A OBRA ESPÍRITA |
Se a fé sem obras é morta, como disse o Apóstolo Paulo, a obra sem fé - sem um lastro religioso - dificilmente se sustentará. Toda obra social espírita deve, antes de tudo, ter um Centro Espírita como retaguarda: um Centro que seja o "quartel-general" a fornecer soldados firmes e bem treinados para o bom desenvolvimento do serviço.
Não queremos com isto dizer que a obra social espírita deva ser proselitista ou fazer discriminação religiosa no atendimento. Justamente por causa desse caráter universalista da obra social espírita é que seus colaboradores devem ter sólida formação doutrinária, devem estar filiados a um Centro onde recebam com clareza ensinamentos cristãos. Pois, como Cristianismo redivivo, o Espiritismo, no tocante à assistência social, procura seguir o ensinamento de Jesus expresso na Parábola do Bom Samaritano: aquele que reergue, balsamiza e apóia, sem se preocupar com a cor da pele do assistido ou com sua religião, nacionalidade ou filosofia política.
Sabe também o espírita que aquele que abraça o Cristianismo deve fazê-lo desprendido de quaisquer interesses subalternos, isto é, não para "aparecer" perante a sociedade como filantropo ou coisa parecida. Deve, apenas, servir. Servir e nada mais. Servir sem nunca esperar ser servido.
Por isso, toda obra necessita da retaguarda de um Centro Espírita. Do contrário, correrá o risco de se transformar numa reunião de pessoas, cada qual interessada em sobressair socialmente mais do que a outra. O Centro, realmente espírita, ensinará e convidará todos a testemunhar aquele sublime ensinamento: "aquele que se exalta será humilhado: aquele que se humilha será exaltado".
A Humanidade, hoje mais do que nunca, está realmente necessitada de retornar a ouvir os singelos ensinamentos do Mestre. As palavras simples, que convidam a profundas meditações e à reforma interior do homem. Esta é a grande tarefa atual da Doutrina Espírita: fazer brotar nos corações os ensinamentos de amor, paciência e fraternidade ensinados por Jesus há quase 2.000 anos. Esclarecimento, eis a palavra de ordem. Esclarecimento a partir dos trabalhadores da obra social, para que estes - evangelizados - possam testemunhar.
Os ensinamentos da Doutrina Espírita, quando assimilados pelo homem, jamais formam somente teóricos. Exigem testemunhação, vivência. Ensinam o homem a fugir das discussões vazias, embora às vezes muito inflamadas. Discussões que caracterizam as mãos vazias e mentes cheias de idéias ocas. Ocas porque não estão recheadas com a vivência.
Todo espírita deve exercitar o aprendizado, na prática do bem.
Por isso, é aconselhável que todo Centro Espírita, ou grupo de estudos, tenha uma extensão no campo do trabalho prático. Do contrário, correremos o risco de continuar eternizando a discussão em torno do "sexo dos anjos".
A obra social, contudo, é envolvente. Pode levar o indivíduo a fechar-se em torno somente do chamado "os meus pobres", a "minha tarefa assistencial", etc. Isso é perigoso: é antifraterno. Por isso, necessita sempre o trabalhador da obra social, da vinculação permanente à Doutrina Espírita. Para que essa vinculação o lembre permanentemente de que a caridade não é instrumento que fere ou separa, mas que consola e une.
Valentim Lorenzetti