A BROCA

Olha, meu filho, como a Natureza continua sendo para nós um repositório de exemplos e lições do Senhor na Terra.

Já ouviste falar do perigo das brocas, quando atacam um tronco de árvore?

A broca é uma espécie de lagarta que invade o cerne das árvores, através de um orifício que ela mesma faz na superfície do tronco, tão pequenino que ninguém a percebe atacando.

Por ali ela entra, sorrateira, invadindo o outro ser, e fica vivendo, oculta aos olhos dos homens, no interior da árvore, causando males ao vegetal, pois que vai furando-o e sugando-o por dentro, em todas as direções, alimentando-se da sua seiva e deixando afetada a vitalidade dos ramos, até que sobrevenha a morte da planta.

Isso aconteceu no quintal de André.

Certo dia, o ipê-amarelo de que sua mãe tanto gostava, começou a apresentar um aspecto triste, com galhos secos por toda a copa ...

O jardineiro, convidado a descobrir o motivo, acabou encontrando a custo uma perfuração de broca no pé da árvore amiga; e assim, alertada a respeito, a mãe de André teve tempo de providenciar o remédio salvador que foi introduzido no pequeno orifício original, exterminando a intrusa indesejável, antes que ela acabasse inutilizando a árvore preciosa.

Da mesma forma, no campo da humanidade, existe um micróbio terrível e tão ameaçador quanto a broca, o qual à primeira vista não aparenta perigo, mas que se instala, também invisível e sorrateiro, dentro da vida mental das criaturas, começando a abocanhar grande parte de seu bom ânimo e contaminando perigosamente toda a sua vida interior.

É esta praga denominada desânimo, ou sugestão infeliz, que, se deixas penetrar-te o mundo íntimo, lá permanece: pondo a perder grande parte de teus valores, impossibilitando tuas conquistas, azedando o teu ânimo, contaminado tuas idéias e esvaziando tua boa esperança, matando-te a fé e a confiança que são a seiva que te nutrem a alma, e por fim, tisnando o lago limpido de tua paz interior ...

Broca na planta, perigo de morte para o vegetal !

O desânimo, em ti, obsessor invisível, trabalhando em silêncio e ocultamente contra a vitória de tua vida !

Sê vigilante, portanto !

Não permita a entrada dessa broca negativa no tronco sadio de tuas construções no presente !

Preserva a tua saúde mental, esquivando-te de qualquer sugestão infeliz que procure pasto em teus pensamentos ...

Se aceitas a intromissão do parasita negativo em teu mundo íntimo, podes ter certeza que te roerá, com o tempo, fibra por fibra a saúde do coração e te arruinará lentamente a alegria dos pensamentos, envenenando-te o mundo interior, estragando-te os sentimentos, asfixiando as boas aspirações que te poderiam levantar para o Alto e matando-te pouco a pouco a chance de progredir sobre a Terra.

Vigilância no ambiente em que estás plantado, pois também nós estamos plantados, por ora, no jardim-escola da Terra, fazendo parte da espécie humana dentro da vida.

Existem as boas coisas, o vento amigo trazendo bons conselhos e sugestões sadias;

- o sol que nos aquece com o calor da amizade e o bem-querer dos irmãos que nos são caros;

- as flores que perfumem nossos momentos com beleza especial;

- as chuvas produtivas do trabalho, que nos encharcam com a oportunidade de crescer;

- os campos imensos da experiência, com seus variados tipos de terrenos;

- as diferentes paisagens, a nos facultarem o conhecimento e o enriquecimento de nossa sabedoria iniciante;

- o ar da vida;

- os seres arrugos;

- todos nutrientes e provedores de maior beleza para nossa produção.

Entretanto, entre as horas do mundo, é preciso tomar cuidado para não se deixar contaminar pelos sentimentos negativos.

Despreza as más leituras, as conversas maliciosas e mesquinhas, a raiva e a mágoa, as idéias de inutilidade, o espinho da revolta, a inaceitação perigosa, a sugestão para odiar alguém, o ciúme e as larvas escorregadias da mentira e da inveja ...

Aproveita somente o que é bom, para não vir a sofrer nenhum perigo.

O que é bom e sadio produz Luz, Felicidade e mais Vida !

Entretanto o que é mau contribuirá para a derrocada de teu próprio bem, como a broca no pé de árvore do quintal de André ...

Quanta tristeza, se o parasita mortal não tivesse sido eliminado a tempo !

Nem mais flores, nem mais passarinhos felizes em seus ramos, nem mais sombra, nem mais beleza! ...

MEIMEI