A LEI DO USO |
O desperdício, o abuso, é contrário à lei natural, à Lei Divina.
É Jesus que nos ensina isso, segundo o evangelista João, no episódio chamado de "a primeira multiplicação dos pães". Saciada toda a multidão. Jesus recomenda a seus discípulos: "recolhei os pedaços que sobraram, para que nada se perca".
Com um pequeno exercício mental poderemos montar o quadro da multidão faminta comendo pão e peixe. Homens, mulheres e crianças sentados no chão ou sobre pedras, saciando a fome.
E, saciada a fome, devido à fartura do alimento que lhes era dado, cada um foi se levantando deixando pedaços de pão e postas de peixe espalhados pelo chão. Podemos até imaginar que, aos primeiros bocados, ninguém escolhia entre este ou aquele pãozinho.
Mas, aos poucos, com a fome diminuindo, foram dando preferência a este pãozinho mais cozido em detrimento daquele outro menos assado.
Podemos, agora, ainda dentro do exercício mental, ver o local deserto, porém coalhado de pedaços de pão e postas de peixe. O povo foi embora saciado: amanhã terá fome novamente e dará tudo para ter à mão os pedaços que abandonou no campo quando se sentir de estômago cheio.
Acontece que amanhã aqueles pedaços se terão deteriorado ou terão sido devorados pelos animais. E o povo voltará: ter fome; e voltará a se desesperar.
Jesus, contudo, observando tudo de um lugar mais elevado; prevendo que amanhã o povo terá fome novamente, recomenda sabiamente: "recolhei os pedaços que sobraram para que nada se perca ! Dá-nos, assim, a sublime lição do uso contra o abuso, contra o desperdício.
Não recomendou à multidão que limitasse a quantidade de alimentos: deixou que todos comessem à vontade, que todos se saciassem. Mas, não permitiu que nada se perdesse, pois sabia Ele que o alimento que desperdiçamos hoje fatalmente nos fará falta amanhã.
Amanhã, famintos de novo, voltaremos ao campo do desperdício e não mais encontraremos os restos que a nossa invigilância lá deixou.
Esta lição pode ser aplicada a todas as coisas da vida, não apenas ao alimento. Tudo o que usamos, deve e pode ser usado. Não abusado. Assim, a riqueza, o sexo, a amizade, a saúde, a família, o trabalhador, o lazer, a palavra. Tudo está sujeito à lei do Uso. E toda transgressão a essa lei, pelo abuso, é punida pela própria Lei: amanhã seremos privados temporariamente de usar aquilo de que abusamos.
Valentim
Lorenzetti