NECESSIDADE DE UNIÃO

É conveniente relembrar uma afirmação de Jesus Cristo, a qual deixa transparecer a importância da união de princípios como fator imprescindível para atingir o objetivo básico de qualquer doutrina ou idéia. A máxima estabelecida pelo Cristo é:

"Um reino subdividido não poderá subsistir".

O Mestre, na qualidade de profundo conhecedor das tendências personalistas dos homens, previu as causas que originavam as dissensões e a conseqüente divisão dos agrupamentos que representariam a Boa Nova que Ele viera revelar aos homens: a História nos atesta, de maneira insofismável, que Jesus tinha toda razão: a fragmentação grassou fundo no meio dos seus seguidores coevos e pósteros, e, apesar dos reiterados esforços desempenhados pelo Mundo Maior no sentido de harmonizar as várias correntes de opiniões em torno do lema "Amai-vos uns aos outros", não se logrou uma fórmula capaz de conduzir a esse desiderato, e muitas ramificações do Cristianismo se espezinham mutuamente, desprezando as mais simples expressões contidas nas páginas fulgurantes do Evangelho: o amor, a solidariedade e a tolerância.

Os mentores do Mundo Maior não medem esforços no sentido de apressar o advento desse apaziguamento geral, porém temos certeza de que isso não será para os nossos dias, mas, eventualmente, para as gerações do Terceiro Milênio.

Os Espíritas não devem perder tempo. A Era predita pelo Cristo se aproxima vertiginosamente.

Muito tempo precioso já foi perdido nos 20 séculos que já se escoaram, desde a vinda de Jesus, e nós mesmos, em existências anteriores, contribuímos para a nulidade desse tempo.

Uma vez que o Espiritismo representa a Terceira Revelação, ou o Consolador Prometido, que veio para a finalidade precípua de restaurar os ensinamentos do Cristianismo, cabe aos Espíritas fazer com que a Doutrina que professam seja um modelo para todas aquelas que têm o Cristo como figura exponencial.

Somente dentro dessas linhas o Espiritismo estará preenchendo as suas finalidades históricas.

Já existem Sociedades Espíritas que lutam por um entrelaçamento entre todas as correntes religiosas, procurando demonstrar com lógica, que todos nós temos por Mestre incomparável Jesus Cristo, que o objetivo do Cristianismo é formar um só rebanho sob o cajado de um só pastor.

Agindo dentro do amplo e coletivo sentido do lema kardecista: "Trabalho, Solidariedade e Tolerância", temos certeza de que as gerações futuras - que serão formadas por nós próprios reintegrados em novos corpos - colherão os frutos sazonados da árvore generosa do amor.

Paulo A. Godoy