EM
BUSCA DO REINO DOS CÉUS |
"Buscai,
pois, em primeiro lugar o Reino de Deus, e a sua justiça, e
todas estas coisas vos serão acrescentadas. " (Lucas, 12:31)
Toda vez que uma tentação afligir a nossa alma, por mais vantagem que ela ofereça, devemo-nos lembrar de que no episódio ocorrido na tentação de Jesus Cristo, pelos agentes das trevas, Ele repeliu, vementemente, aquele que lhe oferecia o domínio sobre todos os reinos da Terra.
Jamais o nosso sentimento deverá ser afetado por qualquer tipo de tentação emanada de seres inferiorizados, pois, aquilo que, momentaneamente, pode nos parecer um bem, poderá acarretar-nos anos e anos de arrependimento e sofrimento.
Se não nos dispusermos a perdoar nosso irmão, setenta vezes sete vezes, conforme a recomendação de Jesus, procuremos perdoá-lo pelo menos uma vez.
Precisamos procurar afastar de nós as pequeninas gotas de fel que amargam a nossa vida, e, para isso, convém lembrar que Jesus Cristo, com toda a sua pureza e elevação espiritual, tragou a taça amarga do sacrifício no Calvário.
Devemo-nos lembrar de que somos seres eternos, e que as horas de sofrimento que vivemos na Terra são pequenas gotas de orvalho caídas no incomensurável oceano de nossa existência como alma imortal.
Se nenhuma folha seca cai de uma árvore, sem a vontade de Deus e, se até os cabelos de nossas cabeças estão contados, não nos devemos desesperar, julgando-nos longe dos olhos de Deus, mas temos de alimentar a certeza plena de que estamos palmilhando senda evolutiva, e mesmo os pequenos sofrimentos que acometem a nossa vida são regidos pelas sábias leis do Criador de todas as coisas.
Não podemos aniquilar as esperanças do nosso irmão de jornada terrena. A caminhada comum é penosa para todos, portanto, como o velho Simão Cireneu, precisamos, na medida de nossas possibilidades, ajudar o nosso irmão a levar a sua cruz até o crepúsculo de sua existência.
Quando tivermos o coração amargurado pela incompreensão dos homens, devemo-nos lembrar de que Jesus, ao trazer a sua mensagem de paz, esperança e amor, teve como resposta as blasfêmias, os açoites, a coroa de espinhos e a crucificação.
Exultemo-nos com a alegria que bafeja o nosso lar, mas temos de fazer com que dela compartilhem todos aqueles que nos cercam e dependem do nosso amparo e proteção.
É lógico que nos preocupamos com a escalada da violência na Terra, mas devemo-nos lembrar de que os tempos são chegados, e esse estado de coisas representa o prelúdio das grandes reformas que acontecerão no mundo, nos séculos que se avizinham.
Lembremo-nos de que seguindo os padrões evangélicos delineados por Jesus Cristo, estaremos aproximando-nos, cada vez mais, de Deus, implantando em nosso coração as primícias do Reino dos Céus.
Não devemos julgar que a cruz que transportamos sobre os nossos ombros seja maior que a do nosso irmão. Lembremo-nos de que o Pai Celestial não coloca sobre os ombros frágeis de seus filhos um fardo que eles não possam suportar. Muitos dos nossos irmãos carregam, na Terra, cruzes tão pesadas que superam, de longe, a cruz que transportamos.
Não peçamos a Deus que diminua o tamanho e o peso da cruz que carregamos. Pelo contrário, devemos pedir ao Pai que fortaleça os nossos ombros e nos dê forças para carregá-la.
Todos os filhos de Deus devem fugir das tentações do suicídio pois, aquilo que julgamos seja o ponto final de uma existência terrena, representa o início de um indescritível ciclo de sofrimentos dos mais agudos e prolongados.
Se Salomão, o portentoso rei dos Judeus, jamais se vestiu como um lírio do campo, conforme asseverou Jesus, devemo-nos lembrar de que, um dia, a nossa alma se revestirá com o diáfano véu da iluminação espiritual, quando tivermos vencido todas as fases das provações terrenas, as quais nos encaminharão para a redenção espiritual.
Se Deus sustenta os pássaros dos Céus, os quais não plantam, nem armazenam em celeiros, não nos podemos esquecer de que o Reino de Deus virá a nós por acréscimo, quando tivermos cumprido a vontade soberana do nosso Criador, processando dentro de nós a Reforma Íntima.
Não nos devemos preocupar com as calúnias que atiram em nossa face. Lembremo-nos do adágio popular: "O cão ladra e a caravana passa".
Enquanto os Apóstolos de Jesus viram apenas ossada e podridão no cadáver de um cão, observando-o, o Mestre Jesus admirou os belos dentes que o animal possuía. Assim, devemos procurar achar sempre uma qualidade boa em nosso irmão, pois todas as criaturas de Deus têm um lado bom e positivo, o qual deve ser enaltecido.
Quando, como Espíritos encarnados, tivermos de passar por fases amargas, como conseqüência das transgressões cometidas em vidas anteriores, lembremo-nos do exemplo do nosso Mestre Jesus, que expirou no madeiro infamante por ter descido à Terra para ensinar aos homens como atingir a redenção espiritual, através da Reforma Íntima.
Paulo
A. Godoy