ALVORADA NOVA |
INTEGRAÇÃO ESPIRITUAL
"—
Com a graça de Deus, declaramos aberta a sétima reunião
mensal da Colônia Alvorada Nova com vistas ao encaminhamento das propostas
recebidas de nossos concidadãos e análise conjunta dos passos
a serem dados na administração desta comunidade de Jesus, sob
a luz do Evangelho do Altíssimo. Com a palavra, o nosso secretário
Rubião."
"— Possa Jesus, nosso amado Mestre, abençoar o encontro deste
mês, dentro de Sua providencial sabedoria e magnânima bondade. Meu
querido irmão coordenador, de quem recebo a palavra, Cairbar Schutel.
Meus companheiros do Conselho, temos hoje importante projeto a discutir: vamos
colocar em pauta as novas técnicas de alimentação na colônia
e novos processos para fomentar a produção de frutos.
Discutiremos ainda os projetos apresentados pelo Setor de Medicina para a implantação
de novo soro, especialmente extraído do mel vegetal, no trabalho com
os doentes internados na Casa de Repouso. A pauta incluirá também,
por fim, os pedidos e requerimentos de vários habitantes deta colônia.
E encerrando, terminada a palavra aberta, ouviremos o nosso amador líder,
em tocante e profunda prece dirigida à Superioridade Divina.
A
sala enche-se de luz... É o início da sétima reunião
mensal do Conselho de Alvorada Nova. O júbilo da data sempre foi importante
nesse agrupamento espiritual e, mais uma vez, os amigos da Espiritualidade aí
presentes têm a consciência de estarem trabalhando ativamente pela
evolução da Humanidade.
Essa reunião se realiza na sala própria do último andar
do Prédio Central, a qual é volteada por luz proveniente da colônia
que vaza os cristais das paredes e adentra a cúpula.
Ao redor de uma grande mesa ladeiam cadeiras de encosto alto onde se podem ver
gravados os nomes dos Conselheiros em pequenas placas na forma de estrela.
Na grande sala retangular vêem-se, ainda, dispostas nas laterais, estantes
com centenas de livros. Ao fundo, uma parede de vidro curva — que parte
da abóbada de cristal no topo do edifício — dá ampla
visão para fora do prédio.
Próximo a essa grande janela que forma a própria parede da sala
existe um pequeno patamar sobre o qual estão uma escrivaninha com vários
papéis, bandeiras, alguns quadros e uma estante envidraçada onde
são guardadas estátuas de meio corpo constituídas de
material
semelhante a bronze reluzente.
Entre
essas estátuas de semblantes diversos figuram as de D. Pedro II e Gandhi,
juntamente com outras, formando uma espécie de registro dos Espíritos
que de alguma forma contribuíram para o crescimento, desenvolvimento
e funcionamento da Cidade Espiritual.
Alvorada Nova, a colônia da Espiritualidade, coordenada por Cairbar Schutel,
é sede desse encontro onde seus quarenta e dois conselheiros estão
reunidos, decidindo-lhe o destino e programando suas atividades.
Em ambiente harmônico e sereno, nas reuniões do Conselho, Cairbar
Schutel costuma falar aos conselheiros que o fitam e ouvem atentamente. Os assuntos
são colocados pelos presentes de forma ordenada e há objetividade
na sua discussão. O tempo não é controlado por cronometro,
pois entre os participantes há um perfeito entrosamento, visto que cada
um sabe o momento de se manifestar, sem interrupções e monopólios
da palavra.
Todos usam idêntico traje, especial para essa atividade: vestes simples,
sem qualquer apetrecho, na tonalidade azul clara. Fazem uso de gráficos,
com números e dados, sendo que cada um abrange o assunto referente à
sua área de atuação, com análise prévia das
medidas a serem tomadas, não havendo lugar para divergências, pois
prevalece a decisão consensual plena. Em um quadro, disposto num canto
da sala, orientações recebidas da Espiritualidade Superior, escritas
por Cairbar, lembram a todos as palavras do Mestre Jesus.
Encerrando a pauta, passam a tratar das reivindicações dos habitantes
da colônia, voltadas para os mais diversos assuntos, tais como transportes,
instalação de aparelhos de telefonia, autorização
de visitas a Espíritos em estágio em outros pontos da colônia
ou fora dela, entre outros. Os pedidos encontram resposta nos próprios
relatórios dos Conselheiros que se encarregam do assunto tratado, os
quais, em sua área de atuação definida, têm autoridade
para desenvolver uma atividade descentralizada. Assim resulta respondida cada
reivindicação consensualmente pelo próprio parecer do encarregado
de executá-la, existindo harmonia total de objetivos consoante ao trabalho
que é integralmente voltado ao mesmo fim.
Busco penetrar um pouco, através dessas linhas, o incessante trabalho
na Espiritualidade. Mediante tais imagens há de se integrar em nós
o retrato fiel da vida que nos aguarda um dia em outro plano, diferente deste
em que vivemos, mas que integra o mecanismo universal de progresso.
Alvorada Nova é exemplo dessa assertiva.
Para melhor conhecê-la, comecemos por falar que se trata de uma comunidade
com cerca de duzentos mil habitantes, localizada em região umbralina,
na quarta camada ao redor da crosta terrestre, no mesmo grau de inclinação
da cidade de Santos — Estado de São Paulo, desenvolvendo-se diuturnamente
sob a orientação da Superioridade Divina.
É uma cidade espiritual criada há mais tempo que a maioria das
colônias que permeiam as zonas umbralinas deste planeta. Sua existência
perde-se de vista em nossos calendários comuns.
Foi planejada há muitos séculos por aqueles que, sendo os Engenheiros
Construtores de Jesus, conhecem a Terra do seu passado longínquo ao seu
futuro distante. O Brasil nem mesmo existia na face do globo e Alvorada Nova
já estava fixando seus primeiros alicerces através dos trabalhadores
de Cristo que sabiam da destinação do nosso país como Pátria
do Evangelho, tendo ciência da importância da sua localização
nas camadas vibratórias ao redor do planeta.
Tem-se conhecimento de que Cairbar Schutel vem desenvolvendo aí, desde
o seu retorno ao mundo espiritual, relevante trabalho contando em todas as tarefas
com inúmeros colaboradores desencarnados e encarnados.
Embora pouco se dê conta de tal fato, a verdade é que existe entrelaçamento
entre os dois planos da vida, havendo relação entre os
habitantes da crosta terrestre, nesta esfera física, e os desencarnados,
habitantes do Plano Espiritual. Como nos ensina Allan Kardec(6): "somente
pela união sincera e fraterna entre os Espíritos e os encarnados
será possível a regeneração." f6) "O Evangelho
Segundo o Espiritismo", Capítulo XVI, n" 14.
Procurarei, com um exemplo prático, ilustrar essa ligação
fraterna.
Há vinte e cinco anos, juntamente com diversos outros colegas encarnados,
participo do núcleo espírita denominado "Grupo Irmã
Scheilla", nome sugerido pela própria Espiritualidade. Esse grupo
sempre me deu espontaneamente retaguarda e orientação para o desempenho
das minhas atividades, tanto no Lar Escola Cairbar Schutel quanto no trabalho
de unificação do movimento espírita (em cujas atividades
Cairbar sempre me estimulou), sem contudo jamais interferir em meu livre arbítrio.
Busquei
sempre levar em consideração as orientações aí
recebidas do Plano Espiritual e nunca me arrependi disso, pois elas têm
sido oportunas e exalas vindas através de médiuns que geralmente
desconhecem os assuntos transmitidos por seu intermédio, constituindo
dessa forma uma prova autêntica de atividade conjunta entre trabalhadores
encarnados e desencarnados. Tais mensagens têm sido passadas pelos amigos
que integram as equipes doutrinária, de cura, índia e hindu, formadas
por Espíritos que se ligam a Alvorada Nova.
Pela ação dessas equipes, juntamente com o empenho dos encarnados
que se dedicam ao estudo e à prática do Espiritismo, o "Grupo
Irmã Scheilla" desenvolve seus trabalhos, semana a semana, conforme
a necessidade do momento, segundo a ótica e a coordenação
dos mentores espirituais. Canaliza seus recursos em trabalhos de higienização
e cura, desobsessão e confraternização entre os dois planos
da vida, a par do estudo propriamente dito.
Consolida-se
assim a interligação entre os planos físico e espiritual,
pela presença constante dos desencarnados, trabalhadores da Seara do
Cristo, nos momentos em que nos reunimos com o propósito de servir, abertos
à evolução espiritual que a todos é pertinente.
Muitas vezes somos agraciados com a presença alegre das crianças
espirituais que estagiam em Alvorada Nova, representando instantes de contentamento
para todos.
Outro exemplo de trabalho integrado entre os dois planos é a elaboração
deste livro.
Vemos em tudo o entrosamento espiritual, a intermediação dos encarnados
e a soma de esforços na busca da evolução dos nossos espíritos
e de tantos outros seres.
Na medida em que temos a oportunidade de conhecer um pouco mais o outro lado da vida, aflora-nos a consciência de perseverar num trabalho profícuo durante a curta passagem por este plano físico, espelhando-nos nos moldes existentes no Plano Espiritual. Encontramos demonstração de amor, harmonia e união na reunião e na postura dos Conselheiros de Alvorada Nova, primeiro passo desta obra para descortinar ao nosso entendimento detalhes dessa elevada Cidade Espiritual.
Procuremos
a partir de agora penetrar mais esse outro lado da vida e percebamos que há
nisso um convite da Sabedoria Divina para que trabalhemos pelo progresso, desenvolvendo
nosso lado espiritual inegavelmente ligado a outras criaturas.
"Todas as inteligências concorrem, pois, para a obra geral, qualquer
que seja o grau atingido e cada uma na medida das suas forças, seja no
estado de encarnação ou no espiritual. Por toda a parte a atividade,
desde a base até ao ápice da escala, instruindo-se, coadjuvando-se
em mútuo apoio, dando-se as mãos para alcançarem o zênite.
Assim se estabelece a solidariedade, entre o mundo espiritual e o corporal,
ou, em outros termos, entre os homens e os Espíritos, entre os espíritos
libertos e os cativos." (Allan Kardec, "O
Céu e o Inferno", Capítulo III, primeira parte, número
15).
"Resta agora a questão de saber se o Espírito pode comunicar-se
com o homem, isto é, se pode com este trocar idéias. Por que não?
Que é o homem, senão um Espírito aprisionado num corpo?"
(Allan Kardec, "O Livro dos Médiuns", Capítulo I, número
5).
"As relações dos Espíritos com os homens são
constantes. Os Bons Espíritos nos atraem para o bem, nos sustentam nas
provas da vida e nos ajudam a suportá-las com coragem e resignação."
(Allan Kardec, "O Livro dos Espíritos", Introdução
- VI).
Abel Glaser pelo Espírito Cairbar Schutel