O OURO E O TEMPLO

Ai de vós, condutores cegos! Pois que dizeis: Qualquer que jurar pelo Templo,
isso nada é, mas o que jurar pelo ouro do Templo, esse é devedor. Insensatos
e cegos! Pois qual é o m
aior, o ouro ou o Templo que santifica o ouro?" (Mateus,
23:16 e 17)

A pátria dos judeus, talvez por ser na época a única nação monoteísta da Terra, foi escolhida por Deus para receber em seu meio a personalidade excelsa de Jesus Cristo, tendo Ele ali lançado a generosa semente dos Evangelhos.

No entanto, o Mestre ali encontrou numerosos opositores, principalmente entre os Escribas e Fariseus, que não toleravam o advento de inovadores, como era o caso de Jesus, que vinha trazer a Boa Nova suscetível de levar as criaturas a se aproximarem cada mais do Criador.

Face à resistência que esses homens ofereceram à pregação do Mestre. Este verberava tal procedimento, fazendo evidenciar que entre os Escribas e Fariseus reinava profunda hipocrisia, dificultando assim, o objetivo básico de Jesus, que era de fazer generosa sementeira de novos ensinamentos no meio do povo humilde daquela nação.

Os Escribas e Fariseus eram fiéis defensores da religião que ali dominava e se alicerçava nas Leis estabelecidas por Moisés. Embora Jesus tivesse esclarecido que não veio para destruir as leis e os profetas, mas sim dar-lhes cumprimento (Mateus, 5: 17), teve que contrariar certas ordenações emanadas daquele grande legislador hebreu, dentre elas as que ordenavam o apedrejamento de mulheres adúlteras, a observância dos dias de sábado e outras tantas do mesmo dito: "Ouvistes o que foi dito aos antigos, olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mau, mas se alguém vos bater na face direita apresentai-lhe, também a outra" (Mateus, 5:38 e 39).

Jesus chamou a atenção para o fato de se ter chegado ao extremo de anular os mandamentos por causa das tradições. Um dos casos era a prescrição estabelecida que permitia liberar quem quisesse ficar desobrigado de honrar o seu pai e a sua mãe, bastando para isso, levar uma oferenda ao Templo e dizer "Corban", isto e oferta ao Senhor (Marcos, 7, e Mateus, 15), ficando o ofertante livre de qualquer obrigação para com os pais.

Eis a que ponto levou a insensatez: fazer com que uma simples resolução humana anulasse um mandamento oriundo de uma fonte divina. Por isso, o Mestre qualificou os Escribas e Fariseus de expoentes da hipocrisia, os quais chegavam a dizer "quem jurar pelo altar isso nada representa, mas, quem jurar pela oferta que está sobre o altar, esse torna-se devedor", ou "quem jurar pelo Templo isso nada é, mas quem jurar pelo ouro do Templo, esse se torna devedor".

O sentido da recomendação do Mestre era de não violar nenhum dos mandamentos, por menor que ele fosse, alertando que serão encarados com rigor os que ensinarem coisas erradas aos homens. Aqueles que assim procederem serão considerados muito pequenos perante a justiça do Criador, por outro lado, serão considerados grandes os que ensinarem e praticarem coisas justas e nobres, que possam impulsionar as almas para Deus, ou se apressar o encaminhamento da criatura rumo ao Criador de todas as coisas.

Aqui cabe salientar que existem os que induzem ao erro sem conhecimento de causa, por ignorância, mas também existem que o fazem deliberadamente, com pleno conhecimento de causa, muitas vezes por presunção ou orgulho, e outras vezes por espírito de hegemonia, ou por obediência a sistemas ou organismos dogmatizados, que se distanciam da Verdade.

Segundo o judicioso dizer de Jesus Cristo: se a nossa justiça não exceder a precária justiça dos Escribas e Fariseus, não entraremos no Reino dos Céus. É necessário que a suplantemos em todas as latitudes, a fim de podermos merecer o beneplácito de Deus e dos nossos maiores da Espiritualidade.

Em todas as épocas da Humanidade, no meio de muitas criaturas sempre houve uma supremacia dos bens materiais sobre os espirituais. Neste caso, o ouro tinha maior valor que o Templo e a oferenda tinha mais valor que o altar, o que originou o ensinamento contido no Evangelho de Mateus (23: 16) .

No tocante aos Escribas e Fariseus, eles mereceram de Jesus as mais severas críticas, senão vejamos o que consta nos versículos 3 e 4 do capítulo 23, do Evangelho de Mateus:

"Obervai, pois, e praticai tudo aquilo que eles vos disseram, mas não procedais em conformidade com suas obras" (Vers. 3) . Eles atam pesados fardos e difíceis de serem carregados e os põem sobre os ombros dos homens: eles, porém, nem com os dedos querem move-los" (Vers. 4).

Paulo A. Godoy