A PROTEÇÃO |
Amália tinha um ratinho muito especial.
Em verdade, não era bem um ratinho, mas um ramster amarelinho com algumas pintas brancas que se chamava Chuim, muito manso e amigo das crianças.
Comia na mão de Amália, brincava de esconder em suas roupas e estava sempre disposto a enfrentar novidades e inspecionar lugares novos.
Era um bichinho alegre e muito bonito.
Quando as crianças não estavam brincando com ele, ficava resguardado dentro de uma gaiola apropriada, para que não se perdesse pela casa.
André, colega de escola de Amália, também tinha um cachorro inteligente do qual gostava muito e do qual nunca se separava. Onde ia André, lá estava o Bazuca junto a ele, colaborando no futebol da meninada, a correr atrás da bola, ou deitado a seus pés na hora de o menino fazer as lições.
Um certo dia, André e Amália resolveram fazer juntos um trabalho escolar que a professora havia solicitado na aula de História do Brasil.
Marcaram encontro na casa de Amália, porque os pais dela tinham uma ótima enciclopédia para as crianças pesquisarem.
Ao chegar André, com seu cão Bazuca, logo se aquietaram os meninos para fazerem as tarefas.
Entretanto, Bazuca, fazendo uma vistoria pelo local, achou a gaiola do ramster e, acostumado a caçar ratos, atacou-o furiosamente.
Ante o barulho que se estabeleceu na cozinha, Amália, de uma corrida, chegou a tempo de salvar seu bichinho de estimação, mas ficou com o coração aos pulos, muito assustada, com os olhos cheios de lágrimas ...
A mamãe, que chegava naquele instante também atraída pela confusão, achegou-se à menina com o carinho compreensivo que sempre sabia ter:
- Filhinha, foi apenas um susto e já passou! ... Bazuca não fez por mal, apenas obedeceu a seu instinto de caça. Veja - disse, apontando suas mãos de fada para o bichinho em segurança no interior da gaiola -, foi justamente a gaiola em que o guardamos que lhe salvou a vida!
E, como a menina começasse a sentir-se melhor com o conforto de suas palavras, a mamãe aproveitou a ocasião para aliviar a tensão das crianças com algum ensinamento útil:
- O que teria acontecido a Chuim se ele estivesse fora do seu lugar? Se tivesse se revoltado contra a proteção da gaiola, e fugido?
- Se Chuim estivesse fora de seu lugar hoje, com certeza não teria se livrado do golpe certeiro de Bazuca! - respondeu André, preocupado.
E a mamãe arrematou:
- Isso mesmo! Como Chuim se encontrava no lugar que lhe compete, obediente no abrigo que a inteligência do homem imaginou para ele, foi salvo pelas grades protetoras de sua gaiolinha. É por isso que quando eu vejo uma criança queixando-se da proteção com que as mães e os pais, as avós ou os responsáveis a cercam, no zelo de seu amor, fico a imaginar o que aconteceria com a pequena ingrata se não fossem essas "grades" de amor que a procuram conservar a salvo de qualquer perigo ... As crianças soltas nas ruas em vadiagem constante, as que fogem de seu dever, as que mentem e enganam suas mães, seus professores, ficam tão expostas ao perigo como Chuim se estivesse fora de seu abrigo. O bote das mentes perversas as alcança com mais facilidade, se o calor da família bem-formada, ou da dedicação de alguém, não as defende do Mal.
E o incidente encerrou-se naquela tarde festejando-se o final feliz com bolo e guaraná, ante o grande alívio das duas crianças e a oportunidade excelente do ensinamento ministrado.
Assim também acontece com todos os homens.
Felizes daqueles que se mantêm no lugar certo de suas obrigações, mesmo que estas pareçam cercear sua liberdade de agir ou andar por toda parte. Porque o dever bem-cumprido e respeitado, ao mesmo tempo que resguarda o ser humano de cair nas ciladas da Sombra por aí, é a proteção necessária a que ele viva em paz e produtivo na elaboração da própria felicidade.
Criança: os mesmos deveres que nos são tão custosos às vezes, limitando a nossa sede de indisciplina e intemperança, são as defesas que o Senhor nos concedeu para resguardar-nos de nossa própria invigilância e dos perigos que nos cercam.
Agradeçamos, meu filho, a educação que nos defende de nós mesmos, agradeçamos o lar, a escola e sobretudo a bondade de Deus, que sabe velar por nós, dando-nos na Terra uma mãezinha que nos ama e protege, e a moral cristã trazida por Jesus, que nos abriga ao Sol de Amor, ajudando-nos a não cair e defendendo-nos pela sustentação no Trabalho redentor.
MEIMEI