A PRECIOSA REENCARNAÇÃO

"Real valor da reencarnação está ligado ao atendimento da lei do progresso".

Nos últimos tempos as especulações sobre o fenômeno da reencarnação têm crescido entre os leigos e quase sempre pessoas de pouco entendimento remetem perguntas àquelas que mais se familiarizam com tais conhecimentos. O foco maior está relacionado às curiosidades que afloram ao leigo, principalmente na procura do pretérito vultuoso, com busca na abordagem da origem, com enfoque em qual parte do globo provém, quem foi e que função exerceu, além da procura de literatura especializada para simplesmente solucionar o assunto. Esses aspectos são mais intensificados quando a mídia explora nas denominadas novelas, que se estende por longo tempo, atingindo facilmente todo o espectro social.

Um fato marcante e de fácil constatação é a crescente aceitação sobre a reencarnação, plenamente explicável pelo Espiritismo e que está associada ao ato que é concedido ao espírito em adquirir novas vestimentas carnais quantas vezes forem necessárias, para que tenha novas oportunidades de aprimoramentos espirituais, no sentido de reparar as faltas do pretérito, identicamente, outras religiões também têm seus princípios doutrinários baseados nas mesmas diretrizes. Porém, existe uma parcela razoável que simplesmente abomina esta idéia, utilizando vários argumentos, deixando a entender que não poderia conciliar-se com o dogma cristão. Em relação ao próprio Espiritismo, os ataques são mais diretos porque foi somente codificado a menos de dois séculos, o que difere dos pressupostos de que a denominada "verdadeira" religião foi criada por Jesus. Esquecem os interlocutores que Ele não tinha religião, jamais criou qualquer uma delas, apenas nos brindou em nome do Nosso Pai com uma moral nova.

Dentre os iniciantes e curiosos sobre a reencarnação, uma pergunta quase corriqueira exprime o temor do futuro, em possível vinda animando o corpo de um animal irracional, como pressupõe a metempsicose. Esta hipótese está totalmente descartada devido ao progresso já alcançado pelo espírito com aquisição perispiritual de forma humana. Um respaldo eloqüente desse princípio é claramente expresso através de O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, na questão 118: "Podem os Espíritos degenerar? - Não; à medida que alcançam, compreendem o que os distancia da perfeição. Quando o Espírito finda uma prova, fica com o conhecimento que não esquece mais. Pode permanecer estacionário, mas não retrograda". Na caminhada ascendente do espírito, o fluido de formação do ser humano já estagiou previamente na hierarquia animal irracional, antes do estágio atual.

Para se comprovar sobre a veracidade, a reencarnação está firmemente presente nas afirmações dos Evangelhos com total precisão que não deixa dúvidas: "Ele é o Elias que havia de vir" (Mateus), disse Jesus referindo-se a João Batista. Da mesma forma quando se refere aos judeus, pergunta Jesus a seus seguidores: "Que dizem eles do Filho do homem?" Os mesmos responderam - "uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou um dos profetas" (Mateus). Esses testemunhos dizem respeito às vidas anteriores, que podem ser sucessivas como bem estabelece a doutrina Espírita. Desde essas primeiras evidências até o momento atual, muitas são as descrições, as comprovações e os estudos que claramente comprovam a existência da pluralidade das existências.

O real valor da reencarnação está ligado ao atendimento da lei de proogresso do ser, exaltando os aspectos consoladores, dando ao espírito a oportunidade para que atinja o progresso moral e intelectual desejados. O que se espera é a marcha crescente de idas e vindas sucessivas para adquirir esse aperfeiçoamento. Nesta caminhada está inserido no comportamento, o trabalho espiritual e material, no sentido de servir ao próximo, com efêtiva aplicabilidade da caridade, no exercícío de solidariedade e tolerância.

As idéias iniciais sobre a doutrina das vídas sucessivas foram também de Sócrates, Platão e da escola de Alexandria, que seriam consideradas como as precursoras do Cristianismo. Porém, nesses primórdios, o ideal divino foi mergulhado na influência das práticas pagãs, como era de se esperar em uma sociedade politeísta. Os fiéis seguidores de Jesus que absorveram as pregações as praticaram na Casa do Caminho, aos poucos sentiram as modificações doutrinárias, com distanciamento das originais, em dos pontos discordantes era a reencarnação, bravamente defendido pelos cátaros, que muito desagradava os poderes dos dirigentes religiosos e temporais. Para contornar essa situação o poder religioso vigente tentou resolver o problema através de concílios, como o de Nícéia em 325, e no quinto deles, em Constantinopla em 553, o golpe de misericórdia foi decretado por marcante influência do poder temporal.

Segundo descrições da história parece que este foi um dos mais tumultuados concílios da igreja (E. C. Carrvalho, Allan Kardec o Druida Reencarnado, Eme Editora, 1998), principalmente por envolver o Imperador Justiniano e sua esposa Teodora. As atitudes ali vígentes confrontavam com a autoridade papal e mesmo os bispos da época, se esmeravam nos aprofundamentos teológicos frente ao próprio papa. Destaca-se aqui a figura da imperatriz Teodora, que fora uma cortesã e se imiscuía em todos os assuntos do governo, inclusive na própria teologia.

A imperatriz era desejosa em livrar-se do seu passado de meretriz, o que muito a desgostava, principalmente porque as ex-colegas sentiam orgulho em ter uma representante em posição política tão honrada. Para lívrar-se deste mal-estar, mandou eliminar as quinhentas existentes em Constantinopla. A voz do povo eclodiu com aceitação plena da reencarnação e passou a chamá-la de assassina, e, ainda mais, apregoava que a imperatriz deveria ser assassinada as mesmas quinhentas vezes em vidas futuras, para livrar-se do carma.

Teodora passou a odiar mortalmente a doutrina reencarnacionista, como seria de se esperar. Usou do seu poder de domínío sobre o marído e resolveu partir para a perseguição sem tréguas, atacando os defensores daquelas estranhas idéias. Como a doutrina da reencarnação pressupõe a da pré-existência do espírito, Justíníano e Teodora tentaram desestruturar esse princípio, o que estariam desestruturando ao da reencarnação. Influenciaram diretamente os participantes do concílio na tomada de posição e o imperador publica o édito em 554, em que condenava a existência de vidas sucessivas.

No decorrer da história os fatos se repetem em díferentes escalas. Assim, na tentativa em elimínar o amor entre os homens, espíritos das trevas insuflaram uma turba enfurecida para levar à crucificação o adorável Mestre Jesus. Igualmente, em outro ataque aos bens preciosos da vida, também o decreto imperial jamais conseguiria invalidar a pré-existência do espírito. Logo, diante de vidas sucessívas, cabe a cada um buscar o maior proveito por estar no corpo físíco, condição que torna mais fácil em reconciliar com o adversário antes que seja tarde, porque a fila para a próxima reencarnação, como expressam os bons espíritos, pode ser muito longa, o que pode causar atraso ao progresso espiritual.

Claudio Alroldi - RIE