MEDIUNIDADE E SERVIÇO |
Agora, que as clausuras religiosas começam a se abrir e o isolamento sacerdotal se converte em vivência social, seria curioso se os espíritas instituíssem um sistema de segregação para os médiuns.
Tanto mais que o Espiritismo é uma doutrina aberta, só comparável ao Cristianismo primitivo dos tempos em que Jesus e os seus discípulos viviam no meio do povo, servindo a Deus no serviço aos homens.
A mediunidade não é privilégio, não é concessão especial, mas faculdade humana natural. Todos a possuímos, em maior ou menor grau, conforme as nossas necessidades.
Assim como devemos empregar a nossa inteligência e as nossas habilidades ao serviço do próximo, assim também devemos utilizar a nossa mediunidade na boa orientação das relações sociais. O médium isolado seria um contra-senso, como a lâmpada sob o alqueire de que nos fala o Evangelho.
Sua função não é esconder a luz que possui, mas irradiá-la em benefício de todos.
A missão mediúnica é semelhante a todas as demais missões que o espírito, ao encarnar, traz para a Terra. A natureza social da mediunidade condiciona o médium a todas as exigências das relações humanas.
Na verdade, a sociabilidade atinge na mediunidade o seu mais alto grau, pois o médium é o indivíduo colocado a serviço de duas coletividades, a visível e a invisível.
Sua função social transcende o plano horizontal das relações existenciais, estabelecendo as relações do plano vertical entre os homens e os espíritos.
E essas relações, até ontem consideradas sobrenaturais, são hoje reconhecidas como naturais, comuns a todas as criaturas.
Como
acentua Emmanuel, os médiuns, por mais elevados que sejam, não
passam de criaturas em resgate dos erros do passado.
Isolá-los, negar-lhes o direito a vida norrmal dos homens, furtá-los
à experiência da vida, seria regredirmos no tempo, esquecendo os
princípios fundamentais do Espiritismo para cairmos de novo no conceito
errôneo dos privilégios espirituais.
Mediunidade é serviço, mas sobretudo serviço fraterno - que só pode ser realizado com proveito no ombro a ombro da vida comum.