SONHOS DE NOIVADO
DESFEITOS NA TERRA

Meu querido pai, minha querida Maria José, nossa querida Zezé, meu bom irmão Antônio Garcia, rogo a bênção de Deus em nosso favor.

Venho pedir aos meus para que não chorem assim com tanta mágoa.

Há quase dois anos, a lei de Deus me trouxe para a vida nova, mas, querida irmãzinha, seu mano está preso, preso às aflições em casa.

Não chorem mais com essa dor que mais nos parece um braseiro no coração.

Querida Maria José, preciso de sua conformação junto da mãezinha Laura e de meu pai.

Naquele dia de agosto, eu devia passar por Mogi-Mirim, alcançando a Anhangüera perto de Limeira, mas entendi que por Mogi-guaçu seria um atalho e a viagem seria de menor tempo e arrisquei. Saí de Itapira alegre, mas tudo aconteceu como devia acontecer. Querida irmã, tudo aquilo que não depende de nós e que sucede contrariamente aos nossos desejos, vem da lei de Deus. Quando o choque dos veículos me abateu, senti-me num sono profundo e só acordei quando ouvi que me chamaram em casa, com muitas lamentações. A princípio, nada compreendi. Parecia-me num sonho-pesadelo, mas o amparo do vovô Manoel que me acolheu carinhosamente era para mim um socorro que não sabia como receber. Não conhecia as pessoas no começo de meu novo caminho, pois tive a idéia de me achar num hospital do mundo, no entanto, aos poucos, meu avô Manoel e a vovó Gabriela me esclareceram.

Desde então, estou lutando muito para retomar à tranqüilidade.

Estou ligado à nossa casa por fios que desconheço e hoje que sou trazido a lhes dar notícias, rogo as preces da conformação e da fé em Deus, em meu auxílio.

Zezé, minha querida irmã, peço a você fazer este meu pedido, finalmente à nossa Regina. Em verdade, os nossos sonhos de noivado se desfizeram na Terra, mas acima de tudo, somos irmãos. Nossa querida Regina é uma criatura admirável e logo que eu estiver tranqüilo, tentarei colaborar para vê-la feliz.

Aí, não somos preparados na Terra para enfrentar o problema da vinda para cá. Penso que a falta de conhecimento coloca noventa por cento de dificuldades nos problemas que a morte do corpo nos obriga a aceitar.

Papai amigo e querida irmã, como peço igualmente a você, meu caro Garcia, ajudem-me com as orações da esperança e lembrem-se de que ninguém morre.

Nossos familiares nos auxiliam tanto em nossas doenças e provações do mundo ... Por que não nos auxiliarem na renovação em que nos vemos, nós, os que perdemos uma estrada para entrarmos em outra?

Tenham confiança em Deus e amparem-me.

Estou precisando muito da paz em vocês para encontrar a paz em mim. Estarei com vocês nas orações. Vovó Gabriela, aqui comigo, abraça-os e eu, querido pai e querida irmã, lembrando a Mãezinha e todos os nossos, deixo-lhes nestas escritas o coração reconhecido de filho e de irmão que pede a Jesus nos fortaleça e nos abençoe.

João Jorge