21 - ÓDIO |
A LIÇÃO DA ESPADA
"Não cuideis que vim trazer a paz à Terra..." - Jesus, (Mateus, 10:34)
"Não vim trazer a paz, mas a espada" - disse-nos o Senhor.
E muitos aprendizes prevalecem-se da feição literal de Sua palavra, para estender a sombra e a perturbação.
Valendo-se-lhe do conceito, companheiros inúmeros consagram-se ao azedume no lar, conturbando os próprios familiares, em razão de lhes imporem modos de crer e pontos de vista, vergastando-lhes o entendimento, ao invés de ajudá-los na plantação da fé viva quando não se desmandam em discussões e conflitos, polemizando sem proveito ou acusando indebitamente a todos aqueles que lhes não cumunguem a cartilha de VIOLÊNCIA e de CRUELDADE.
O mundo, até a época do Cristo, legalizara a prepotência do ÓDIO e da IGNORÂNCIA, mantendo-lhe a terrlvel dominação, através da espada mortífera da guerra e do cativeiro, em sanguinolentas devastações.
A realeza do homem era a tirania revestida de ouro, arruinando e oprimindo onde estendesse as garras destruidoras.
Com Jesus, no entanto, a espada é diferente. Voltada para o seio da Terra, representa a cruz em que Ele mesmo prestou o testemunho supremo do sacrifício e da morte pelo bem de todos.
É por isso que o Seu exemplo não justifica os instintos desenfreados de quantos pretendam ferir ou guerrear em Seu nome.
A disciplina e a humildade, o amor e a renúncia marcam-lhe as atitudes em todos os passos da senda.
Flagelado
e esquecido, entre o escárnio e a calúnia, o perdão espontâneo
flui-lhe, incessante, da alma, para somente retribuir bênção
por maldição, luz por treva, bem por mal.
Assim, se recebeste a espada simbólica que o Mestre nos trouxe à
vida, lembra-te de que a batalha instituída pela lição
do Senhor permanece viva e rija; dentro de nós, a fim de que, ensarilhando
sobre o pretérito a espada de nossa antiga insensatez, venhamos a convertê-la
na cruz redentora, em que combateremos os inimigos de nossa paz, ocultos em
nosso próprio "eu", em forma de orgulho e intemperança,
egoísmo e animalidade, consumindo-os ao preço de nossa própria
consagração à felicidade dos outros, única estrada
suscetível de conduzir-nos ao império definitivo da Grande Luz.
Emmanuel