AS TRIBULAÇÕES DE CADA DIA

"NÃO VOS INQUIETEIS, POIS, PELO DIA DE AMANHÃ,
PORQUE O DIA DE AMANHÃ CUIDARÁ DE SI MESMO.
BASTA A CADA DIA O SEU CUIDADO." (MATEUS,6:34)

Deduzimos destas palavras de Jesus Cristo que o homem não deve preocupar-se com o dia de amanhã, porque basta viver as tribulações de cada dia.

O Mestre afirmou que se Deus sustenta os pássaros do Céu, os quais não semeiam, não colhem e não mantêm celeiros, que se o Pai Celestial veste os lírios do campo que não trabalham nem fiam, com mais esplendor que Salomão em toda a sua glória, com muito mais razão Ele vela pelos homens, que têm muito mais valor que os pássaros e os lírios do campo.

Aqui cabe esclarecer que não estava na cogitação do Mestre desestimular os homens da preocupação de prover os meios de sobrevivência na velhice, mas, sim, de não viverem amargurados pelo que poderá advir no dia de amanhã, ou seja, no crepúsculo da vida terrena.

Os homens são regidos por leis sábias, e a lei de Causa e Efeito é uma delas. Não existe sofrimento sem uma causa. Reiteradamente, muitos homens passam por agudas tribulações numa determinada vida, como conseqüência dos desvios praticados em vidas pretéritas; portanto, quando são assolados por esses desequilíbrios, não devem jamais julgar que estão desamparados por Deus, porque, se o Pai sustenta os pássaros do Céu e veste os lírios do campo, com muito mais razão provê os homens de meios para ultrapassarem as fases agudas da vida.

No processo evolutivo que impulsiona as criaturas existem dois fatores primordiais: a provação e a expiação. Quando um Espírito encarnado fracassa na provação, então inapelavelmente surgem as expiações. Esses dois fatores são requisitos que presidem a vida do Ser encarnado, prosseguindo mesmo quando desencarnado, uma vez que o processo evolutivo dos Espiritos é constante, e Deus quer que todos os seus filhos se tornem, com o decorrer dos anos e dos séculos, criaturas sábias, benevolentes e possuidoras de virtudes santificantes.

Jesus Cristo nos legou uma sentença que é importantíssima para o triunfo do Espírito nessa escalada evolutiva: "A cada um será dado segundo as suas obras'". O indivíduo que se enquadra nesse ensinamento do Mestre, passa a reconhecer que nem a graça, nem a fé, por si sós, são veículos propulsores no sentido de guindá-lo à redenção espiritual, meta essencial na vida de cada um. A prática das boas obras é necessária, e isso é sobejamente demonstrado nas Epístolas de Paulo de Tarso e de Tiago Menor.

Desde que a criatura se predisponha a trilhar a vereda do bem, praticando obras boas e meritórias em sua provação, estará furtando-se a um doloroso processo expiatório repleto de tribulações de toda a ordem.

Entretanto, se o homem que está vivendo um processo expiatório, vier a defrontar-se com as tribulações inerentes à vida humana, deverá ter em mente a recomendação de Jesus, contida em Mateus, 6:34: Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu cuidado", não se esquecendo jamais de que nesse processo existem duas alternativas: o amor ou a dor, e, fazendo uso do seu livre-arbítrio, ele poderá escolher qual o caminho mais adequado.

Paulo A. Godoy