| SERIA
UM ERRO FURTAR NOSSOS |
A mensagem de Gastão Henrique Gregoris, recebida pelo médium Xavier, no Grupo Espírita da Prece, em Uberaba, Minas Gerais, a 5 de março de 1976, vinte e cinco dias após a desencarnação, em circunstâncias consideradas trágicas do ponto de vista humano, de seu filho Henrique Emanuel Gregorís, suscita-nos algumas considerações, que serão estudadas por itens.
1 - "Pergunta-me você se eu sabia, indaga o seu carinho porque não teria agido no momento certo, barrando o projétil que eliminou a existência jovem do nosso querido rapaz.
"Mas posso afirmar a você, querida Augusta, que os nossos encargos continuam aqui sem sermos anjos."
Vejamos a questão 528 de O Livro dos Espiritos (Allan Kardec, O Livro dos Espíritos):
" - Um homem mal intencionado lança sobre alguém um projétil que o roça e não o atinge. Um Espírito benevolente pode tê·lo desviado?
" - Se o indivíduo não deve ser atingido, o Espirito benevolente lhe inspirará o pensamento de se desviar ou poderá ofuscar seu inimigo de maneira a fazê-lo apontar mal, porque o projétil, uma vez lançado, segue a linha que ele deve percorrer."
2 - "Penso que tudo isso deve ser assim, porque seria um erro furtar nossos filhos à experiência humana, como se nos pertencessem, quando, na essência, pertencemos todos a Deus."
Ora, todos os psicólogos são unânimes em afirmar que nós todos, inclusive nossos filhos, necessitamos de experiências frustrantes a fim de crescermos por dentro, tornarmo-nos maduros emocionalmente.
E o que preceitua a Doutrina Espírita? Que nos encontramos reencarnados, por enquanto, num mundo de expiações e provas, onde sofrimento e dificuldades, lutas e tropeços, são capítulos abençoados escritos por todos no grande livro da vida.
No mesmo livro citado, de Allan Kardec, a questão 503 nos mostra a diferença entre a aflição experimentada por um Espírito protetor e as angústias da paternidade terrestre, somente porque o chamado anjo guardião "sabe que há remédio para o mal, e que aquilo que não se faz hoje, far-se-á amanhã."
3 - "Creia que seu marido fez força. Ainda assim, a lei das provas nos reclamava a tempestade de fevereiro passado. Era preciso enfrentar as dificuldades, sofrer as tribulações e entregar tudo à Providência Divina."
Na verdade, ninguém consegue fugir à Lei de Causa e Efeito, e Henrique deveria partir como partiu, num clima de violência.
4 - "Seu pai e até mesmo nosso Eurípedes, com outros amigos, nos sustentaram e nos guardam a segurança espiritual."
O Espírito se refere ao pai de D. Augusta Soares Gregoris, Manoel Soares, continuador das obras de Eurípedes Barsanulfo, em Sacramento, Minas Gerais, desencarnado em 1937.
5 - "Nosso querido Henrique chegou aos nossos braços na condição de quem caiu ao lado da Cruz de Cristo. Não veio com sentimentos de pesar contra ninguém e, se acordou inquieto, foi pensando em você, nas dificuldades que ficariam para o seu coração de mãe."
Mais adiante, depois de rogar aos genros-filhos - Eduardo, Márcia e Ângela - para que tratem o assunto na base do silêncio e da prece, afirma Gastão:
"Augustinha, falei por seus lábios que nosso filho voltava para o Além sem haver ferido a ninguém e isso nos foi uma bênção."
Henrique nasceu em 7 de julho de 1952, e desencarnou, nas circunstâncias citadas, a 10 de fevereiro de 1976, em Goiânia. Cursava Administração de Empresas, na Universidade Católica de Goiás.
6 - "Não queira vir mais depressa ao nosso encontro. Esperemos o tempo, trabalhando."
Sendo a Terra um mundo de expiações e provas, destinado a ser, no grande futuro, um mundo de regeneração, segundo nos ensinam os Espíritos Superiores, tudo nos cabe fazer no sentido de permanecermos aqui o máximo de tempo que nos seja permitido, trabalhando infatigavelmente no bem, construindo a nossa felicidade à base da cooperação no erguimento da felicidade dos outros, desvencilhando-nos com isso do orgulho e egoísmo que, há milênios, nos retardam a evolução.
7 - "Sou ainda um esposo e um pai que, ao seu lado, viveu sempre na certeza de que nossos filhos são tesouros de Deus em nossas mãos."
Mais uma vez, defrontamo-nos com o problema de ordem semântica, em relação ao cônjuge que fica - esposo-viúvo, mulher-viúva, Confortadora, sem dúvida, a assertiva de que a vida continua, tudo a indicar-nos a necessidade inadiável e intransferível da reforma íntima, já que as manifestações de fachada são provas inequívocas de imaturidade espiritual, requisitando terapêutica adequada, a qual, em muita, circunstâncias, só poderá ser feita á base de dor e sofrimento ou mesmo de angústia em grau superlativo.
Que todos nós, os viajores da Terra, possamos rogar aos Espiritos Benfeitores forças renovadoras para viver, qual fez o Espírito de Gastão:
"Auxilie-me para que eu possa ser útil nas tarefas em que a vida nos situa."
Dados biográficos:
Nasceu Gastão Henrique Gregoris a 19 de março de 1928, em Ribeirão Preto, Estado de São Paulo, filho de Eduardo Gregoris e de Ana Silva Souza Gregoris.
Nessa cidade, passou toda a sua infância, transferindo-se na adolescência para Goiânia, a convite de um tio, Alfredo Feresin, que lhe conseguiu colocação na Empresa Goiana de Cinemas, onde permaneceu por alguns anos.
Casou-se aos 21 anos de idade com Augusta Soares Gregoris, filha de Manoel Soares e Augusta de Oliveira Soares, natural de Sacramento, Estado de Minas Gerais.
Tiveram quatro filhos: Márcia, Henrique Emanuel, Ângela e Eduardo.
Gastão continuou seus estudos depois de casado, formando-se em Contabilidade, na Escola Técnica de Comércio de Campinas, bairro de Goiânia, em 1960.
Fundou com seu pai e irmão a casa comercial, "Móveis Tupy" da qual era Diretor-gerente.
No dia 28 de agosto de 1964, a convite de amigos, saiu para uma pescaria no Rio Meia Ponte, em Goiânia, onde desencarnou, vítima de afogamento.
Foi professor na Escola em que se diplomara com louvor, sendo considerado na época, pelo seu Diretor, Professor Rubens Carneiro, o melhor aluno desde a fundação, dez anos antes.
Seus alunos o estimavam e respeitavam, com imenso apreço. Espírita praticante, empenhava-se com sinceridade na prática da Doutrina.
Junto da esposa, durante alguns anos, foi responsável pela "Obra do Berço" (enxovais para recém-nascidos), na Irradiação Espírita Cristã, na capital do Estado de Goiás.
Também ali, participava das reuniões evangélicas e do trabalho de orientação mantido pelo Benfeitor Espiritual Bezerra de Menezes, juntamente com seu grande amigo, Dr. Oswaldo Godoy, que continua na obra de dedicação e bondade, em auxílio ao próximo.
Gastão desencarnou aos 36 anos de idade.
Tinha
adoração pelos filhos, e, em suas preces diárias, pedia
de inicio: "-Senhor, abençoa meus filhos."