DIVERSIDADE DE OPÇÕES |
Não somos os únicos a desempenhar grandes ou pequenas missões
O homem, levado pelo orgulho enraizado em seu mundo íntimo há milênios, acha-se muitas das vezes o máximo, o insubstituível, o tal neste ou naquele assunto, e chega mesmo ao cúmulo de pensar que sem sua presença tudo estará perdido, não levando em conta que mais cedo ou mais tarde ele será chamado, queira ou não, de volta à pátria espiritual, de onde todos viemos e para onde todos voltaremos e que, só por esse fato, sua pretensão não tem qualquer fundamento, visto que suas funções terão que serem executadas por outro indivíduo que não ele, como tem acontecido desde os primórdios da criação da humanidade.
É necessário entendermos, o quanto antes, que a obra de criação do universo foi elaborada por Espíritos Sábios, na execução dos desígnios de Deus, e por isso mesmo todos os mínimos detalhes foram devidamente observados de forma a garantir a continuidade do progresso da criatura a caminho do seu criador, e como não somos eternos senão pelo Espírito Imortal, sofreremos a morte fisica, inúmeras vezes, como tem nos sucedido desde nossa criação em eras recuadas da humanidade, sem que com isto o mundo tenha deixado de avançar moral e intelectualmente.
Por mais valorosa, dificil e necessária que seja nossa participação nesse grandioso trabalho de elevação moral e científica do planeta, não sejamos vaidosos a ponto de nos julgarmos mais importantes do que na verdade somos, e procuremos acima de tudo fazer nossa parte na obra de elevação e engrandecimento da Terra, com muito amor e humildade, pois, como co-criadores que somos, estaremos sempre subordinados a uma Inteligência Superior que a todos suplanta e coordena.
Os Espíritos Superiores mostraram bem claramente ao insigne codificador da mensagem consoladora da doutrina espírita que se Allan Kardec, por algum motivo, desistisse da missão a ele confiada, mesmo assim o Consolador Prometido por Jesus nos chegaria da mesma forma como foi por ele trazido, conforme nos esclarece o texto contido no Livro Obras Póstumas que transcrevemos abaixo:
MEU SUCESSOR
"Tendo uma conversação com os Espíritos levado a falar do meu sucessor na direção do Espiritismo, formulei a questão seguinte:
Pergunta - Entre os adeptos, muitos há que se preocupam com o que virá a ser do Espiritismo depois de mim e perguntam quem me substituirá quando eu partir, uma vez que não se vê aparecer ninguém, de modo notório, para lhe tomar as rédeas.
Respondo que não nutro a pretensão de ser indispensável: que Deus é extremamente sábio para não fazer que uma doutrina destinada a regenerar o mundo assente sobre a vida de um homem: que, ao demais, sempre me avisaram que a minha tarefa é a de constituir a Doutrina e que para isso tempo necessário me será concedido. A do meu sucessor será, pois, mais fácil, porquanto já achará traçado o caminho, bastando que o siga. Entretanto, se os Espíritos julgassem oportuno dizer-me a respeito alguma coisa de mais positivo, eu muito grato lhes ficaria.
Resposta - Tudo isso é rigorosaamente exato - eis o que se nos permite dizer-te a mais.
Tens razão em afirmar que não és indispensável: só o és ao ver dos homens, porque era necessário que o trabalho de organização se concentrasse nas mãos de um só, para que houvesse unidade: não o és, porém, aos olhos de Deus. Foste escolhido e por isso é que te ves só: mas, não és, como, aliás, bem o sabes, a única entidade capaz de desempenhar essa missão. Se o seu desempenho se interrompesse por uma causa qualquer não faltariam a Deus outros que te substituíssem. Assim, aconteça o que acontecer; o Espiritismo não periclitará.
Enquanto o trabalho de elaboração não estiver concluído, é, pois, necessário sejas o único em evidência: fazia-se mister uma bandeira em torno da qual pudessem as gentes agrupar-se. Era preciso que te considerassem indispensável, para que a obra que te sair das mãos tenha mais autoridade no presente e no futuro; era preciso mesmo que temessem pelas conseqüências da tua partida.
Se aquele que te há de substituir fosse designado de antemão, a obra, ainda não acabada, poderia sofrer entraves; formar-se-iam contra ti oposições suscitadas pelo ciúme; discuti-lo-iam, antes que ele desse provas de si; os inimigos da Doutrina procurariam barrar-lhe o caminho, resultando dai cismas e separações. Ele, portanto, se revelará, quando chegar o momento.
Sua tarefa será assim facilitada, porque, como dizes, o caminho estará todo traçado; se ele dai se afastasse, perder-se-ia a si próprio, como já se perderam os que hão querido atravessar-se na estrada. A referida tarefa, porém, será mais penosa noutro sentido, visto que ele terá de sustentar lutas mais rudes. A ti te incumbe o encargo da concepção, a ele o da execução, pelo que terá de ser homem de energia e de ação. Admira aqui a sabedoria de Deus na escolha de seus mandatários: tu possuis as qualidades que eram necessárias ao trabalho que tens de realizar, porém não possuis as que serão necessárias ao teu sucessor. Tu precisas da calma, da tranqüilidade do escritor que amadurece as idéias no silêncio da meditação; ele precisará da força do capitão que comanda um navio segundo as regras da Ciência. Exonerado do trabalho de criação da obra sob cujo peso teu corpo sucumbirá, ele terá mais liberdade para aplicar todas as suas faculdades ao desenvolvimento e à consolidação do edifício.
P - Poderás dizer-me se a escolha do meu sucessor já está feita?
R. - Está, sem o estar, dado que o homem, dispondo do livre-arbitrio, pode no último momento recuar diante da tarefa que ele próprio elegeu. É também indispensável que dê provas de si, de capacidade, de devotamento, de desinteresse e de abnegação. Se se deixasse levar apenas pela ambição e pelo desejo de primar, seria certamente posto de lado.
P - Freqüentemente se há dito que muitos Espíritos encarnariam para ajudar o movimento.
R. - Sem dúvida, muitos Espiritos terão essa missão, mas cada um na sua especialidade, para agir, pela sua posição, sobre tal ou tal parte na sociedade. Todos se revelarão por suas obras e nenhum por qualquer pretensão à supremacia".
Ségur, 9 de agosto de 1863 (Médium: S/: d'A ... )
Como bem podemos observar, nas respostas a ele endereçadas pelos Espíritos Superiores, tudo estava absolutamente planejado, e não sofreria solução de continuidade, visto que como lhe foi esclarecido no texto acima. "mas, nela és, como, aliás, bem o sabes, a única entidade capaz de desempenhar essa missão ", assim também todos nós devemos fazer uma profunda reflexão sobre nossas reais possibilidades de desempenhar com esmero e dedicação os cometimentos a nós confiados pela Providência Divina, na certeza absoluta de que não seremos os únicos a desempenhar as grandes ou pequenas missões sob nossa responsabilidade, e que por isso mesmo quanto mais nos empenharmos na execução digna e correta das nossas tarefas como Espíritos em processo de burilamento, a caminho da angelitude, maiores e melhores oportunidades estaremos fazendo por merecer perante a Soberana Sabedoria do Universo.
Francisco Rebouças Costa - RIE