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- DIRETRIZES |
Como
é incompatível com a evangelização a posse de vícios,
mesmo os chamados "sociais", e defeitos,
mesmo os convencionais, os aprendizes devem, logo aos primeiros dias do estágio
inicial, organizar um quadro que indique o que deve ser eliminado e o que deve
ser conquistado.
Examinarão essas anotações em sua verdadeira significação
e profundidade, encarando as inferiodidades frente a frente e sem nenhuma idéia
de diminuição pessoal, considerando que todos os homens são
imperfeitos, porque essa é a condição natural dos Espíritos
que encarnam em mundos inferiores como o nosso; e que há um grande mérito
no pôr-se a descoberto e reconhecer honestamente as falhas que se possui;
e maior mérito ainda, o lutar por libertar-se delas, espiritualizando-se;
e que essa luta justamente representa um valor próprio posto em ação,
afirmando as qualidades do lutador e assegurando o êxito visado, ao final
do esforço.
Nesse exame o aprendiz assinalará as imperfeições que se
julga em condições de eliminar em primeiro lugar, começando,
naturalmente, pelas mais simples, menos arraigadas à constituição
psíquica ou física e, em consequência, organizará
seu plano pessoal para vencê-las ou, no mínimo, reduzi-las.
Aos vícios,
por exemplo, combaterá decididamente, porque são simples hábitos
e bastará dispor-se a isso para que sejam facilmente eliminados, por
processos conhecidos; o mesmo, porém não se dá em relação
aos defeitos morais, que exigem às vezes existências inteiras e
esforços tenazes para serem eliminados e, mesmo assim, sem garantias
completas de êxito definitivo.
Na escala dos vícios começará pelo fumo, que, muito embora
seja o mais simples e tolerável, causa prejuízos de vulto ao corpo
físico, pelo qual o Espírito encarnado é responsável
direto. Nos defeitos, começará pela má conduta em relação
aos semelhantes: os maus modos, a agressividade no falar e no agir, a rigidez
no trato, as maneiras rudes, desabridas, a intemperança, a negligência,
a impontualidade, o desprezo aos deveres da vida comum.
Evitará as más companhias, as aproximações desmoralizantes,
sobretudo com o sexo oposto, os costumes licenciosos e inúmeras outras
falhas conhecidas e reprováveis. Executará esse esforço
como um treinamento importante que levará seguramente aos resultados
desejados, em tempo que dependa da perseverança e do rigor empregados.
Não dará tréguas às acomodações, às
voltas atrás, ao hábito comum de protelar e deixar para amanhã,
na ilusão de que as coisas venham ao seu encontro gratuitamente, fugindo
assim às responsabilidades da ação pessoal deliberada e
imprescindível; e assim prosseguirá na rota traçada sem
se deter ou olhar para, trás, a não ser quando for necessário
balancear os resultados.
Para mudar a conduta exercitará a brandura, a delicadeza no trato, a
paciência no ouvir, a moderação no falar somente o necessário
e de forma clara e sincera. Reprimir os impulsos instintivos, as exibições
de força, os revides, mesmo em relação a opositores e desafetos
e acostumar-se com os contatos de qualquer espécie, com seres das mais
variadas condições e estados evolutivos, considerando que todos
somos irmãos, todos vivem, lutam e sofrem os mesmos quinhões de
provas reabilitadoras, lembrando-se que, como aprendiz do Evangelho, já
não pode mais proceder como a maioria dos homens.
Para os defeitos mais graves (o orgulho, por exemplo — em seus inúmeros
aspectos: presunção, amor-próprio, sentimento de separatividade,
vaidade, ostentação de riqueza e de poderes; o egoísmo,
nas suas formas conhecidas: avareza, apego excessivo aos bens materiais, insensibilidade
ao sofrimento alheio, frieza íntima e outros) deve o aprendiz desentocá-los
das profundezas da alma e aplicar-lhes o antídoto da conduta oposta:
para o orgulho, a humildade, discreta e firme,
sem subserviência ou ostentação ridícula; para
o egoísmo, a liberalidade no pensar e no agir, no dar-se e no
servir, sem preocupações de pessoas e em tudo o quanto for possível,
preservado sempre, entretanto, o equilíbrio do bom-senso e da prudência.
Essas anotações devem ser revistas no mínimo de seis em
seis meses, tomando nota dos resultados obtidos e voltando à carga para
as complementações aconselháveis; e tudo isso executado
de dentro para fora, por vontade própria, sem alardes ou exibições,
certo o aprendiz de que toda vez que conseguir eliminar um defeito estará,
por isso mesmo, adquirindo a virtude oposta correspondente.
Em todos os casos, o esforço aumentará seu poder de vontade, de
decisão, de realizações positivas, de capacidade de receber
e cumprir tarefas, de assumir responsabilidades e inspirar confiança
aos instrutores espirituais, que não perdem de vista e sustentam, de
todas as formas possíveis, as tentativas de melhoria.
E em nenhuma hipótese o aprendiz estará
agindo sob influência coercitiva, sugestões ou temores, provindos
do exterior, pois a Escola não lhe exige algo que não queira ou
não possa fazer, forçando seu livre-arbítrio; e tudo quanto
ela solicita é necessário e útil ao seu progresso espiritual,
para o qual, livre e espontaneamente, ingressou em seus quadros.
Edgard
Armond