| SALDO DE PAZ E ESPERANÇA |
Alvicto, nosso conhecido de capítulos anteriores, apenas acrescenta na mensagem que esperou cinco anos para escrever, fazendo-o, ainda, com dificuldade, "ao modo de um menino na escola aprendendo e reaprendendo", segundo afirma com humildade, que sua desencarnação se deu quando se dirigia com a esposa, D. Lélia, para Bela Vista, cidade próxima de Goiânia, à cata de jabuticabas, fato confirmado pela família do comunicante, reiterando as dificuldades antes apontadas pelo seu sogro - Antenor -, logo após o acidente automobilístico, em companhia da esposa, que sobreviveu com algumas fraturas, quatro dias após o casamento da filha Simone.
Cientes quanto aos detalhes da experiência de Alvicto, detenhamo-nos no ponto seguinte:
"Nossos amigos aqui, os que me auxiliam, afirmam que não devo escrever a palavra "sofrimento", mas me perdoam porque ainda não tenho outra para significar o que senti no acidente para nós dois inesquecível. "
Em torno do sofrimento, não nos furtemos à oportunidade de citar algumas palavras do Espírito de Madame de Stael (Anne Luise Gemaine Necker, nascida em Paris, em 1766 e aí desencarnada, em 1817), transmitidas espontaneamente, a 28 de setembro de 1858, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, pela médium psicógrafa senhorinha E. (Allan Kardec, Revista Espírita, 1º. ano, ano 1858):
"Viver é sofrer. Sim; mas a esperança não segue ao sofrimento?
Não pôs Deus maior dose de esperança no coração dos infelizes? Criança, o prazer e a decepção acompanham o nascimento; mas à sua frente marcha a Esperança, que lhe diz: Avança! A felicidade está no fim. Deus é clemente.
"Por que, perguntam os Espíritos fortes, por que vir ensinar-nos uma nova religião, quando o Cristo estabeleceu as bases de uma tão grandiosa caridade? de uma felicidade tão certa? Não pretendemos reformar aquilo que o grande reformador ensinou. Não: vimos apenas reafirmar nossa consciência, aumentar nossas esperanças. Quanto mais se civiliza o mundo, mais deveria ele ter confiança e mais ainda temos necessidade de o sustentar. Não queremos mudar a face do universo: vimos ajudar a torná-lo melhor. Se neste século não viermos em auxílio do homem, este será muito infeliz, pela falta de confiança e de esperança. Sim, homem sábio, que lês nos outros, que procuras conhecer aquilo que pouco te importa e que afasta aquilo que te concerne: abre os olhos e não desesperes; não digas que o nada pode ser possível, quando em teu coração deverias sentir o contrário. Vem assentar-te a esta mesa e espera, pois aí serás instruído quanto ao teu futuro e serás feliz. Aí há pão para todos: Espírito, todos vos desenvolvereis; corpo, todos vos alimentareis; sofrimento, vós vos acalmareis; esperança, florecereis, e embelezareis a verdade, para fazê-la suportar."
Depois de se referir ao sogro presente - Sr. Antenor de Amorim do Nascimento - e a outros amigos, Alvicto alude às "três palavras do coração", significando, a nosso ver, os três filhos - Simone Luiz Manoel e Antenor.