O REDENTOR

"O que escrevi, escrevi, respondeu Pilatos." (João, 19:22)

Quando Jesus Cristo foi pendurado no madeiro infamante, no cimo do Monte Calvário, após ter transportado em seus ombros aquele pesado instrumento de suplício, o procônsul Pôncio Pilatos, contrariando os principais sacerdotes, ordenou que fosse colocada sobre a cabeça de Jesus uma placa com a inscrição: "Jesus Nazareno, Rei dos Judeus", escrita em três idiomas: Latim, Grego -hebraico.

A inscrição em Latim era "IESUS NAZARENNUS REX IUDEORONS", inscrição essa que foi simplificada para INRI conforme aparece em todas as gravuras e imagens do Cristo crucificado.

Teria o Mestre vindo à Terra para ser simplesmente o Rei dos Judeus? É óbvio que Pilatos não compreendia a extensão da gloriosa missão de Jesus Cristo, que ali estava o Rei de toda a Humanidade, Rei dos Reis.

Entretanto, diante da indagação do governador romano: "Logo tu és Rei? É obvio que o Mestre retrucou: "Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade", tendo, logo a seguir dito: "Mas agora o meu Reino não é deste mundo".

É lógico que o Mestre não desceu à Terra para exercer um domínio político e transitório. Ele é algo mais do que um Rei, na acepção da palavra. Veio para ser o Redentor de toda a Humanidade, ensinando-lhe normas de conduta que pudessem conduzi-la a um estágio superior, no que tange ao seu aprimoramento moral e espiritual.

Os judeus contemporâneos de Jesus esperavam um Messias da estirpe de Davi, que, com a sua funda, abatesse todos os Golias que ousassem impor-lhes um jugo estranho. Um rei avassalador que expulsasse os invasores romanos e dilatasse as acanhadas fronteiras da Judéia.

Consoante as profecias, o tão esperado Messias nasceu da descendência de Davi, e na mesma cidade onde Davi havia nascido. Porém, o pai de Jesus era humilde carpinteiro, e seus companheiros de missão eram homens simples, a maior parte deles humildes pescadores que lutavam pelo pão de cada dia.

Jesus não tinha nenhuma pretensão de mando: não ambicionava o cetro dos potentados terrenos; não pretendia servir aos interesses dos homens: não veio para ser servido, mas para servir.

Não cogitava expandir as fronteiras de sua nação; apregoava o amor e a tolerância; recomendava o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos e prometia a bem· aventurança aos pacificadores e aos humildes.

Paulo A. Godoy