FELICIDADE DO REENCONTRO

Querida Lélia, minha querida filha.

Deus abençoe o seu coração e o seu caminho, concedendo-nos a todos, paz e fortaleza espiritual.

Estamos nos passos uns dos outros, minha filha, como não pode deixar de ser.

A morte é apenas mudança, não ausência. E, um dia, com o Amparo de Deus, ver-nos-emos reunidos todos, novamente, desfrutando a felicidade do reencontro.

Nosso Alvicto está mais forte e com o auxílio do nosso lado, já consegue amparar você e inspirar os filhos queridos na solução dos problemas do dia-a-dia. Sem dúvida, que o refazimento lhe tem sido gradual e vagaroso, porque a vinda dele exigia aquele quadro de improviso que, realmente, foi - como acontece em toda provação a que sejamos levados, - a bênção de Deus.

Tudo, minha filha, tem a sua razão direta ou indireta, manifesta ou temporariamente invisível.

Nosso Nogueira trazia, no plano da nova existência, aquela despedida assim, repentina, a ecoar-lhe dolorosamente na sensibilidade com a Esposa e Mãe. Entretanto, o que ocorre com ele, nos domínios da reconstituição gradativa, acontece igualmente a você, no campo de sua restauração, pouco a pouco. Sob o auxílio da Providência Divina, com apoio no tempo, as suas forças vão sendo recuperadas. Tão somente agora, nos meses últimos, é que a vemos efetivamente melhorada, do ponto de vista da resistência moral.

Você realmente saiu do hospital, de modo rápido, depois do acidente, mas apenas com o amparo da oração e da meditação, do esforço persistente e da paciência laboriosamente exercitada, é que você está saindo do sofrimento moral mais intenso. O mesmo sucede com o nosso Nogueira, que, na estrutura daquele ânimo inquebrantável que lhe conhecemos, muito lutou a princípio para se acomodar com a realidade, de vez que não esperava se ver assim tão violentamente arrancado ao seu convívio e ao convívio dos filhos queridos.

Mas, com a Bondade do Senhor, - luz incessante sobre nós todos, - tudo o que era sombra já se desfez. Agora, é seguirmos adiante, fazendo quanto possível, para que a harmonia se faça entre os nossos. Nesse sentido, tanto nosso Alvicto, quanto nós mesmos, contamos com o seu materno esforço, a fim de que a paz dos filhos queridos seja sustentada, acima das lutas que aparecerem.

Tenhamos calma e tolerância para realizar as renovações necessárias com a precisa firmeza.

Às vezes, na existência terrestre, chegam até nós criaturas do nosso próprio passado, à feição de credores, junto de quem devemos exercitar a compreensão e o devotamento, a harmonia e a bênção todos os dias.

Assim, pois, entrelacemos os nossos corações no entendimento, para que o entendimento nos ilumine.

As pessoas se modificam para melhor, quando nos observam realizando esforço idêntico. Desse modo, você, na condição de mãe, abençoe e ajude sempre, construindo a paz entre todos.

Você não está, nem estará sozinha. Confiemos.

Diga, filha, à nossa Nayá, que as dificuldades têm sido grandes para refazer a tranqüilidade em tudo e em todos, no entanto, os filhos são sempre os nossos tesouros do coração e com eles e por eles, prosseguiremos estimulados a trabalhar com paciência e alegria.

Cada filho ou filha é uma luz em nosso caminho e, graças a Deus, encontramos, Nayá e eu, em todos vocês, tanto quanto em nosso Leônidas, riquezas e bênçãos que nem de longe sabemos como agradecer a Jesus.

Peço a você, quando for possível, levar nossa Nayá para uns dias nas águas de Caldas Novas. Ela precisa de um repouso que se faça igualmente medicação. Sua mãe, Lélía, está muito cansada fisicamente, e precisamos auxiliá·la a tratar-se, porque, você sabe, ela sempre se dá a nós todos, sem pensar nela própria.

Querida filha, daria tudo para continuarmos conversando através do lápis, no entanto é preciso encerrar esta carta.

Estamos felizes ao vê·la edificando suas tarefas evangélicas mais amplas.

Creia, minha querida Lélia, que nunca perdemos a fé viva e, sim, vamos transformando-a para mais vastos caminhos da alma. A crença é uma estrada que se vai alargando e embelezando, cada vez mais, à medida que damos lugar à compreensão mais alta nos domínios da própria alma. Por isso mesmo, a tarefa cristã em suas queridas mãos, é agora o que foi antes, com a caridade por sol a lhe clarear cada vez mais os pensamentos.

Na essência, é Jesus que buscamos sempre e isso, minha filha, é o que importa.

Abrace Nayá por mim e com muito carinho a cada um dos nossos entes amados; rogo a você receber o abraço muito afetuoso do papai amigo que tanto lhe deve a dedicação e que nunca a esquece.

Antenor