O FILHO TOMBADO EM PROVA

Querida Augusta, minha querida Augustinha, a bênção de Deus nos reconforte.

Cumpro a palavra. Disse a você que me expressaria por nosso amigo, e tento o recado.

O tempo que me distancia do corpo que se desfez, não me habilita a escrever como desejaria.

O trabalho é uma escola incessante para quem deseja prosseguir em caminho melhor e, felizmente, a sua luta abençoada é igualmente minha.

Você sabe que nunca nos separamos.

Seus problemas com a família e as suas aflições maternas seguiram meus passos, porque você sempre seguia nos meus. Nossa união não poderia ser diferente.

O amor é uma luz que Deus acende no coração. E onde o amor persiste não há sombra.

Estimaria escrever ao seu carinho em momentos de primavera, como se estivesse a endereçar-lhe uma carta de noivado, falando o meu agradecimento e de minha ternura.

Entretanto, quis a lei que formulasse estas linhas com a marca de nossas lágrimas.

Ambos trocamos os corações à frente de Henrique tombado em prova.

Pergunta-me você se eu sabia, indaga o seu carinho porque não teria agido no momento certo, barrando o projétil que eliminou a existência jovem do nosso querido rapaz.

Mas posso afirmar a você, querida Augusta, que os nossos encargos continuam aqui sem sermos anjos.

Tudo fazemos ao alcance de nossas possibilidades estreitas, paara socorrer os entes amados, entretanto conseguimos pouco.

Penso que tudo isso deve ser assim, porque seria um erro furtar nossos filhos à experiência humana, como se nos pertencessem, quando, na essência, pertencemos todos a Deus.

Creia que seu marido fez força. Ainda assim, a lei das provas nos reclamava a tempestade de fevereiro passado. Era preciso enfrentar as dificuldades, sofrer as tribulações e entregar tudo à Providência Divina.

Graças a Jesus, você está fortalecida na fé, e os nossos filhos queridos nos compreendem. Seu pai e até mesmo nosso Eurípedes, com outros amigos, nos sustentaram e nos guardam a segurança espiriitual.

Estou na sua condição; pai humano com alguns passos apenas na estrada adiante.

Admito que nossos Benfeitores da Espiritualidade Maior tudo sabiam por antecipação, porque fomos, você e eu, amparados de imediato.

Augusta, peço a você coragem. Você que tem ensinado seu Velho a trabalhar, você que suportou quase sozinha, do ponto de vista físico, a luminosa carga de serviço na condução da família que a desencarnação me obrigou a deixar, você que nunca se intimidou com provações e necessidades, continuará sem pausa nas tarefas que são nossas.

Nosso querido Henrique chegou aos nossos braços na condição de quem caiu ao lado da Cruz de Cristo. Não veio com sentimentos de pesar contra ninguém e, se acordou inquieto, foi pensando em você, nas dificuldades que ficariam para o seu coração de mãe.

Agora, somos nós e falo também por ele: - que pedimos a voocê e Eduardo, Márcia e Ângela, nossos genros-filhos, e nossos familiares tratem o assunto na base da oração. Um grande silêncio pode alimentar uma prece maior.

Augustinha, falei por seus lábios que nosso filho voltava para o Além sem haver ferido a ninguém e isso nos foi uma bênção

Que a paz envolva aos que ficaram, que o amor de Jesus cubra a nós todos, que a Luz do Bem não se apague e que a fé em Deus nos faça sentir que todos somos capazes de errar.

E se hoje, Augustinha, sofremos por resultados de ações que se, é que nós também erramos perante as Leis Divinas.

Agradeço o seu depoimento de mãe, inspirado na compreensão que o processo inspira, porquanto os filhos de outros pais e de outras mães são também nossos filhos. Entendimento para nós todos, tranqüilidade para nós todos é o que peço a Deus.

Seu pai me auxilia a escrever, mesmo porque receava ferir com qualquer palavra menos adequada nossa confiança de espíritas-cristãos na Bondade Divina, em favor de todos.

E quem sabe? Nosso Henrique se fará restaurado. Você terá mais um companheiro nas suas atividades com a bênção de Jesus e eu terei aqui um filho a proporcionar-me aquela luz que nosso querido Henrique sabia distribuir.

O Bem para os outros é saúde e paz para nós.

Não se admita enferma efatigada ao ponto de permanecer unicamente em casa, pensando em sombras que Deus nos ajudará a transformar em luzes novas.

Não queira vir mais depressa ao nosso encontro. Esperemos o tempo, trabalhando.

Um dia você e nós estaremos mais juntos e digo mais porque juntos sempre estivemos.

Agradeçamos as lágrimas abençoadas que lavam nossos corações por dentro. Elas nos ensinam a visão espiritual a fim de seguirmos adiante em rumo certo.

Agradeço as amigas de Goiânia que trouxeram a sua presença em nosso encontro. Amigos daqui também me amparam.

Saiba que a sua fortaleza é a base de minha fé, que o seu devotamento é o meu clima de segurança, que as suas esperanças, me fazem os melhores estímulos para a vida espiritual e que os seus exemplos no trabalho são ainda a melhor escola em que vou formando um novo destino para o nosso Amanhã Melhor.

Perdoe se escrevo assim, misturando alegria e dor, dificuldade de compreender e aspiração no sentido de melhorar-me.

Sou ainda um esposo humano e um pai que, ao seu lado, viveu sempre na certeza de que nossos filhos são tesouros de Deus em nossas mãos.

Auxilie-me para que eu possa ser útil nas tarefas em que a vida nos situa.

E colocando meu coração como sempre em seu carinho, receba tudo o que posso ser de melhor, e toda a minha esperança de melhorar sempre, com todo o amor e reconhecimento do seu, sempre seu,

Gastão