FATALIDADE DO REENCONTRO

De uma entrevista com a genitora do comunicante, eis o que conseguimos colher:

"Nasceu Henrique Emanuel Gregoris a 7 de julho de 1952, em Goiânia.

Seus pais, Gastão Henrique Gregoris e D. Augusta Soares Gregoris, ambos espíritas, em homenagem ao luminoso Espírito de Emmanuel , registraram o filho com o seu nome.

Henrique teve uma infância feliz e despreocupada até à desencarnação de seu pai, vítima de afogamento durante um pescaria.

Passou pela adolescência quando sua família faceava grandes problemas financeiros.

Cedo deixou os estudos, indo trabalhar em Brasília - D.F., em 1972, a convite de um tio, Sr. Wilson Fidalgo, que lhe conseguiu colocação no Grupo do INCA, onde permaneceu por dois anos. Lá, prestou o vestibular na Universidade do Distrito Federal, para Administração de Empresas, sendo bem sucedido.

Com a morte do seu amigo Izídio Inácio da Silva, em acidente automobilístico, resolveu voltar para Goiânia, temendo com suas idas e vindas, "sofrer acidente e morrer longe da mãe e dos irmãos Em 1974, de volta, ingressou na PLANITEC, Assessoria e planejamento, a qual prestava serviços a APEGO - Associação de Poupança e Empréstimos de Goiás. Conseguiu a transferência de seus estudos para a Universidade Católica de Goiás.

Henrique, de personalidade alegre e extrovertida, gostava, à maneira do pai, de ajudar os amigos e as pessoas que o procuravam. Possuía amplo círculo de amizades entre jovens e adultos. Apreciava a vida do campo, tendo especial atração pela criação de gado vacum e cavalos, sendo estes seus planos para o futuro.

Era espírita. Gostava da literatura espírita, e seu último livro a ler, Jovens no Além (Trata-se do livro de Francisco Cândido Xavier, Caio Ramacciotti e Espíritos Diversos, Jovens no Além, Grupo Espírita Emmanuel), recebeu dele o seguinte comentário: "é um barato".

Nas férias e feriados, ia receber passes e água fluidificada, na Irradiação Espírita Cristã e no Centro Espírita Irmã Scheilla, na sua cidade de residência.

No dia 10 de fevereiro de 1976, no trabalho habitual, recebeu um telefonema de um amigo, convidando-o insistentemente para uma tarde alegre e divertida.

Henrique, solteiro e sem compromissos, concordou.

Às 22,30 horas do referido dia, sua mãe foi acordada por João Fontes, amigo e colega de Faculdade, dizendo que Henrique fora acidentado e estava muito mal no Hospital São Salvador, onde fora socorrido.

Chegando ao hospital, sua genitora foi informada pelo médico plantonista que seu filho havia falecido, vítima de arma de fogo. O amigo, com sua arma, tê-lo-ia ferido, julgando-se numa brincadeira.

Após 25 dias da desencarnação, seu pai Gastão Henrique Gregoris enviou expressiva mensagem, através do médium Chico Xavier, consolando a esposa e mãe.

A família desejava um esclarecimento sobre o fato, aguardando o desenrolar do processo instaurado pela Polícia do 1º. Distrito Policial de Goiânia.

Após alguns meses, o advogado da família, Dr. Wanderley de Medeiros, informou que o acusado havia sido absolvido.

A família não concordou, absolutamente, sendo feita a apelação para Instância Superior.

Dois dias após a apelação (desconhecendo totalmente o fato), o médium Francisco Cândido Xavier, a pedido do Espírito de Henrique, deslocou-se até Goiânia para dizer-lhe à genitora - D. Augustinha - que perdoasse o amigo.

D. Augusta, diante do pedido do filho desencarnado, imediatamente enviou uma carta ao seu advogado, solicitando-lhe que encerrasse definitivamente o processo."

Anotemos o que ostentou O Popular, de 18 de julho de 1976, sob o título "Mãe desiste de ação contra acusado da morte de seu filho" (O Popular, Cidade/Estado): "O juiz Orímar Bastos, da Comarca de Piracanjuba, respondendo pela de Hidrolândia, absolveu o bacharel João França de responsabilidade na morte de Henrique Emanuel Gregoris. Contratado pela mãe da vítima, o advogado Wanderley de Medeiros entrou com a petição de apelação contra a sentença, Dona Augusta Soares Gregoris, genitora de Henrique, antes que a petição tivesse curso, desistiu de apelação, comunicando a seu advogado que seu filho, depois de morto, perdoara ao acusado. Assim, a ação foi encerrada definitivamente.

Depois de transcrever, na íntegra, a mensagem de Gastão, eis o desfecho do artigo, do qual suprimimos a transcrição da carta de D. Augusta:

"Ao receber a notícia da absolvição do réu e julgando que o advogado dela, no processo, fizera considerações desairosas à memória do seu filho, Dona Augusta contratou Wanderley de Medeiros para a apelação.

"O médium espírita (O repórter se refere ao médium Fco.C. Xavier), contudo, veio pessoalmente a Goiânia para lhe dizer que Henrique Emanuel se manifestara em Uberaba e pedira à sua mãe para perdoar o acusado, que era inocente."

Da mensagem recebida pelo médium Xavier, no Grupo Espírita da Prece, ao final da sessão pública da noite de 25 de setembro de 1976, destaquemos apenas os seguintes itens:

1 - observemos a linguagem rica de gírias, que era habitual ao missivista, quando encarnado;

2 - "Véia" - tratamento carinhoso de Henrique, quando se dirigia à sua Mãezinha;

3 - curiosa a imagem do muro, sendo a morte nada mais que "um lado diferente";

4 - "Agradeço o seu pedido ao nosso amigo Dr. Wanderley, e peço transmita aos nossos, especialmente ao nosso Mário ... " - O Espírito se refere ao advogado da família - Dr. Wanderley de Medeiros e aos cunhados Mário Lúcio Sobrosa e Luiz Antônio Rabelo.

5 - Sumamente confortador verificarmos a técnica de enxugar lágrimas do jovem Henrique: através do trocadilho, servindo-se da expressão "entrar pelo cano", tão popular.

6 - Muito consolo a extrair para todos nós, os viajores da Eternidade: "Nunca me perdoaria, se o amigo estivesse em meu lugar em matéria de viagem forçada."

7 - Novamente, em tom jocoso, o Espírito alude à desencarnação do pai e à dele mesmo, alcançando, ao mesmo tempo, um clima altamente poético através da conotação dos signos fogo e águas do rio.

8 - Lembrete absolutamente concorde com o Capítulo XV de O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, - "Fora da Caridade não há Salvação": "Peço ao seu carinho: Medite nos Henriques outros que estão por aí necessitando de sua bondade de mãe."

9 - Depois de afirmar que "o nosso reencontro será fatal", isto é, que todos os espíritos afins um dia se reencontrarão para trabalharem unidos, co-criadores, colaborando com o Criador na expansão do Universo Infinito, conta como se surpreendeu seu avô paterno, Gregoris, ao vê-lo no Mundo Espiritual.

Na verdade, o Sr. Eduardo Gregoris desencarnara uma semana após a partida de Henrique, e desconhecia o penoso acontecimento que se lhe abatera sobre a família.

10 - "Conduzamos nosso Eduardo para a compreensão." Trata-se do irmão que, com efeito mostra autêntica vocação de aviador.

Sobre Lindbergh refere-se ao famoso (Charles August Linndbergh) aviador norte-americano.

11 - O trocadilho "deixei a APEGO a fim de apegar-me a outros valores" é da mais alta importância do ponto de vista de identificação do Espírito, já que o médium, de modo algum, poderia conhecer tantos detalhes, inclusive a circunstância de o comunicante ter saído "dos estudos para trabalho empresarial."

12 - Márcia e Ângela: irmãs de Henrique.

13 - Profundamente humano o fecho da carta mediúnica, quando Henrique, enxugando lágrimas, pergunta à mãe querida, se seria capaz de adivinhar porque ele o fazia de olhos molhados.