A NOSSA INDEPENDÊNCIA

Neste ano de sesquicentenário da Independência do Brasil, os espíritas deveriam esforçar-se para mais divulgar a obra Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, de autoria do Irmão X , recebida mediunicamente por Francisco Cândido Xavier. Seu autor, encoberto pelo pseudônimo, é o Espírito Humberto de Campos, A obra nos revela a missão que foi confiada ao Brasil por Jesus: a de ser a pátria do Evangelho,já que de outras terras o Evangelho foi banido.

Desfilam pelo livro as mais respeitáveis personagens de nossa História, cada qual com uma missão: os nossos heróis do passado, que deixaram marcado o sulco para a abertura, que se faz no presente, da grande estrada do futuro. Por essa obra poderemos avaliar a essência do comportamento de muitas de nossas figuras históricas, a partir de D. Henrique, fundador da Escola de Sagres, berço dos grandes navegadores.

Brasil, coração do mundo, pátria do Evangelho deveria ser eleito o livro de 1972, recomendado por professores e autoridades, para espíritas e não-espíritas. Enfim, não se limita a obra ao campo da Doutrina Espírita; abrange todo o nosso povo, dá dimensão cósmica à nossa pátria. Não se trata de ufanismo do autor, mas do resultado de pesquisas feitas por ele no plano espiritual.

Realmente, nossa independência se completará - paralelamente à auto-suficiência econômico-financeira - com a nossa integração perfeita no campo do sentimento cristão. Se não nos integrarmos nesse campo, pelo nosso próprio esforço, de nada adiantarão as riquezas; seremos mais uma nação que teve nascimento, crescimento, apogeu e queda. Uma nação de independência provisória. As riquezas vão gerando orgulho e egoísmo - os dois fatores da queda após o apogeu. Esses dois fantasmas somente são afugentados pelo cultivo permanente do amor fraterno e da compreensão evangélica.

Jesus decidiu transplantar o Evangelho - o coração - para a nossa pátria. Cabe a nós manter aqui essa árvore benigna, fazendo-a frutificar. Nos custará muito caro abrirmos mão dessa concessão divina, encaminhando-nos para a frieza de sentimentos, colocando os interesses pessoais acima do interesse coletivo. Evangelho é como sangue: além de elemento vital para nós, circula em canalizações apropriadas. O sangue circula nas veias, artérias e capilares; o Evangelho só poderá circular pelo corpo de uma nação, vitalizando-a, se os seus membros (os homens) se comportarem como canais adequados a essa circulação. A adequação só se consegue com a prática da caridade e da compreensão fraterna.

Previsões de futuro radioso para o Brasil não terão nenhum sentido se nós, brasileiros, não nos dispusermos desde já a melhorar o cultivo do Evangelho em nosso coração. A semente, todos nós a temos; cabe a cada um cultivar o seu campo interior para provocar a germinação e a formação de uma boa árvore.

Uma nação realmente evangelizada, coração do mundo, por mais poderosa que seja, jamais usará seu poder para oprimir os fracos. Pelo contrário, sempre colocará sua força ao lado dos oprimidos, apoiando-os e estimulando-os ao trabalho de auto-recuperação. Um estímulo fraterno, sem ódios ou ressentimentos. Uma nação evangelizada distribuirá amor, irradiará paz. Como o coração, que distribui sangue para todo o corpo, a nação Pátria do Evangelho fará circular vida e harmonia para todas as outras.

E o que é uma nação? É a soma de seus habitantes. O Brasil somos nós, aqueles que aqui vivemos e aqui lutamos. A nação será evangelizada na medida à que formos nos evangelizando, nos reformando interiormente. E o trabalho de auto-evangelização e reforma íntima exige muito mais do que ficarmos sentados à espera do cumprimento de profecias maravilhosas; exige muito esforço e trabalho incessante de cada um de nós.

Valentim Lorenzetti