UMA PROIBIÇÃO INCONSISTENTE

Algumas religiões têm por hábito combater o Espiritismo, com fundamento na proibição implantada por Moisés de se invocar os Espíritos dos chamados mortos.

Aqui cumpre esclarecer, no entanto, que a proibição instituída por aquele grande legislador dos hebreus objetivava coibir o hábito prevalecente em sua época de mercantilizar os dons mediúnicos, evocando Espíritos para tratar de assuntos terra-a-terra, o que, aliás, o Espiritismo também condena, pois na Doutrina dos Espíritos as evocações devem ter um caráter sério, tratando-se, exclusivamente, de coisas nobilitantes, que objetivam impulsionar os Espíritos encarnados na senda do progresso, combatendo o mercantilismo com as coisas do Alto.

A prova de que Moisés tinha esse objetivo está inserta em seu livro "Números" (11:26 a 29), no qual está explícito que "dois homens, cujos nomes eram Eldad e Medad, estavam praticando seus dons mediúnicos no campo".

Um jovem, vendo esse fato, correu em direção a Moisés, para denunciar aqueles que estavam praticando uma coisa proibida.

Estando Josué ali presente, aproximou-se de Moisés e recomendou que ele fosse proibir tal prática.

Conhecendo o caráter de Eldad e Medad, o legislador disse:

-"Que ciúmes são estes por mim. Oxalá em Israel todos fossem profetas e o Senhor lhes desse o seu Espírito".

Essas palavras de Moisés lançam por terra a tão comentada proibição, quando as evocações têm um caráter sério, cabendo aqui esclarecer que o próprio Moisés praticava as evocações, entrando em contato com a entidade chamada Jeová, não desconhecendo que o Pai Celestial não se comunica diretamente com os homens.

Conseqüentemente, a proibição de Moisés objetivava tão-somente as evocações de Espíritos para fins menos edificantes, o que também não sucede no meio do Espiritismo.

Paulo A. Godoy