ALMAS EDUCADAS

Por tempos a fio, o homem moderno vem desbravando o campo das pesquisas e do conhecimento. Voa aos mais infindos espaços; quando não pode estar de corpo presente, envia suas máquinas que filmam, fotografam, colhem amostras de tudo que é visto, mas ainda intocável pelas mãos materiais. Possuir o conhecimento e contentar-se com a informação é sempre um provocativo à Humanidade. Os egípcios, gregos e romanos mesclaram-se em suas culturas, fundiram seus conhecimentos, fazendo um mundo antigo surpreendente.

Os séculos varreram as civilizações. A Humanidade, adaptando-se ao novo tempo, surge em novas civilizações, compondo a misteriosa fisionomia refundida em uma sociedade pronta para caminhar maior distância de progresso. A cada tempo tudo se refaz, e a religião segue estabelecendo as diretrizes do momento. Em todas as escolas religiosas, os patriarcas, gurus, eleitos ou iluminados veneráveis procuram acomodar os interesses sociais imediatistas aos conhecimentos necessários à evolução espiritual. Porém, uma tormenta segue a Humanidade desde o seu primórdio: o medo da morte.

Sepulturas com todas as características já foram construídas mundo afora, os teólogos traçaram variados caminhos a serem percorridos por justos, pecadores e remediados, cada qual com o seu destino pós-morte definitivamente estabelecido. A Humanidade, tão abalada por ocorrências mundanas, não encontra na religião tradicional senão mais um ponto de interrogação. Os ritos e mitos compõem belos conjuntos alegóricos, incapazes de satisfazer a inteligência do Espírito atuante que cnnduz o lar, a empresa, e governa cidades. Mergulhada na província do mito pecador, o homem pergunta: qual o meu papel neste mundo?

Os mensageiros do Cristo não medem esforços para nos darem socorro, sussurrando em nossos ouvidos, via intuição, para que entendamos o caminho do bem, de forma a nos tornarmos sensíveis às verdades divinas que facilitam em muito a compreensão do valor que a vida tem. Não é inteligente continuarmos fechados para o plano espiritual. Assim agindo, continuaremos sujeitos às leis e desordens do mundo, acabando tocados e dominados pela revolta, angústia, dor física, correndo o grave risco de esquecermos nossa filiação divina e, como os povos antigos, sermos tomados pelo medo da morte e erguermos túmulos e pirâmides, perdendo a oportunidade desta reencarnação.

Paulo de Tarso seguia pela estrada de Damasco em busca de Ananias. Jesus, postado à sua frente, perguntou: Saulo, Saulo, por que me persegues? E aquela alma então perdida nos descaminhos do materialismo reenncontrou seu real objetivo, passando o restante daquela encarnação dedicado à difusão dos ensinamentos do Evangelho. O Apóstolo dos Gentios, o grande divulgaador do Cristo, chama a nossa atenção para a necessidade de construirmos o homem novo.

Cada qual em seu mais profundo íntimo sabe exatamente onde está sua Estrada de Damasco. Então, por que continuar atado aos medos dos homens velhos? Jesus veio a nós, ensinou e partiu, mas não sem antes deixar a mensagem de esperança: "Vou a meu Pai, mas não os deixarei a sós, enviarei o Consolador". Este é a Doutrina dos Espíritos, que nos devolve o Evangelho como tal, em sua pureza grandiosa, que nos aponta o caminho do progresso espiritual e que nos informa que cada vida é uma encarnação de aprendizado e oportunidade bendita de recomeço. A morte não necessita de templos, a não ser o monumento do equilíbrio quando este se faz presente.

Nestes momentos tão delicados, em que a dor da perda física toca os nossos lares, é natural que a saudade esteja presente, mas o conhecimento da eternidade do Espírito, da paternidade e do amor de Deus fortalecem a certeza de que Deus existe, de que Jesus está entre nós, vivo, amigo e atuante, e de que nenhum pai deseja mal a seu filho. Estejamos certos. É sadio compreender e viver como quem compreende que Jesus, através da espiritualidade amiga, tem sua presença nos amparanndo, protegendo e, curando, e que o temor pela morte não cabe mais no íntimo de uma alma espiritualmente educada. "Jesus é o caminho, a verdade e a vida."

Iriê Salomão de Campos - Jornal O Semeador