| FILHO DE VOLTA, ANSIOSO DE ENTENDIMENTO E PAZ |
Izídio Inácio da Silva, autor da mensagem recebida pelo médium Xavier, na madrugada de 12 de outubro de 1974, nasceu a 21 de março de 1955, em Buriti Alegre, Estado de Goiás. Único filho do sexo masculino do casal Cacildo Inácio da Silva e Leila Sahb Inácio da Silva (Veja-se depoimento de D. Leila Sahb Inácio da Silva na obra 'Luz Bendita" de Fco.C.Xavier /Emmanuel), residia em Goiânia, desde os quatro anos de idade.
Fez o curso primário no Educandário de Goiás, o secundário em diversos colégios, inclusive o Ateneu D. Bosco, e formou-se em Contabilidade na Escola Técnica de Comércio D. Marcos de Noronha, todos em Goiânia.
Desde criança, Izídio era companheiro de seu pai, amava os campos, as fazendas e os animais.
Apesar da pouca idade, era muito trabalhador e dotado de grande senso de responsabilidade. Além de cuidar da Fazenda "Fundão", no município de Goiás (antiga capital do Estado), que o genitor vendeu logo após a morte do filho, por não suportar-lhe a ausência. Izídio, adquiriu, com o seu próprio esforço e com a ajuda do pai, a sua própria fazenda de mil e duzentos alqueires em Redenção, no Estado do Pará, onde pretendia trabalhar e construir a própria vida.
Em janeiro de 1974, acompanhado de um amigo, visitou ele essas terras, penetrando o interior das matas virgens para respirar o ar puro, através de estivas - estradas sem segurança, construídas por peões contratados por ele -, para lá não mais voltar, senão em espírito.
Izídio era querido em toda a parte, devido ao seu temperamento alegre, afetuoso, simples, humilde e dinâmico de que se fazia portador. À feição dos rapazes de sua época, praticava o namoro e apreciava os esportes e as corridas de carros.
Amava a velocidade, tendo sido um dos principais corredores de Kart de Goiânia, chegando a pilotar um carro de classe turismo, numa corrida em Brasília.
Pertenceu ao Vila Nova Futebol Clube, do qual era diretor do time juvenil e do basquetebol, tendo excursionado com o time a São Paulo, dois meses antes da desencarnação.
Mereceu da Diretoria brilhante homenagem póstuma: um jogo de basquete, no dia 28 de março de 1974, entre as equipes do Vila Nova e da Guanabara, na contenda do troféu que lhe guardou o nome.
A revista local Leia Agora Esportiva dedicou-lhe uma página sob o título "Uma perda irreparável - Ele seria o futuro Presidente do Vila Nova."
Surgiram, ainda, homenagens a Izídio na Câmara de Vereadores e na Assembléia Legislativa.
Numa terça-feira, 19 de fevereiro de 1974, Izídio foi com seu pai comprar e marcar uma boiada, perto de Hidrolândia, Estado de Goiás.
Chegou cansado e repousou um pouco antes do banho. Desceu para o jantar com roupa de fazenda (fato que chamou a atenção de Urquiza, senhora que ajudou D. Leila a criar os filhos, inclusive Izídio, pois que ele, à noite, sempre gostava de envergar uma boa indumentária).
Inquirido por que se trajava daquele modo, respondeu que iria deitar-se mais cedo, já que deveria sair de madrugada com o pai para a fazenda.
Entretanto, após o jantar, saiu de casa para ir a uma reunião do Vila Nova, que já havia sido adiada.
Encontrou-se com alguns amigos, e acabou indo assistir a um "pega ou racha", que era realizado na estrada que demanda a cidade de Guapó.
Com um seu amigo, José Fortuoso Sobrinho, mais conhecido como Zé da Brahma , que o conhecia como bom piloto, foi dar algumas explicações sobre a melhor maneira de conduzir o veículo. E a 200/Km/h, o carro capotou. Seu companheiro faleceu no local do acidente, e Izídio foi atendido no Hospital Ortopédico, onde esteve em estado de coma durante seis dias, até que veio a desencarnar, no dia 26 de fevereiro, terça-feira de carnaval. Seu sepultamento teve a presença maciça dos jovens, dos esportistas e dos fazendeiros locais, além dos parentes.
Após o impacto da morte do filho, D. Leila, que já possuía noções sobre a Doutrina Espírita, foi quem se recuperou mais facilmente. Passou a freqüentar a Irradiação Espírita Cristã, onde derramou suas lágrimas de mãe, para logo transformadas pela Misericórdia do Alto em conforto e esclarecimento para muitos.
Em meados de 1974, Francisco Cândido Xavier foi a Goiânia, a convite do Deputado Lúcio Lincoln de Paiva, para um diálogo na Assembléia Legislativa, do Estado de Goiás. Dona Leila não conseguiu aproximar-se do médium, devido ao acúmulo de pessoas em torno dele. Mas não se deu por vencida. Sabendo que após a cerimônia, ele iria comparecer ao Instituto Araguaia para uma noite de autógrafos, para lá se dirigiu, com o esposo desolado. Enfrentando grande fila, conseguiram, às 2:00 horas, trocar rápidas palavras com o veterano médium espírita, dele recebendo o convite para irem a Uberaba, além de breve frase confortadora.
No dia 12 de outubro do mesmo ano, a família de Izídio chegou a Uberaba e, até o momento da recepção da mensagem, só manteve contatos impessoais com o médium de Emmanuel.
A peça medianímica foi um conforto para a família, que encontrou nela a certeza da sobrevivência do Espírito, visto ser a carta de Izídio repleta de descrições, citações e apontamentos profundamente pessoais, das quais o médium não possuía qualquer conhecimento.
Em Goiânia, onde o jovem Izídio era muito estimado, e onde muitos amigos sabiam quão desolados se lhe viam os familiares, principalmente o pai, que não se conformava com a desencarnação repentina do filho, a mensagem causou grande alegria e admiração, sendo publicada nos jornais da cidade e no jornal Goiás Espiríta. Esta mensagem, diz D. Leila, não só confortou a família, mas a muitos corações de mães, e muitos jovens a conservam até hoje como advertência.
Depois de afirmar ao genitor que a morte não é o fim e que a vida continua, usando imagens de quem conhece a vida campestre, Izídio se refere a um ponto de suma importância:
"Não acredite que alguém teve culpa naquela corrida, que o Zé, o nosso Zé da Brahma, buscava se exercitar. Eu mesmo dirigia. Prometi que haveria de dar-lhe alguns macetes em matéria de equilíbrio nas grandes velocidades, e pisei confiante. O carro não se arrrancou, porque, na verdade, era mais uma decolagem. Quase voamos, entretanto, veio o insucesso, a queda foi violenta. Não esperava que pudesse acontecer o que vimos. "
Segundo informes da família, Izídio gostava de carros e da velocidade.
O pai, cavalheiro muito sensível, pedia habitualmente ao filho para não se entusiasmar com o automobilismo, devido aos riscos de semelhante prática alegando que precisava dele, não só para auxiliá-lo, como também para proteger a família, no futuro.
Geralmente, apesar das advertências, o filho participava de corridas.
Em outubro de 1973, vendeu o Opala de corridas que possuía, e comprou uma camioneta C-10, para enfrentar as tarefas das fazendas.
Os pais tranqüilizaram-se ainda mais; contudo, de vez em quanndo, os amigos insistiam e Izídio participava de algumas competições.
Eis, agora, o fato curioso: todos os que assistiram à corrida que finalizou no desastre, afirmaram que o Zé da Brahma é quem saiu ao volante, e o Izídio só o acompanhava para explicações. E sempre Dona Leila falava que se Izídio estivesse ao volante, o carro não teria capotado. O fato, como vimos, foi negado por Izídio em sua primeira mensagem, através do médium Xavier.
Surgiram dúvidas, apesar de existirem tantos outros detalhes que davam mostras de tratar-se, com efeito, do Espírito do jovem. Um ano após o acidente, porém, a Perícia deu o laudo esclarecedor: o carro de propriedade de José Fortuoso Sobrinho era pilotado por Izidio, e o Zé da Brahma era o acompanhante.
Deixando para o próximo capítulo as considerações em torno de alguns nomes citados na mensagem, terminemos este já longo comentário, citando uma passagem do depoimento da família, que bem confirma a observação dos psicólogos: de que temos conhecimento anntecipado, inconscientemente, do que poderá ocorrer conosco ou com qualquer membro de nossa constelação familiar: "Izídio era muito amoroso para com os entes queridos, e mantinha o hábito de beijar exageradamente, às vezes quase sufocando as crianças, razão por que D. Leila sempre o corrigia. Principalmente Urquiza, sua segunda mãe, e Leandra, sua sobrinha e afilhada de cinco meses, lhe recebiam mais as efusões de carinho.
Dias antes do acidente, Izídio estava saindo para a fazenda, quando sua irmã Laudelina chegava à casa paterna em companhia de Leandra. Ele tomou a sobrinha nos braços e começou a beijá-la, demasiadamente.
A genitora pediu ao Esposo para corrigir o filho.
Quando o Sr. Cacildo deliberou atender, calou-se estranhamente, ao ouvir uma voz que lhe disse:
"Não faça isso, ele beija todo mundo porque vai durar pouco." Este fato foi narrado pelo pai, nos dias em que Izídio esteve hospitalizado, em coma profundo.
Às páginas 47 e 51 da obra Somos Seis (Fco.C.Xavier, Espíritos diversos), há ligeiras referências ao Espírito de Izídio.