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NATAL
DE JESUS |
"E O VERBO SE FEZ CARNE E HABITOU ENTRE NÓS."
No dia 25 de dezembro a Humanidade comemora a data máxima da Cristandade: o advento entre nós do Filho Ungido de Deus.
Nessa auspiciosa efeméride, a figura singular do Cristo é reverenciada por aqueles que já tiveram a ventura ímpar de travar conhecimento com a sua imorredoura mensagem.
Nada do que surgiu até agora sobre a Terra, nenhuma filosofia, nenhuma escola, nenhuma assembléia, nenhum poder cconômico, nenhum exército, por mais aguerrido que fosse, teve tão marcante influência sobre a Humanidade como a ação desenvolvida por Jesus Cristo, durante os três curtos anos de Messiado.
E para que Ele desempenhasse essa missão repleta de amor, de persuasão, de tolerância e de paz, não teve que se amparar cm nenhuma força humana e em nenhum sistema instituído pelos homens.
Nascido em humílima aldeia, em obscuro país de pastores, proveio da linhagem de singela família, e para seus seguidores mais imediatos convocou alguns poucos pescadores que encontrou às margens do mar da Galiléia.
Não procurou os grandes e potentados, porque sabia que não se podia servir, simultaneamente, a dois senhores: a Deus e aos interesses do mundo.
Não solicitou o concurso dos eruditos, dos sábios, porque a sua mensagem era dirigida aos simples e pequeninos.
Não adquiriu nenhum tesouro na Terra, porque sabia que o maior tesouro, o único imperecível, é aquele que se acumula nos Céus.
Não portou nenhum título, porque sabia que a humildade é a credencial maior para os grandes cometimentos.
Num sublime sermão, ensinado num monte, sintetizou toda a magnificência das promessas vivas contidas em sua Doutrina.
No desenvolvimento de algumas dezenas de parábolas, singelas e encantadoras, propiciou aos homens a exata compreensão dos seus deveres, das suas responsabilidades e solapou todo e qualquer monumento dogmático que viesse a surgir no futuro.
Em singelo colóquio com a Mulher Samaritana, deu-nos a possibilidade de conhecer a religião verdadeira, a religião de Espírito e Verdade, mudando o conceito de adoração, para que viéssemos a compreender Deus em sua verdadeira essência.
Não quis receber o qualificativo de Bom, afirmando que somente Deus é Bom.
Ao receber o apelo de um moço para servir de intermediário na partilha de uma herança, negou-se a fazer o papel de juiz, aditando que "com a medida com que medirmos seremos medidos".
Afastando de Maria Madalena uma legião de Espíritos obsessores, ensinou-lhe a fórmula da Reforma Íntima, transmudando-a numa das suas mais ardentes e dedicadas seguidoras e prometendo-lhe que "muitos dos seus pecados lhe seriam perdoados, porque ela muito amou".
No encontro com Nicodemos, esboçou, sabiamente, os princípios salutares da lei das vidas sucessivas.
Na majestosa manifestação do Tabor, deu a mais efusiva demonstração da comunicabilidade existente entre os Espíritos encarnados e desencarnados.
Discorrendo sobre as muitas moradas que existem na Casa do Pai, confirmou a pluralidade dos mundos habitados.
Diante do ato de violência de um dos seus Apóstolos, sentenciou: "Guarda a tua espada, porque, quem com ferro fere, com ferro será ferido ".
Apesar de todos os seus atos bons, dos seus maravilhosos ensinamentos, da sua candura, mansuetude e bondade, uma multidão, fanatizada, preteriu-o em favor do facínora Barrabás.
Trinta moedas de prata foram o preço convencionado, para que a sua voz se silenciasse e Ele fosse entregue aos seus detratores.
Com seu maravilhoso poder de sintetizar os conceitos da época, conseguiu reunir, num só mandamento, as ordenações de um decálogo e os ensinamentos ministrados por centenas de Profetas, ou médiuns, em mais de 20 séculos.
Estabeleceu uma Doutrina tão sublimada que, apesar das dificuldades reinantes que existiam no sistema de comunicação, em três séculos, apenas, causou a derrocada de um milenar politeísmo, prevalecente no mais poderoso Império do mundo de então.
Coroando a sua missão incomparável, prometeu o advento de um Espírito Consolador que restabeleceria toda a Verdade, asseverando que "o Espírito seria derramado sobre toda a carne".
Após 20 séculos, Ele continua a ser o Mestre dos Mestres, o Meigo Pastor das almas, em cujo aprisco se reunirá, um dia, sob o seu cajado, um só rebanho, pois todos reconhecerão a voz do Pastor.
Conseqüentemente,
no transcurso de mais um Natal, só nos resta abrir as portas dos nossos
corações, para que o Mestre, bom e meigo, faça neles a
sua morada, agora e sempre.