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AMOR, FÉ, TRABALHO E INSTRUÇÃO |
Em agosto de 1553, após oficiar a primeira missa do planalto de Piratininga, o padre Manuel da Nóbrega foi visitado pelo apóstolo Paulo, que, nimbado de luz, lhe apontou as campinas circundantes e lhe pediu para ali fundar uma cidade sobre as quatro colunas-mestras do cristianismo: Amor, Fé, Trabalho e Instrução. Nóbrega lançou-se à obra e no dia 25 de janeiro do ano seguinte inaugurava a igreja, dando, assim, nascimento à cidade mais importante do hemisfério sul do planeta: São Paulo.
Estas foram as palavras do discurso mediúnico de Francisco Cândido Xavier, no último sábado, após receber o título de Cidadão Paulistano que lhe foi outorgado pela Câmara Municipal. Muito significativa a mensagem. São Paulo está assentada sobre os quatro fundamentos místicos da mensagem cristã: amor, fé, trabalho e instrução.
Estaremos nós, paulistanos (natos ou adotivos), colaborarmos para que essas quatro sementes produzam bons frutos? Procuremos analisar a grande cidade nestes quatro aspectos:
1°) Amor. Desenvolveu o paulistano todo seu potencial de amor?
Não; parece-nos que o homem da grande metrópole não tem a coragem de fazer germinar essa sublime semente que está lançada no terreno de seu coração. Vemos, muitas vezes, que as pessoas procuram abafar a plantinha nascente do amor, catalogando-a na conta de "pieguismo" ou de "trabalho superficial que não modifica as estruturas" .
2°) Fé. O paulistano tem fé no trabalho, muitos dirão. Mas a fé é algo muito mais importante do que a simples procura do bem-estar material objetivado pelo trabalho. Fé significa crença em Deus, num Criador de todos nós; significa, portanto, a crença de que todos somos irmãos. Isso implica em solidariedade.
3°) Trabalho. Neste aspecto o paulistano fez frutificar a semente dos fundamentos místicos da cidade. São Paulo é tida como a "locomotiva do Brasil, logo, a metrópole do trabalho. Fixou-se, contudo, o paulistano com certo fanatismo no trabalho, isto é: elegeu um objetivo material para si e busca atingi-lo pelo esforço próprio, muitas vezes arruinando ou ferindo aqueles que se colocam à sua frente. É a semente que germinou desproporcionalmente e agora, planta adulta, ameaça sufocar as outras ou, na melhor das hipóteses, não deixa as outras crescerem com mais rapidez por lhes vedar o acesso ao sol dos bons sentimentos.
4°) Instrução. São Paulo é a cidade que mais oferece condições de instrução a seus habitantes. Instrução em todos os níveis e acessível a quase todas as camadas sociais. Pode-se dizer que daqui partiu a idéia de instrução em massas, da democratização da instrução. É um ponto altamente positivo da grande metrópole. E é pelas vias da instrução que Jesus, através do apóstolo Paulo, processará o equilíbrio da germinação e do crescimento das três outras sementes: trabalho, fé e amor.
Se pediu o apóstolo a Nóbrega que erigisse a cidade sobre as quatro colunas-mestras, não nos deixaria agora o amigo da gentilidade entregues aos próprios desequilíbrios. Se os seus fundamentos são expressão de sua vontade, logicamente atendendo às aspirações do Mestre, somos obrigados a reconhecer que já estará trabalhando para que a grande metrópole não padeça de atrofia por muito tempo.
E a ação do grande apóstolo já se vem fazendo sentir há algumas décadas. São Paulo é a maior cidade espírita do Brasil. Os livros espíritas são aqui vendidos em grande quantidade. A instrução espírita, através de escolas e cursos regulares, está em franco desenvolvimento. O Espiritismo, pela instrução contida nos livros evangélicos, tem e continua a motivar a construção de um sem-número de obras sociais. Tem, até, incentivado profitentes de outras religiões a se entregarem à tarefa de assistência ao próximo em maior profundidade.
A instrução espírita é, portanto, um dos instrumentos fundamenntais com que conta hoje o Plano Espiritual a fim de nos levar a harmonizar, na mesma altura, as quatro colunas-mestras dos fundamentos místicos de São Paulo: amor, fé, trabalho e instrução.
Valentim Lorenzetti