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FILHOS ALHEIOS |
Ei-lo rude e soberbo, que te afronta,. desrespeitoso e ingrato, exaurindo-te as reservas de ânimo e deixando-te em lamentável estado emocional.
Insensível aos teus apelos e indiferente às tuas colocações, apresenta-se marcado por fundos traumas dos quais não tens culpa, olhar desvairado, parecendo estar a um passo da loucura, amedrontando-te e inspirando-te a desistência do ideal educativo.
Tomando atitude vulgar, suas palavras são chulas ou brutais, passando, através do tempo, a desconsiderar-te, como se a tua fosse a tarefa de servi-la e deixá-laà vontade.
E gentil, quando estás de acordo com os seus desejos absurdos, anelando por uma vida ociosa e desprezível. Tão pronto lhe falas em dever, obrigações, rebela-se, resmunga, desobedece e ameaça.
Estás a ponto de o abandonar.
Indagas-te, muitas vezes, pela criança indefesa e necessitada que recebeste nos braços, requerendo-te ternura e amor...Através das recordações, revês o corpo frágil e enfermo que cuidaste e atendeste com esperanças de preparar um cidadão para o mundo, um homem para a sociedade !
Não pode ser o mesmo, este agressivo adversário, o menino que albergaste no coração.
Ali está a mocinha petulante e voluntariosa, exigente e inquieta.
Intoxicada por anseios de liberdade exagerada, extravasa amargura e faz-se revoltada por depender das tuas mãos vigorosas que a impedem, momentaneamente, de complicar-se, tombando no fosso de dores que lamentará mais tarde.
Astuta, pensa que te engana, traindo a tua confiança e fugindo ao maternal apoio que lhe dispensas, voluntariamente desconectando as engrenagens do equilíbrio.
Observando-a, menina-moça audaciosa, perguntas pela criança fraca que te chegou, há pouco, e a quem amaste com devotamento e carinho.
Parece que isso não pode acontecer contigo: receber urze após haver semeado flores e sorver fel na taça em que doaste linfa benfazeja ! A realidade, porém, é mais forte do que os planos que acalentaste de felicidade, e temes não dispor de mais forças para continuar.
Filhos
alheios são, também, filhos de Deus.
Perguntas-te se valeu o investimento dos teus melhores anos de vida, que lhes
ofertaste, em face dos resultados que recolhes.
Toda a aplicação do bem, sempre retorna um dia. Não te assustes nem temas ante os precipitados momentos da alucinação que toma conta da atualidade histórica.
Redobra a capacidade de amor e não te desapontes.
Se o rebelde fora teu filho ou tua filha, isto é, se nascido do teu corpo, como procederias?
Deixa-lo-ias ao abandono, porque é doente moral e se encontra em crise emocional?
Pergunta as mães sacrificadas, que não desistem nem abandonam os filhos, e elas nublarão de lágrimas os olhos, informando-te que, assim mesmo, os amam e porfiarão até o fim.
Pensas que ainda podes gozar uma vida melhor, livre de problemas e de tais inquietações.
Onde, porém, essa paisagem de lazer e paz na Terra?
Se não recebes o retributo do bem próximo que fizeste, é porque te estão chegando os efeitos do mal que realizaste antes.
Chegará a vez da colheita da paz, cuja semente de amor depuseste no solo dos corações da carne alheia, que aceitaste como tua oportunidade de redenção. A criança risonha, cresce, e sua face, às vezes, se altera e deforma.
O futuro, no entanto, trabalha-la-á de modo a despertá-la para o certo e o verdadeiro sentido da vida.
Nunca te arrependas do amor que doaste a alguém, nem te aflijas em face da resposta que ainda não chegou, benéfica.
Tem paciência e insiste mais.
Continua amando a criança e compreenderás o adulto atormentado.
São doentes, sim, os filhos alheios a quem amas e que te não reconhecem o carinho, como o são também os filhos da própria carne, que se debatem nas armadilhas da desdita, tornando-se arrogantes e perversos, desconhecidos e prepotentes.
Com Jesus aprendemos que o amor eleve enfrentar os desafios da dificuldade, robustecendo-se na fé e servindo com as mãos da caridade até a plenitude, quando o homem, regenerado, estará numa Terra feliz que ele mesmo edificará.
Contemplarás, então, a gleba humana ditosa e te alegrarás pelo quanto contribuíste para que ela se fizesse plena.
Joanna de Ângelis