos,
em cada turma, separadamente.
Nessa Escola a reforma íntima é,
realmente, uma batalha que se trava no campo interno e que se vence, positivamente,
com recursos próprios e auxílio dos instrutores dos dois Planos,
fortemente empenhados no êxito dos esforços, que se tornam, assim,
comuns. E um forte sentimento de fraternidade e recíproca colaboração
liga, desde os primeiros dias, os componentes das turmas, criando-se, assim,
uma atmosfera de perfeita harmonia que se transforma, nas aulas e na vida individual,
em verdadeiro enlevo espiritual.
Essas
circunstâncias, todas de caráter psíquico, resultam, em
pouco tempo, na formação de uma mística, aliás indispensável
em qualquer agrupamento humano que vise fins religiosos; não uma mística
de crer cega e fanaticamente em algo, mas mística racional, que una para
a conquista de uma vitória comum, destinada, neste caso, não à
prática de um rito religioso, que não existe no Espiritismo, mas
à formação de um ideal religioso de elevada expressão
espiritualizante, coisa portanto muito diferente do que se possa pensar a respeito,
sem melhor exame.
No grau de aprendiz é indeterminado o número de alunos. O ensino
teórico baseia-se na série "Iniciação
Espírita" com aulas semanais e duração máxima
de duas horas, sobre noções de doutrina, sem rigores de apuração
de resultados, como já dissemos atrás.
No referente à reforma íntima, entretanto,
a apuração é indispensável e se faz por vários
meios, entre os quais podemos citar os temas, que são dados em todas
as aulas, para desenvolvimento em casa e explanação em classe,
temas que obrigam ao estudo dos textos doutrinários, desenvolvem a capacidade
de meditação e de interpretação e, nas explanações
em classe, revelam as inclinações, desenvolvem capacidade oratória,
combatem as inibições pessoais, e servem de estímulo e
emulação na conquista das virtudes morais que focalizam.
Ao
termo de cada aula, após as observações do dirigente da
turma, o Plano Espiritual se manifesta, através de médiuns adequados,
previamente escalados, que oferecem também sua apreciação
sobre o tema do dia, e conselhos e instruções necessárias
e úteis ao progresso de todos.
Em cada estágio os aprendizes preenchem testes, no princípio e
no fim dos períodos. No primeiro estágio o teste refere-se mais
propriamente a condições pessoais, servindo também, futuramente,
como meio de comparação dos progressos realizados. Em havendo
necessidade, os aprendizes são encaminhados a trabalhos da Casa, para
atendimentos pessoais, e nos casos de mediunidade, recebem assistência
competente, com frequência facultativa à Escola de Médiuns,
ou Cursos de Triagem mediúnica.
No segundo grau — de servidor — prosseguem
as aulas teóricas mas o aluno, já adaptado e possuidor de noções
gerais da Doutrina, é levado a práticas obrigatórias de
serviços aos semelhantes, com início de testemunhações
evangélicas, preferentemente na própria Casa, que lhes oferece
campo bastante amplo e diversificado. O servidor tem faculdade de optar pelo
setor que mais lhe agrade, conquanto seja levado a servir em todos, para complementação
de conhecimentos e maior aptidão para servir futuramente em quaisquer
circunstâncias, seja qual for o problema com o qual se defrontar.
Prosseguem os temas e os testes e os serviços prestados já passam
a constituir elementos de julgamento, para avaliação de aproveitamento
final. Se no currículo do 1° grau para eliminação de
vícios, estabelecem-se prazos curtos (6 a 8 meses) para os defeitos morais
— orgulho, egoísmo, avareza, etc. — não há
prazo a estabelecer; via de regra, ao transferirem-se os alunos para o estágio
de servidor, os defeitos que impossibilitem as tarefas do serviço no
plano coletivo devem ser atacados com o máximo rigor, em constantes e
assíduas tentativas de repressão, realizadas nas áreas
correspondentes, isto é, praticagem de virtudes opostas aos defeitos
a combater.
Se
o grau de aprendiz é de preparação e adaptação,
o de servidor já é uma luta aberta e constante, de franca testemunhação,
enriquecendo-se a caderneta individual com anotações próprias.
É neste estágio que o servidor aprende a conduzir-se com retidão
e alto sentido de responsabilidade pessoal, modificando seu modo de ver e de
sentir as coisas do mundo, em vivência efetiva de sentido evangélico.
Nesta altura já não possui vícios e seus defeitos estão
sendo francamente combatidos e vencidos; sua vontade desenvolveu-se, transformando-se
em força ativa à sua disposição, utilizada livremente
em seu benefício para atingir as metas fixadas.
Esse estágio tem singular importância, porque é o terreno
fecundo das decisões definitivas, sofrendo o servidor reações
íntimas de várias origens, como as do amor-próprio, do
apego aos bens materiais, e outras que lhe permitem definir-se ante si mesmo
e saber se prossegue ou desiste da caminhada difícil porém gloriosa,
que a evangelização exige dos que aspiram realizá-la. Até
aqui tem sido esclarecido e amparado, passo a passo, e deve agora começar
a agir deliberadamente contra suas falhas, em plena consciência e inteiro
livre-arbítrio.
Nas testemunhações muitos fracassam ao enfrentar os preconceitos
sociais, o desconforto pessoal, a redução de comodidade, as incompreensões,
os remoques, as advertências de amigos e familiares, profïtentes
porventura de outros credos. Neste grau de servidores já expõem
verbalmente seus lemas, diante dos demais, para se desembaraçarem e se
tornarem aptos aos trabalhos da difusão da palavra, quando discípulos.
Tomam parte nos trabalhos práticos para aprendizado e colaboração
pessoal, do que também serão feitas as devidas anotações
nas cadernetas individuais. São futuros discípulos que se armam
das qualidades e dos recursos morais que o título reclama para as futuras
atividades espirituais. Ao fim deste estágio transferem-se para a Fraternidade
dos Discípulos de Jesus e cessam, como já dissemos, as obrigações
escolares e as servidões de serviços obrigatórios; podem
afastar-se da Casa e organizar programas próprios de atividade pessoal;
prosseguir, caso queiram, na frequência a cursos de aperfeiçoamento
na própria Fraternidade, como, ainda, colaborar em qualquer dos departamentos
da Casa, como sejam:
a) assistentes de trabalhos públicos materiais e espirituais;
b) expositores de matéria, em quaisquer de seus cursos ou escolas, desde
que tenham qualidades para isso;
c) dirigentes de trabalhos práticos;
d) componentes do coral;
e) oradores em reuniões públicas, na Casa ou fora dela;
f) membros de órgãos administrativos ou direcionais da Casa.
É então quando se pode repetir para eles as palavras de Jesus:
"Ide e pregai... e dai testemunho de mim..."
Eis alguns dos temas propostos aos aprendizes nos dois estágios:
1°) As dores sangram no corpo, mas acendem
luzes nas almas.
2°) O sofrimento é um recurso do próprio
Espírito para evoluir, mas há outros mais suaves.
3°) O mundo desengana e justifica o pessimismo
de muitos; mas este julgamento é uma visão imperfeita.
4°) Face aos erros, paguemos o tributo devido
e nos libertemos logo.
5°) O homem retarda, porém a lei o impulsiona.
6°) A paz é uma conquista íntima
do Espírito em prova.
7°) A finalidade da vida é a glorificação
de Deus nas almas.
8°) O culto de um deus exterior é um
retardamento evolutivo.
9°) Sem desprendimento dos mundos materiais
não pode haver ascensão espiritual.
10°) "Deus não dá por medida".
11°) A verdade liberta e estimula para a redenção.
12°) Toda virtude que se conquista é
uma porta nova que se abre para um mundo melhor.
13°) Nos caminhos das realizações
espirituais não há quedas definitivas.
14°) A vida se afirma na ressurreição
da morte.
15°) Nos graus inferiores da evolução
somente os que sofrem compreendem, se humilham e se salvam.
16°) Caminhar com Cristo é superar a
morte, vencer a vida e ingressar, desde já, na eternidade.
17°) Somente após superar o transitório,
poderá o aprendiz conquistar a individualidade eterna.
18°) Servir com desprendimento, sem visar retribuições
do mundo, é viver com sabedoria.
19°) Cultivar o silêncio é lutar
pela paz interna, vencendo a agitação do mundo.
20°) Falar pouco e certo é dizer muito
em poucas palavras.
21 °) A vida é mudança; o dia
de amanhã será diferente e marcará a vitória, se
a diferença for para melhor.
22°) Não estacionar no Bem, nem progredir
no Mal.
23°) Para as conquistas de ordem espiritual
é bom que não haja nem entusiasmos nem desânimos.
24°) Nos caminhos de espiritualização
o progresso se mede em milímetros.
Edgard Armond