A INTELIGÊNCIA NÃO CURA

Desde 23 de agosto e sem nenhum marco especial que assinalasse o evento, passamos a cuidar de um novo núcleo de companheiros espirituais que muitas surpresas e alegrias nos reservavam, além de consideráveis emoções, Naquela noite de 24 de novembro, três meses após o início de nosso trabalho com certa instituição do espaço, tivemos a emocionada visita de um de seus integrantes. Como os demais, era educado, inteligente, culto e lúcido. Não trazia ódios, não exibia agressividades incompatíveis com seu temperamento e seu status de pensador experimentado. Estava, contudo, profundamente aturdido. Sua emoção era tanta e tão profunda, que a voz lhe embargava na garganta e as palavras saíam aos poucos, como que arrancadas uma a uma do seu espírito em tumulto. Habituado à autodisciplina, à parcimônia no uso da emoção, era agora um vendaval delas e não tinha como exercer sobre elas o poder fantástico da sua brilhante inteligência.

Imagine, pois, o leitor, a sua palavra lenta, arrastada, à beira das lágrimas, que não poucas vezes rolaram mesmo pelo rosto da médium. Imagine-o perplexo, a tatear como que às cegas num mundo amplo, desconhecido que lhe cabia agora explorar para entender e ali viver até.

É assim que ele começa a falar, logo que o saudamos com muito respeito e carinho, agradecendo, como sempre, a sua presença entre nós:

- Eu ... Eu não sei o que vou falar.

- Fale sobre as dores que lhe alcançam neste momento, sobre suas decepções, suas angústias ... Vamos tentar ajudar naquilo que for possível. Fale sobre o que está afligindo seu coração e lhe traz tamanho desencanto, e uma atitude de quem se decepcionou ... Somos irmãos e amigos.

Com enorme dificuldade as palavras vão saindo:

- Eu realmente tive uma decepção muito grande. Sinto-me como se, de repente, me perdesse num universo desconhecido.

Você não está perdido. Estamos todos em Deus.

Eu ... eu sempre busquei o caminho ... o caminho ... Da mente? Da inteligência?

Há muito tempo milito neste campo. Eu já tive bibliotecas que eram o triplo, o quádruplo disso que você tem aqui - diz ele percorrendo com os olhos as estantes do cômodo onde trabalhamos. - Sempre fui uma alma que pesquisa, que estuda e sempre achei que o caminho era esse.

- Mas, meu irmão, isso não está perdido, o conhecimento que você adquiriu ...

Amei a minha velha Grécia ..

- Nossa, nossa Grécia!

- Cultuei, Cultuamos cultura. Era Minerva a nossa deusa, mas se o próprio Universo é sabedoria, é inteligência, é força, é energia e os arcanos da mente sempre nos desafiaram, por penetrá-los. .. O senhor sabe o que é isto? Querer saber, buscar. " (Pausa).

- Mas, meu querido companheiro. Você sabe muito bem - pois temos um relacionamento muito antigo, muito profundo e muito fraterno - que esses caminhos são os de muitos de nós. Em princípio, não há nada errado em buscar o conhecimento, a interpretação do Universo. Você sabe que toda a filosofia em que se resume? Na observação do homem e do mundo que o cerca.

- Mas se isso é errado, por que tivemos o poder de fazer o que fizemos? Não somos más pessoas. Homens que buscam saber não podem maltratar, não podem usar de força física. Nunca fizemos isso. Achamos que sempre há um caminho pela inteligência, pelo cérebro, pela mente, pejo entendimento. (Pausa) Estou com dificuldade porque esta semana. .. esta semana ... foi muito difícil. Muitas emoções ... emoções que eu já havia esquecido.

Como persiste e até parece agravar-se a dificuldade em falar, o doutrinador pede permissão para ajudá-lo com alguns passes. Ele se mantém em recolhimento e aguarda, visivelmente agitado interiormente e ofegante. E depois:

- Melho ... rou agora ... Bastante. Obrigado.

- Meu querido companheiro. Como eu dizia, não vejo, na minha maneira de conceber as coisas, nada errado na busca da cultura, da inteligência, do saber. Mas também não vejo porque o saber, a inteligência, a cultura não possam andar de braços dados com o amor. Você não precisa renunciar aos seus conhecimentos, à sua inteligência para também amar. Quanto à opção que fizemos - digo nós porque também estive aí nesse grupo maravilhoso constituído por vocês - nessas opções foi respeitado, como em tudo o mais, o nosso livre-arbítrio. Entendemos, meu querido amigo e irmão, que vocês não são maldosos, artificiosos, não são violentos. Compreendemos perfeitamente isso. E não estamos tentando mudar vocês. Entendem? Estamos tentando levar uma outra mensagem que deve ser somada à sua, não por exclusão.

- Agora me vejo como um trem que escolheu rodar somente numa das linhas, tentando equilibrar-se só de um lado, num dos trilhos.

- É isso! É possível. com as estruturas de sabedoria e de conhecimento que se criaram através desses séculos todos, com a reunião de tantas mentes brilhantes, é possível criar um mundo artificial como vocês fizeram, no qual tudo era válido e parecia ser esse mesmo o caminho. Mas você sabe, meu querido, por compreender bem as belezas da Filosofia, que não podemos colocar o infinito dentro das nossas limitações, mas podemos amá-lo.

- Somos pessoas realistas. Não queremos, não podemos e nem estamos habituados a fugir da realidade. E por isto, fui levado a reflexões que. .. Não sei quando foi a última vez que a tive e perdeu-se no tempo (a realidade). Não sei ... estou meio confuso ... Os senhores aí (nossos Mentores Espirituais) me levaram a um lugar onde existe uma vasta biblioteca, com muito saber acumulado, mas um saber que estava sendo utilizado como remédio, como socorro, como ... Era como se materializasse saber e forças, mas forças diferentes das que nós materializamos. Uma saber que era, como disse, remédio, lenitivo. E as pessoas não se julgavam inferiores por falar das coisas da emoção. Eu encontrei. .. não direi um homem. .. direi um ser. .. Encontrei um ser ... que me foi mestre (Sócrates). Um mestre, cujo saber eu respeitava tanto que quando o encontrava, eu me ajoelhava e lhe beijava as mãos! (Pausa).

O pranto é a custo vencido até às raízes mais profundas do seu espírito.

- E eu encontrei esse ser banhando o corpo ferido de uma criança ... Coisa que sempre consideramos trabalho inferior, que outras pessoas deviam fazer. Encontrei este ser que é luz e havia um doente deitado inconsciente. Este ser alçou sua mão e dela saíram jatos de luz que curou o doente. E eu me senti tão pequenino porque havia tantos gritos e eu, com tanto saber, não sabia o que fazer! Temos uma força mental, temos um domínio da mente, mas eu não sabia como exigi-lo para curar. Nunca me senti tão pequeno! Nunca me senti tão inútil! Mas não ficou aí o meu castigo, se posso chamar ... a lição... não sei ... Levaram-me para ver alguém em quem reconheci um ser a quem eu havia amado muito em uma das vidas. Esse ser estava recém-chegado da carne, mas eu o reconheci apesar da indumentária diferente; ainda trazia os traços da vida recente. Esse ser estava sofrendo e me dissseram: "Cura-o!" E eu disse: "Não sei." E aquele ser iluminado chegou a mim e disse: "Cura-o com o teu amor." E então eu vi ... eu vi ... ! EU NÃO SABIA AMAR! Eu não sabia movimentar a força. .. (Chora, afinal, vencidas as últimas barreiras da resistência). Eu não sabia movimentar ESSA força! Em vão usei a minha força mental. Eu EXIGI que ele se curasse, que se levantasse ... Mas eu sentia que os jatos da minha mente, quando lhe tocavam, feriam-no ainda mais! (Pausa. O silêncio é total no aposento, pois não desejamos interferir com as sagradas emoções deste amado irmão e companheiro).

Ele suspira e retoma a palavra em tom baixo e perplexo: - O que é esta loucura em que eu vivi? Esse tempo todo Em que nós vivemos. O que foi essa loucura? Esse pesadelo Acho que estávamos no Inferno e julgávamos que estávamos no céu. Os eleitos ... Ah! meu senhor, eu lhe digo: aprendi uma coisa! Que a mente pode saber, pode conhecer, mas a mente não sabe amar! A mente não sabe curar! A inteligência não cura!

- Por isso ensinava o Cristo que o que ama chega primeiro. Mas, meu querido irmão. É preciso que você coloque tudo isso numa perspectiva muito bem ajustada. Por favor. O seu esforço de aprendizado, de acumulação de conhecimento e aperfeiçoamento da sua inteligência não é trabalho perdido. É conquista que fica e está em você.

- Andei uma extensão imensa num só dos trilhos ... Ficou todo o outro lado que eu não caminhei. Vou continuar mancando. E o pior é que agora vou mancar, porque antes eu não tinha consciência de que não estava equilibrado. Eu me equilibrava e tudo se resumia naquilo. Agora me sinto mutilado. Eu agora estou mancando porque estou consciente de que me falta uma perna ...

- É. Isso é verdade, mas insisto em dizer que o conhecimento adquirido não deve ser jogado fora, não é desperdiçado, não é inútil. Ele servirá nas oportunidades devidas - quando você estiver em condições de retomar a sua caminhada e isso deve ser feito o quanto antes, mas não atabalhoadamente - desenvolva essas belezas que você traz no seu espírito, de sentimento, também, de emoções. Você está nos dando aqui uma comovedora demonstração de amor que traz em si e não sabia. Temos todos dentro de nós aquela fagulha sublime da essência de Deus. A essência divina é amor e você a tem quanto eu ou qualquer um de nós. É preciso apenas que coloque a serviço do amor todo esse conhecimento que acumulou ao longo dos séculos. Há companheiros seus, além desse que você mencionou, que também foram daquela época, daquela equipe e que escolheram outros caminhos e não renunciaram à inteligência nem ao conhecimento, não é verdade? Como esse amigo que você acabou de citar, aliás, um dos precursores do Cristianismo, reconhecidamente como tal.

- É verdade - diz ele - num suspiro.

- Ele é o nosso pai intelectual. Esse é o nosso grande mestre ...

- É-me doloroso lembrar. Eu queria encontrar um buraco para me esconder ...

- Não, meu querido. Você não vai fazer isso. Você precisa vestir a túnica pobre, calçar a sandália e trabalhar para construção do amor ... Não é tão difícil assim. Você sabe. Como você viu, o mesmo respeito que tinha por aquela figura luminosa, você manteve e até aumentou a sua admiração por ele. Você viu que ele não renunciou à inteligência e desenvolveu o amor. Então, você também pode. . . todos nós podemos fazê-lo. O mundo está aberto diante de nós. Você sabe dos caminhos. É uma emoção muito grande estar aqui com você e ouvi-lo dizer essas coisas que transbordam de seu coração, o que vem provar que você tem coração, que também ama, que tem emoções. É uma descoberta talvez nova, porque ao longo de muito tempo você ignorou este aspecto ...

- Ele disse que há muito tempo tentava nos alcançar. Há muito tempo mas precisou que o senhor também viesse para o trabalho .

Quem? - O senhor.

- Eu? (Agora é o doutrinador que não consegue mais conter as suas lágrimas e as suas emoções mais profundas ... )

- ... para nos ajudar a reencontrá-lo. O senhor não é um estranho a nós.

- Eu sei, meu querido. Eu me sinto bem entre vocês. Não senti em vocês nenhuma hostilidade; apenas a reação natural da pessoa que não deseja mudar aquilo que lhe parece certo.

- O senhor já foi dos nossos ... mais de uma vez ...

- E é por isso que não foi difícil chegar ao coração de vocês. Tenho lá as tomadas, tenho lá os contatos, o calor, as afeições, as compreensões. Não me considero um ser privilegiado senão naquilo que é saber que tenho companheiros tão maravilhosos.

- Fiquei num lugar muito bonito, com alamedas belíssimas, e fiquei sozinho. Deixaram-me em solidão e então vi ... Nós lhe falamos aqui dos nossos e falamos de beleza. Cultuávamos o belo, mas vi lá que, enquanto a inteligência, os teoremas, os cálculos constroem belos palácios, só realmente o amor constrói a beleza da forma viva, a forma imperecível do belo real, não o belo impreciso que qualquer abalo desmorona. As construções definitivas não são as da inteligência (Volta a chorar abundantemente) ...

- Não, meu querido. Não seja tão radical, elas são definitivas sim. . . quando ...

- Não as construções eternas ...

- Sim. É certo isso, mas a inteligência também é eterna como o amor. Um dos ingredientes do nosso bem-estar, da nossa paz. Você me traz hoje uma grande alegria e as emoções mais profundas que tenho experimentado aqui neste trabalho. Muito obrigado pela sua palavra, meu velho amigo e companheiro.

O abismo que se abre à minha frente. .. De repente, vejo que não tenho nada construído.

- Não. Não concordo. Você tem construído ... - Ah! o senhor não sabe! O senhor está numa perspectiva diferente.

- Sim, estou num contexto diferente, é claro, porque vejo talvez há um pouco mais tempo do que você, mas insisto em que o seu trabalho não está perdido. É uma aquisição permanente do espírito. É uma conquista a que você tem direito. Só lhe falta  como você sabe - completar, complementá-la com o desenvolvimento do amor. Isto é mais fácil porque trazemos em nós a essência divina.

- Nunca pensei que fosse capaz de chorar. Que fosse capaz de sentir agonias ... Eu não pude curar ... Não pude!

- Mas você tem os elementos, meu querido, pois você sentiu ressurgir no seu espírito as afeições que o ligaram a esse companheiro. (Acho que sei de quem você está falando). Você poderá demonstrá-lo a si mesmo, não transmitindo comandos com a sua inteligência. Volte a ele e lhe diga: "meu irmão, vem comigo". E ele se levantará.

- Mas não adianta a simples palavra: "Meu irmão, vem comigo". É preciso que parta junto uma vibração que ainda não sei movimentar. Você vê. "meu irmão". simplesmente nada significa. Você não sente ...

- Mas você não sente por nós aqui, e por esse companheiro maior, por mim, por esse outro irmão que você foi lá ver, essa afeição, a vibração de empatia, de amor fraterno? É isso. Você está, talvez, tentando intelectualizar o amor, por uma deformação filosófica. O amor é uma vibração, não uma teoria ou um teorema. Você tem condições de fazê-lo. Esse bloqueio, dizendo que não pode ou que não sabe, deve ser eliminado. Você pode!

- Estou aturdido, completamente aturdido.

- Sim. Vai levar algum tempo até que você possa reordenar o seu pensamento, mas você é um espírito habituado a manipular idéias, conceitos ...

- Meu cérebro de repente ficou como um salão belo, iluminado, mas vazio, inteiramente vazio.. é nao sei como enchê-lo.

Sim, irmão. Mas você não tinha mesmo de esvaziá-lo daquelas noções que você hoje reconhece inadequadas para botar outras? É bom que ele esteja vazio. Você vai mobiliá-lo de outra maneira agora. Com outras estruturas de pensamento. Vai decorá-lo com outras formas de beleza. Não é verdade? Por favor, insisto em dizer mais uma vez: você não precisa renunciar ao seu conhecimento, à sua inteligência, a sua cultura. Você precisa reordená-los. Mudar de posição certas idéias.

- Terei de renunciar a elas. Pelo menos por um tempo. - Sim, por um tempo.

- Porque senão vou recair, pois estão muito estratificadas; estou tão condicionado a elas há muitos séculos ..

É. Isso é verdadeiro.

- Ou eu renuncio ou vou recair e vai demorar muito mais.

- Mas você não vai renunciar a elas - você vai guardá-las por alguns instantes cósmicos - em termos de eternidade não é muita coisa - para que você possa retomá-las naquele ponto em que você deixou o amor. Terá de ir lá buscá-lo e trazê-lo em paralelo. Quando chegar aqui na frente, neste ponto em que a inteligência o trouxe, os dois se unirão e você estará novamente no rumo certo.

- O senhor fala e parece tão simples ..

- Não. Não é simples. Não é. É porque estamos nos comparando a seres que já naquele tempo eram grandes. Então - é claro - andaram mais do que nós.

- Oh! o aturdimento ... É uma dificuldade ... Você pensa que tem um palácio e, de repente, observa que nem uma choupana você tinha.

O doutrinador pede algum tempo para orar, o que faz a seguir, envolvido pelas emoções do ambiente, enquanto o caríssimo irmão chora baixinho a sua perplexidade.

A prece termina com este recado do coração doutrinador ao amigo que os séculos trouxeram de volta:

- Transmita a todos o nosso afeto mais profundo, mas também a nossa profundíssima gratidão pela atitude de coragem que vocês tomaram neste momento.

- Teremos que perder tudo se quisermos ganhar a vida.

- Meu querido, nada do que se conquista é perdido. Tudo isso é material para reconstrução do futuro. Não se aflija demasiadamente, não se desespere, por favor. Precisamos de vocês e daquele conhecimento tão nobre, tão puro que todos aprenderam a coletar através dos tempos. O de que precisamos apenas é mudar o rumo da aplicação desse conhecimento para que o amor ressurja em corações tão nobres como os de vocês. Por favor, dê-nos essa oportunidade de ajudá-los, de acompanhá-los por algum tempo, para que possamos ir todos juntos para Aquele que nos aguarda. Não tenho nada para te ensinar, meu querido e muito pouco a dizer, porque também a mim as emoções sufocam ...

- Agora não é o momento de chorar. Sei disso. Não é o instante de lamentar-se.

- Não. Não há senão uma esperança muito grande pela frente. Há uma certeza de reconstrução.

- Temos que enfrentar uma realidade. (Longa pausa). A vida é um suceder de perplexidades, de surpresas, de desencantos.

- Não. Não acho assim. Se houvéssemos decifrado todos os enigmas da vida, seríamos deuses e teríamos perdido o encantamento pela própria vida. O que nos estimula à pesquisa intelectual, como você e a todos nós, são os mistérios, as surpresas, as perplexidades da vida. Não é verdade?

- As vezes penso que a vida é uma eterna esfinge a nos propor problemas não resolvidos.

- É bom que assim seja. Você não acha?

- O pior é que nem sempre atinamos com a solução.

- Sim, mas continuamos a buscá-la. Você queria decifrar tudo? Não teríamos condição para isso.

Enigmas. .. enigmas ... - O amor não é um enigma.

- ...a vida é uma esfinge constantemente propondo enigmas.

- E nesta sua retomada, muitos seres estão interessados em chegar até você, para trazerem a sua contribuição de afeto, de compreensão, de respeito pelas suas realizações e conquistas no campo intelectual. Há amores também nas suas vidas. Seres que trouxeram momentos de felicidade, de paz, de entendimento, Nada disso se perdeu, meu amigo, meu querido companheiro. A vida é assim, realmente com suas surpresas, mas também com suas belezas e esperanças.

- Essas emoções me cansaram muito. Você quer ir, então?

- Sim. Eu nada mais teria a dizer.

Querido irmão. Muito obrigado. Haverá tempo para repensar tudo isto e reordenar o seu pensamento. Não se desespere ante a magnitude da tarefa, porque todos os recursos nos são dados para realizá-la, segundo nossos interesses maiores. Tenha confiança. Você já viu a meta - onde podemos chegar. Chegaremos lá. se Deus quiser. E Deus quer.

- Por enquanto não vejo ainda a chegada - só vejo o começo ou o recomeço.

- Sim, mas você viu também o que é um espírito pacificado. Chegaremos lá. Deus te abençoe. Vá em paz.

- Obrigado. Muito obrigado. Obrigado por sua dedicação, por nos ter ajudado. Obrigado, enfim ... O senhor compreende. Não preciso falar ...

- Se fosse possível retirar esses espinhos sem dor, nós os teríamos feito, irmão.

Eis a história. Não me cabe dizer ou escrever nem uma palavra a mais. Seria como que macular a beleza transcedental daqueles momentos ali vividos.

Hermínio C. Miranda