LEIS A QUE NÃO CONSEGUIMOS FUGIR

Semanas após a recepção da "Mensagem de Amor", pelo médium Francisco Cândido Xavier, a 15 de outubro de 1976, ao final da reunião pública no Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, Minas, a família da entidade comunicante se encarregou de imprimir um folheto contendo, além da aludida peça mediúnica, os dados biográficos e outros elementos comprobatórios de que nos servimos nestes apontamentos.

1. Yolanda Carolina Giglio Villela: nasceu em Viradouro, Estado de São Paulo, a 23 de maio de 1949, e desencarnou a 4 de julho de 1976, em conseqüência de desastre automobilístico.

Filha do Sr. José Nogueira Villela e de D. Anita Giglio Villela, era formada em Letras e exercia o magistério; cultivava a música, a poesia, e se interessava pelos assuntos de ordem espiritual.

2. João Batista: trata-se de seu irmão mais novo.

3. Detalhe dos mais importantes, para o qual solicitamos a atenção do leitor: "Tenho o reconforto de afirmar-lhes que não provoquei o choque do Opala." Com efeito, o carro que se chocou com o seu Chevette era um Opala. O médium desconhecia por completo semelhante pormenor, na aparência anódino, mas de profunda significação no contexto geral da mensagem.

4. "Mãezinha, não julgue que sua filha pudesse, por um instante só, enfraquecer-se na fé, a ponto de buscar a desencarnação voluntária."

Surgiram muitas dúvidas - informa a família de Yolanda - sobre o acidente, e uma delas era a de ter sido o choque provocado por ela própria.

5. Prova inescusável da Misericórdia Divina a derramar-se sobre todos nós: "Dias antes me sentia em nossa casa como quem trazia a cabeça e as mãos crescidas, ( .... ) mas somente aqui vim a saber que estava sendo preparada com carinho para a volta."

A quem deveria partir com ambas as mãos quebradas e com fratura de crânio, qual aconteceu com a jovem Yolanda, no acidente, este passo da missiva dá muito o que pensar a quantos se interessam pelos estudos referentes ao fenômeno da Morte.

Dias antes da ocorrência, Yolanda comentara com o irmão que "numa noite sentira as mãos e a cabeça crescidas".

6. "Os conhecimentos que trazia comigo me foram valiosos". A prova disso encontramos na lucidez de Yolanda ao defrontar-se com o Tio Orlando, com plena e absoluta noção de espaço e tempo.

Orlando Giglio, irmão de D. Anita Giglio Villela, desencarnara a 8 de agosto de 1975, onze meses antes que sua amiga, sobrinha e confidente fosse vítima, também, de um acidente automobilístico.

O médium Xavier não poderia ter conhecimento dessas minudências. E minudências de inconcussa consideração.

7. "Padre Antônio, direi Antônio Preto, de quem ouvira tantas vezes falar".

A autora espiritual se refere ao Frei Antônio Preto, desencarnado a 17 de dezembro de 1975, em conseqüência de capotamento do automóvel em que viajava. Exercia ele o sacerdócio, há muito tempo, na cidade de Bebedouro, Estado de São Paulo, formando laços de amizade com a família Villela.

8. Landa : era o apelido familiar da comunicante.

9. "Rogo dizer à nossa Do Carmo e às amigas, que a morte me apareceu na condição de uma benfeitora, e que não fui eu quem lhe bateu às portas."

Confrontemos, acima, o item 4. Maria do Carmo: a primogêniita da família.

10. Vovó Carolina: Desencarnada a 23 de janeiro de 1949, em Viradouro, SP, avó materna do espírito comunicante.

11. Tia Geni: Sra. Geni Garcia Giglio, esposa do Sr. Orlando Giglio, residente em Viradouro, que se achava presente no momento da transmissão da página mediúnica.

12. "Grupo do Calvário ao Céu": Centro Espírita da cidade de Bebedouro, SP, onde Yolanda e o irmão, por várias vezes, freqüentaram.

Da expressiva mensagem de Landa, ser-nos-á lícito extrair, dentre outras, as seguintes conclusões:

a) que os pais devem auxiliar aos filhos desencarnados com a bênção da compreensão, sem constranger-lhes o espírito com pensamentos de inquirição ou de angústia, reconhecendo que todos nós na Terra, pais ou filhos, somos criaturas de Deus;

b) que "não é fácil deixar a existência do lar, nem mesmo quando temos aquele ideal de estudar a vida em outros planos e em outros mundos"; daí, o imperativo de homenagearmos os entes queridos que nos antecederam na grande viagem de retorno à verdadeira vida, com as vibrações da prece e com o apoio do serviço ao próximo;

c) que a morte não passa de mudança, seja de lugar ou de clima, para quem parte, sem transformações no amor em relação aos que ficam;

d) que devemos respeitar todas as correntes religiosas, cientes quais somos de que os Espíritos Iluminados prosseguem supervisionando templos e socorrendo criaturas de todas as latitudes, encarnadas ou desencarnadas.

Sumamente séria, nesse sentido, a alusão a São João Batista na mensagem;

e) que precisamos aceitar, com o máximo de resignação, a morte dos entes amados, deixando de lhes atribuir sentimentos imaginários como sendo os fatores desencadeantes do decesso que, mais cedo ou mais tarde, sobrevirá para cada um de nós;

f) que, enfim, precisamos facear com realismo os problemas relacionados com a Morte. Com vistas a nos edificarmos sempre e mais, tomamos a liberdade de transcrever alguns trechos da autora de On Death an Dying, com a devida permissão do Editor (Face a Face com a morte, Dra. Elisabeth Kubler-Ross). A Dra. Elisabeth Kübler-Ross, quando lhe perguntaram: "Quais as atitudes, a seu ver, que são errôneas em relação à morte? Haverá algo mais que costumamos fazer e que torne pior a morte para o paciente? - não hesitou em responder: "Há dois obstáculos principais. O primeiro são os médicos, que estão treinados para prolongar a vida. ( ... ) O outro problema são os cônjuges. Se um homem, que teve a coragem de aceitar sua morte iminente, tem a seu lado uma mulher choramingando "Não morra, não posso viver sem você", não conseguirá morrer em paz. De modo geral, meu trabalho é ajudar médicos e esposas a deixarem-nos ir em paz, para que o paciente não se sinta culpado de "morrer apesar dos seus esforços".

Fato curioso, caro leitor: praticamente em quase todas as mensagens recebidas pelo médium Xavier, desde 1927 até os nossos dias, de pessoas desencarnadas em situação de violência e/ou desastre, trazem a tônica apontada pela Dra. Kübler-Ross - os espíritos comunicantes como que pedem desculpas por terem se desligado do veículo físico de forma abrupta ou, por outras palavras, por não conseguirem a desencarnação "em paz", no tocante aos familiares que ficaram.

Para concluir, transcrevamos apenas estes dois ligeiros tópicos das notáveis entrevistas:

"P. Quando é que se deveria iniciar a preparação para se compreender e aceitar a morte?

R. Na infância. A morte de um animal que se tenha em casa é boa oportunidade para começo. Que ele seja enterrado com ritual; não o esconder na lata de lixo e ir logo comprar outro para substituí-lo. É importante deixar que as crianças conheçam a dor e a perda."

"P. Acha que há vida além da morte?

R. Sempre senti que algo bastante significativo ocorre minutos depois da morte "clínica". Grande parte dos meus pacientes adquirem expressão fantasticamente tranqüila, mesmo aqueles que lutaram desesperadamente contra a morte." (A propósito, veja-se o livro do Dr. Lee Salk, O que toda criança gostaria que seus pais soubessem)

Fco.C. Xavier