DIFICULDADE DAQUELES QUE AMAM

Para que possamos compreender e sentir tanto quanto possível, a carta de Antenor, na qual enfatiza ele seu agradecimento à filha - Sra. Lélia - pela "continuidade de sua fortaleza e resignação", depois da rude prova por que passou, descendo do píncaro da alegria com o enlace matrimonial da filha para sofrer a despedida do esposo, pelas vias da morte, rogamos vênia ao leitor para transcrever dois trechos da obra Voltei (Fco.C.Xavier, Irmão Jacob, Voltei).

O primeiro deles, extraímos do prefácio da obra, recebido pelo médium Xavier, a 19 de fevereiro de 1948, e o segundo da parte final do capítulo 2 - "À frente da morte" -, com o subtítulo de "Minha Filha: "

"Enquanto no corpo", - afirma Irmão Jacob - "não formulamos a idéia exata do que seja a realidade, além da morte. Ainda mesmo quando o Espiritismo nos ajuda a pensar seriamente no assunte debalde tentaremos calcular relativamente ao futuro, depois do sepulcro" .

"Os quadros sublimes ou terríveis no plano externo correspondem, de alguma sorte, à nossa expectativa; contudo, os fenômenos morais, dentro de nós, são sempre fortes e inesperados.

"Antes da passagem, tudo me parecia infinitamente simples !

"Observando-me relegado às próprias obras (por que não confessar?), senti-me sozinho e amedrontei-me. Esforcei-me por gritar, implorando socorro, porém os músculos não mais me obedeceram.

"Busquei abrigar-me na prece, mas o poder de coordenação escapava-me.

"Não conseguiria precisar se eu era um homem a morrer ou um náufrago a debater-se em substância desconhecida, sob extenso nevoeiro.

"Naquele intraduzível conflito, lembrei mais insistentemente o dever de orar nas circunstâncias mais duras ... Rememorei a passagem evangélica em que Jesus acalma a tempestade, perante os companheiros espavoridos, rogando ao Céu salvação e piedade ...

"Forças de auxílio dos nossos protetores espirituais, irmanadas à minha confiança, sustaram as perturbações. Braços vigorosos, não obstante invisíveis para mim, como que me reajustavam no leito. Aflição asfixiante, contudo, oprimia-me o íntimo. Ansiava por libertar-me. Chorava conturbado, jungido ao corpo desfalecente, quando tênue luz se fez perceptível ao meu olhar. Em meio do suor copioso lobriguei minha filha Marta a estender-me os braços. Estava linda como nunca. Intensa alegria transbordava-lhe do semblante calmo. Avançou, carinhosa, enlaçou-me o busto e falou-me, terna, aos ouvidos:

- "Agora, paizinho, é necessário descansar."

"Tentei movimentar os braços de modo a retribuir-lhe o gesto de amor, mas não pude erguê-los, pareciam guardados sob uma tonelada de chumbo.

"O pranto de júbilo e reconhecimento, porém, correu-me abundante dos olhos. Quem era Marta, naquela hora, para mim? Minha filha ou minha mãe? Difícil responder. Sabia apenas que a presença dela representava o mundo diferente, em nova revelação. E entreguei-me, confiado, aos seus carinhos, experimentando felicidade impossível de descrever."

Observemos, agora, para os nomes citados na mensagem, conquanto sejam praticamente todos nossos conhecidos, já que constam dos capítulos anteriores.

Simone: Trata-se da Sra. Simone Tereza Cavalcanti Nogueira, filha de Alvicto Osoris Nogueira e de D. Lélia de Amorim Nogueira.

Alvicto: O Espírito novamente se refere ao genro Alvicto Osoris Nogueira, nascido aos 8 de agosto de 1914, na Espanha, província de Goiá·Ponte Velha, tendo sido registrado em Ribeirão Preto, Estado de São Paulo, e desencarnado na estrada de Bela Vista, município de Bela Vista, Estado de Goiás, a 22 de outubro de 1967, quatro dias após o casamento de sua filha Simone, em conseqüência de um acidente automobilístico.

Nayá: Trata-se de D. Nayá Siqueira de Amorim, esposa do comunicante e mãe de D. Lélia e do Dr. Leônidas.

Conclusões:

l.a) os Espíritos se reconfortam com a paciência e a compreensão dos familiares ainda no Plano Físico, quando estes, realmente, se esforçam no sentido da conformação, ante os golpes da prova, por mais rude que seja;

2.a) cabe-nos esforçar-nos, ao máximo, no sentido de evitar qualquer impulso tendente à evocação consciente ou inconsciente do ente amado, residente no Mundo Espiritual, já que, às vezes, como no caso de Alvicto, a entidade não consegue escrever, presa de emoção indizível, mesmo decorrido cerca de um lustro após a desencarnação;

De outras vezes, o Espírito, com vistas a não aumentar esse ou aquele complexo de culpa em alguma criatura, ainda vestida do corpo físico, evita caridosamente criar problemas ou complicações. Aqui, como em todos os processos evolutivos, compete-nos aguardar as decisões da Vida Superior.

Busquemos orar em benefício dos que partiram, homenageando-lhes a memória através da prática integral do bem junto à Humanidade Maior;

3.a) finalmente, memorizemos este passo antológico da mensagem:

"A vida, filha, é assim como luz entre dois mundos. O amor nos faz agir na Terra, impulsionados pela falta e pela saudade que nos impõem todos aqueles que nos antecederam na morte, e, no Mundo Espiritual, a mesma saudade e a mesma falta que sentimos dos nossos entes queridos que, ainda na Terra, nos induzem a agir para que estejamos todos na mesma faixa de abençoada união."