A JUSTIÇA DAS REENCARNAÇÕES

"NECESSÁRIO VOS É NASCER DE NOVO." (JOÃO, 3:7)

Nada pode haver que supere a Lei da Reencarnação. Por intermédio dela se processa a evolução do Espírito e a Justiça Divina se aplica em seus mínimos detalhes.

A Reencarnação é algo mais sublime que a teoria da existência única, considerando-se que, em vez de premiar os Espíritos desencarnados com uma situação de contemplação beatífica, ela exige dos Espíritos o máximo de esforço e de trabalho edificantes, em favor de sua própria evolução. Em vez de o Espírito permanecer na inércia, na ociosidade, a Reencarnação impõe o trabalho e o esforço próprios como condição indispensável para ele se aproximar cada vez mais de Deus, merecendo o beneplácito do Mundo Maior, deixando de ser água estagnada para tomar todo o aspecto de portentosa correnteza.

A Reencarnação, encarada face ao dogma da vida única do Espírito na carne, representa uma fonte perene de consolação. Na teoria da existência única, os bons iriam para o Céu e ali viveriam por toda a eternidade em gozos e cantorias, e, por outro lado, os maus iriam para o utópico Inferno e ali permaneceriam, também por toda a eternidade, atormentados por sofrimentos indescritíveis. Como decorrência, de uma mesma família uns iriam para o Céu e outros para o decantado Inferno; os primeiros, porque foram bons, e os segundos, porque foram maus.

Seria possível que qualquer mãe vivesse em paz e satisfeita, sabendo que um dos seus entes queridos estaria nos planos inferiores (Inferno), gemendo e atormentado por um fogo inextinguível? Não preferiria ela, porventura, ir também para esses planos de sofrimento e ali permanecer em companhia daquele que foi o sangue do seu sangue, suavizando, com as gotas do seu pranto, as tormentas daquele ser do seu coração?

Nesse particular, as mães terrenas seriam muito mais afetuosas, pois, qual delas viveria em harmonia, sabendo que um dos seus entes queridos estaria recluso numa penitenciária ou sendo submetido, com rigor, a torturas, mesmo levando em consideração que as penalidades seriam temporárias, e, no decantado Inferno, as penas seriam eternas e irremissíveis?

Pela Reencarnação, porém, a mãe em apreço, embora sofra com as quedas do filho e com a sua conseqüente punição na Terra, ou mesmo no plano espiritual, através das vidas sucessivas, terá o consolo e o conforto de saber que a pena é transitória; que a expiação é um instrumento de regeneração, que permitirá, em futuro não muito dilatado, que ela se reúna, novamente, ao Espírito do filho, formando uma família espiritual.

Deus é Justiça e Amor. A Reencarnação enaltece essa Justiça, ao passo que a crença na unicidade da existência a rebaixa a um estágio de inferioridade e degradação, muito ficando a dever a precária justiça terrena que concede o "sursis" e outras regalias aos criminosos propensos à regeneração.

A Reencarnação é, pois, sinônimo de equilíbrio e de eqüidade.

Ela explica, do modo mais racional possível, as anomalias que se verificam na Terra, tais como as diversidades de aptidões e de posição social, explica porque uns são ricos e outros pobres, uns são doentes e outros prenhes de saúde, uns vivem cinqüenta ou mais anos e outros vivem apenas seis meses, uns são sábios e outros néscios, uns vivem no fausto, no maior conforto, e outros levam uma vida no fundo de um mísero catre de um sanatório ou de um leprosário.

A Reencarnação é, enfim, a apoteose da bondade divina, impregnada de misericórdia, aplicada em todos os ramos da vida humana, pois Deus é Pai de Amor, de Bondade e de Justiça.

Paulo A. Godoy