DIAS DE LUZ, FESTA DE SOL |
Verino Tirol, atualmente aposentado e dirigente de um Centro Espírita, não se cansa de lembrar aos amigos e familiares os tempos de criança e um episódio que aconteceu quando trabalhou em uma fábrica de móveis, como entregador.
"Eu era feliz e não sabia"! diz, ao relembrar que na sua pequenina cidade de interior onde nasceu, a "molecada" aprontava poucas e boas, como da vez em que entraram, à noite, no quintal de "Seu" Honório, levaram as frutas a que tinham direito e ainda colocaram um aviso: "as de hoje estavam boas; as de amanhã, estarão melhores."
Atualmente "desgastado pela idade", como ele próprio assinala, recorda-se do tempo de colégio, das muitas namoradas que teve, que fazia com que se julgasse bonito, embora os apelidos que lhe colocavam o desmentisse: era conhecido às vezes como "Patinho feio"; outras vezes, como "Chupando limão"; sem contar as gozações que ouvia dos colegas de escola, como: "Você é assim mesmo, ou está com medo da polícia?"
Mas, na cidade, presunçoso ele sempre foi. E com esta presunção é que procurou o padre Valbério, para se confessar.
O diálogo é muito interessante:
-"Padre Valbério, eu pequei ... "
-Desabafe, meu filho. Qual foi o seu pecado?"
-"O pecado da vaidade, padre. Sempre que olho no espelho, fico me admirando, pensando no quanto sou bonito ... "
-"Isso não é pecado, meu filho. É apenas um engano!"
Outro fato que Verino Tirol não se cansa de lembrar é o que motivou o seu pedido de demissão à fábrica de móveis, após ter trabalhado durante mais de uma década:
Após um estafante dia de trabalho, quando iria ter dois dias de folga, por volta das sete horas da noite, ele estava em casa descansando, quando Asdrúbal, seu chefe, ligou:
"Verino, desculpe o incômodo. Sei que o dia foi pesado, e você vai ter folga, mas surgiu uma nova entrega e o Desidério não virá amanhã. Enquanto você descansa, dá para fazer uma hora extra para mim, amanhã?"
Cíço Di Niro